Capítulo três

4040 Palavras
Já havia amanhecido bem quando Anthony pôs-se a fazer sua rotina do dia: ele já havia feito seus exercícios, tomado café da manhã e agora, entrava em seu carro para ir a casa que Lylah e Dominick estavam. A cada dia, ele pedia para que Deus lhe desse paciência para aguentar o mau humor das duas mulheres. Anthony entendia que era r**m o que passavam, mas era para o próprio bem delas. Outra coisa que tinha seu foco era capturar Simon López, Dylan Ambrose e Roman Rodriguez. Ele m*l dormia a noite por conta desses trás e também, tirava o sono de suas tenentes. Não era justo, mas fora ele quem as colocou naquela enrascada Toda e seria ele a livrá-las. O caminho até a casa era de vinte minutos. Ele passou em uma cafeteria e pegou alguns donuts, os preferidos das duas. Talvez aquilo poderia melhorar o humor de ambas. Ao chegar na casa, estava tudo em silêncio. Talvez ainda estavam dormindo. Eles haviam discutido na manhã anterior, o que o fez não aparecer o restante do dia, elas mereciam um descanso. Usou sua chave para abrir a porta. - Lylah? Nick? - Chamou ele,mas não houve resposta. Ele respirou fundo. - Eu trouxe os donuts favoritos de vocês para o café da manhã. - Mas continuou sem resposta. Deixou o pacote na mesa da sala e começou a andar pela casa. Sem sinal delas. Nem no quarto, banheiro, cozinha. Aquilo deixou Anthony em completo alerta. Voltou para a sala. -Elas não podem ter saído daqui. Em seguida, seu telefone tocou. Sua cabeça estava longe e o toque o assustou. Ele pegou o celular e viu que havia uma mensagem em vídeo. Anthony não queria, mas todo seu ser gritava que ele tinha que apertar a tecla que reproduziria o vídeo. Ele engoliu seco, a mão que segurava o aparelho trêmulo. E, então, Anthony deu play no vídeo. - Saudações, nosso respeitado senhor secretário de segurança. - Roman Rodriguez surgiu na tela, a câmera virada para o seu rosto. Ele estava vestido de preto, seu cabelo grande, solto emoldurando seu rosto. - Adivinha o que aconteceu? Nós estamos de volta. - Risadas deram pra ser ouvidas ao fundo. Anthony tentava ter alguma pista de onde ele pudesse ter sido gravado, mas estava escuro e só conseguia ver Roman. O fugitivo continuou. - Sabe, Voight... Chegar ao máximo poder dessa cidade foi uma jogada de mestre. Todos respeitam você. É uma pena que ninguém saiba, de verdade, quem você é. Mas, eu e meus irmãos sabemos. Anthony continuou a ver o vídeo, com um gelo tomando sua espinha. Ele viu a câmera balançar e surgir nela Dylan Ambrose. O homem estava diferente, cabelo bem raspado, barba um pouco grande e seus olhos brilhavam mesmo estando no escuro. - Olá, senhor secretário. Acredito que também estava com saudades de nós, não é mesmo? Tem estado ocupado nos procurando e cuidando das duas mulheres mais lindas desse mundo... Mas esse é o seu maior erro, senhor secretário de segurança... Você não consegue cuidar de duas coisas ao mesmo tempo e como sabemos disso? - A câmera se remexeu novamente e assim, Anthony pode ver dois corpos deitados em algo que poderia ser uma van. - Isso mesmo secretário, olha só quem está conosco. - disse Dylan, passando a mão no rosto de Lylah. - Não adiantou você esconde-las de nós. Elas nos pertencem e sempre vão pertencer. Uma voz foi ouvida ao fundo. - Foi você quem as jogou em nossos braços, Anthony e agora só vamos pegar o que é nosso de volta. - A câmera balançou mais uma vez e surgiu Simon no vídeo. - Eu gostaria de ser uma mosquinha para ver a sua cara neste momento, sabia? De ver o quanto o seu império perfeito começou a desmoronar e isso, querido secretário, é só o começo. Mais uma vez, a câmera mudou de foco, retornando para Roman. - Fique tranquilo, Anthony. Suas protegidas vão saber quem você é de verdade, no seu devido tempo. Enquanto isso, vamos cuidar muito bem delas. - Roman piscou, provocador. - Até mais, senhor secretário. E o vídeo terminou. Anthony tinha a respiração acelerada, como se tivesse corrido uma maratona. Não era possível. Não podia ser verdade. Tudo o que ele construiu, o que ele protegeu nos últimos oito anos ia desmoronar. Isso não podia acontecer. Com um grito de frustração, Anthony jogou o celular longe. - Malditos! - Ele passou a mão no cabelo e tirou o óculos do rosto. A raiva quebrando a postura sempre neutra e fria dele. - Eu vou matar vocês. Dessa vez, eu vou matar vocês! *** Dominick acordava aos poucos, ainda sentindo um forte odor em seu nariz. Sentiu sede, a cabeça pesada. Se mexeu preguiçosa e sentiu um macio embaixo dela. Será que tudo fora um sonho? Ela havia sonhado que Roman fora buscá-la na casa em que estavam, ele era tão diferente. Estava sedento por vingança, a olhava diferente, mas ainda tinha aquele brilho que ela lembrava muito bem de oito anos atrás. Devagar, ela foi abrindo os olhos, olhando pelos lados. A cama era macia e quentinha, mas o lugar estava meio escuro. Cerrou o cenho ao escutar barulho de gotas na janela e um trovão romper no céu, iluminando bem pouco onde ela estava. Do lado da cama, uma bandeja com frutas, pães e suco. Dominick levantou devagar, levando a mão à cabeça, gemendo de dor de cabeça. Nem percebeu que não estava sozinha no lugar. Roman não conseguiu desgrudar os olhos de Dominick. Foram tantos anos longe dela, que agora que a tinha nas mãos, ele temia ser um sonho. Seu coração bateu forte quando ele a depositou sobre a cama. Odiava ela, certo? Tinha que odiar. Então, por que, tudo o que ele queria fazer era cuidar dela? Dominick estava diferente, não só fisicamente. Ela o enfrentou. Segura de si, ousada... p***a, ele ia ficar louco de novo. Quando ela começou a acordar, Roman se ajeitou na cadeira ao fundo do quarto. Ele usava um terno, tinha prendido o cabelo e se barbeado. - Tem uma aspirina na bandeja. - Falou, tentando se manter frio e distante. - Você vai precisar dela para podermos conversar, tenente Michaels. A voz fez ela levantar a sua cabeça e ver ele sentado à sua frente. Parecia que Roman preenchia o lugar com seu tamanho. Dominick olhou para a bandeja e viu um comprimido. Ela pegou na hora e bebeu, tomando um gole do suco. Não olhou e nem tocou nas frutas, mas seus olhos passearam pelo grande quarto em que estava. Era grande, a cama de casal e o cheiro… Dominick fechou os olhos ao sentir aquele aroma de lugar bem limpo. Ela sorriu ao perceber onde realmente estava. Seus olhos voltaram a olhar para Roman. - Eu esperei por você. - Falou Ela, o encarando. - Essas últimas semanas foram a maior tortura que tivemos. Sinta-se feliz pelo o que me fez passar, senhor Rodriguez. - Ela riu, baixo. - Se eu estivesse na rua, já teria prendido você de novo. Roman não mexeu um músculo. - Não, querida. Você não teria. As coisas mudaram e vamos colocar todas as cartas sobre a mesa. - Ele esperou. Queria ver qual seria a reação de Dominick. Tanto tempo longe, ele imaginou e planejou todos os cenários da sua vingança. Mas, vê-la mudava tudo. Em sua própria mente, ele pedia foco. - Você me feriu, Dominick. Eu me deixei cegar por você e me traiu sem piedade alguma. - Ele falava e olhava bem nos olhos dela. - Isso te fez feliz? Claro, você conquistou um cargo bom na polícia, mas me trair, me apunhalar pelas costas, te fez feliz? Não, não fez. Dominick queria dizer isso, mas as palavras pararam em sua garganta. Ele não tinha ideia do quanto foi sofrido para ela e a irmã sobre todo aquele caso. - Eu tentei te ligar naquela noite. - Começou ela, falando baixo. - Quando chegamos na Mansão, era tarde demais. - E respirou fundo. - Vocês sofreram mais, mas não sabe um terço do que eu e Lylah tivemos que passar fora disso, das noites m*l dormidas, dos pesadelos que eu tive com você chegando para me matar. - Finalmente, ela o encarou. - Não tinha como voltar atrás, pois se tivesse, teria voltado no tempo aonde negavamos participar dessa missão. Roman não respondeu de imediato. Ele tentava enxergar a verdade por trás das palavras de Dominick. Será que ela tinha mesmo tentado lhe salvar? Não, ele não podia acreditar. - Que pena que agora não tem como voltar no tempo. - Ele se levantou e andou até a cama. Dominick até tentou se afastar, mas Roman a segurou pelo queixo, apertando os dedos em seu rosto, querendo que ela olhasse bem para ele. - Você vai pagar por todos os dias que eu fiquei trancado feito um animal. Eu vou te quebrar, Nick. Eu vou te fazer rastejar e implorar pelo meu perdão. - Roman a soltou, empurrando o corpo dela sobre a cama. - Quantos homens tocaram em você nesses oito anos? Quantos homens você enganou, hein? Dominick gargalhou baixo, passando a mão no maxilar. - Pode passar quanto tempo for, você não muda a sua pose... Mas sabe o que mudou? Eu não dou a mínima para você, Rodriguez. - Disse ela, olhando para ele. - Eu nunca tive medo de você e agora, você não vai me intimidar. Não interessa quantos homens eu tive nesses oito anos... Não interessa com quem eu dormi a noite, assim como você, todos foram só diversão. - Que bom que estamos finalmente falando a verdade, Dominick. - Roman abriu os braços, a calma e paciência indo embora, surgindo apenas seu desejo de vingança. - Porque agora sim, eu posso fazer de você meu brinquedo. Vou me divertir muito com você e seus castigos. - Ele foi para a porta do quarto e abriu. - Quero ver o que sente ficando sozinha, sem ninguém para te ouvir, sem ninguém para segurar a sua mão. - Roman olhou para Dominick, da porta, o ódio e a mágoa expostos em sua expressão fácil. - Coma seu café da manhã e tire essa roupa. Tem uma lingerie no banheiro. É tudo o que você vai usar enquanto estive aqui e eu sugiro que me obedeça. Você me conhece bem e sabe o que eu vou fazer se não me obedecer. - Sem dizer mais nada, Roman bateu a porta do quarto e a trancou. *** Lylah odiava tempestades. Eram furiosas, um grito da natureza revoltada e dispostas a causar tragédias. Ela só queria continuar enrolada nas cobertas, presa em seus sonhos felizes e não encarar a sua vida de merda. Era tão solitária, tão escondida em seu trabalho, que a única que lhe entendia era a sua irmã. Dominick dividia com Lylah o sangue e a dor das escolhas no passado. - Nick... Lylah murmurou, se mexendo na cama. De repente, seu coração deu um salto com as lembranças da noite passada ressurgindo a sua mente. Dylan e Simon acharam ela. Eles pegaram ela. Com muito esforço, Lylah abriu os olhos, sabendo que não estava sozinha. Ela tentou focar em um ponto, procurando descobrir onde estava. Os raios iluminavam o quarto, fazendo-a estremecer. Uma figura estava na janela, outra pendurada, se exercitando, em uma barra fixa na porta do que parecia ser o banheiro. Foi a tatuagem nas costas, seguindo a linha da coluna, que o identificou: o salmo 144. "Bendito seja o Senhor, a minha rocha, que treina minhas mãos para a guerra e meus dedos para a batalha". - Simon... -Você acordou. - Disse uma outra voz. Simon desceu da Barra e te olhou, mas foi Dylan, quem estava na janela, quem chamou a sua atenção. - Finalmente acordou. Achei que a dose de clorofórmio foi bem maior do que pensávamos ter usado. - Quando ele disse isso, um raio rompeu o céu com força, a luz pode iluminar metade do rosto dele e mostrou os olhos azuis claros que ele tinha. - Deveria comer, aposto que está com fome. - Ele apontou para a bandeja do lado. - Seus Donuts favoritos. Cobertura de morango com granulados coloridos. Ainda são esses, não é? Simon riu baixo da porta. - Um gosto não muda em oito anos. Quando gostamos de algo, é para a vida inteira. Lylah olhou ao redor, já sabendo que não haveria uma saída. Conhecia aquele quarto até bem demais. - Cadê a Nick? - Perguntou, tentando se levantar, mas a de cabeça a impedia de fazer qualquer movimento brusco. - Já sei o que vão dizer. Ela está com o Rodriguez, não é? - Lylah riu baixo, xingando. Ela olhou a bandeja e empurrou, negando. Não comeria nada que viesse deles. - Eu odeio esses donuts. - Mentiu. Esperava que eles não ouvissem seu estômago roncar. - Os espertinhos não acharam que eu podia mentir meus gostos? Porque, adivinhem?! Eu também nunca gostei de vocês. Mesmo a distância, os dois homens trocaram olhares. Simon suspirou, sem se importar de estar desnudo na parte superior de seu corpo, se aproximou da cama. - Não adianta bancar a corajosa conosco, por mais que você tenha mentido quem era antes, conhecemos você muito bem, Lylah. Sabemos como você se derrete quando está em nossas mãos. - A frase saiu sem querer da boca de Simon, que soltou um suspiro em seguida. Todas as lembranças vieram a sua mente, mas ele precisava se controlar. Lylah Michaels era a sua inimiga, a mulher que o jogou em uma jaula como um animal. Ele a olhou, com desprezo. - Tudo o que preparamos para você, como castigo pela sua traição, te fará refletir em tudo o que nos fez. - Oito anos. Oito longos anos... - Falou Dylan, se aproximando pelo outro lado da cama. - Tem ideia de quanto eu e Simon contamos os dias para estar aqui com você, Lyl? O quanto queríamos estar aqui, te fazendo pagar por tudo? Me diga, como se sente agora que está em nossas mãos novamente? Dos dois, Dylan sempre foi o mais perigoso. Nas ações e na cama, principalmente. Ele havia ficado mais forte e perdeu o sorriso bobo de menino que ela tanto amou. Ela tentou se afastar, mas sabia que não tinha para onde correr. - Podem fazer o que quiserem comigo. Eu não vou ceder a nada, eu não vou ser mais aquela i****a que vocês manipulavam nessa cama. - Lylah olhou de Dylan para Simon, depois para a bandeja. Foi um impulso, mas ela tinha que se mostrar forte. Ela pegou a bandeja e jogou em cima de Dylan, tentando correr para alcançar a porta de saída. Os dois homens apenas a observaram correr, pois sabiam que a porta estava trancada. Eles eram os únicos que tinham acesso ao lugar, então, não tinham o que temer. Lylah tentou abrir a porta, mas não conseguiu. Ela se virou para eles e Dylan deu passos na direção dela. - Você ainda não entendeu que quem sempre esteve no controle fomos nós? Você pode ter o cargo que conquistou em cima de nós, pode ter tido quantos homens quisesse em sua cama, mas sempre vai ser a culpada por todo sofrimento que causou em nós. - Ele se aproximou mais dela. - E o que vai fazer, Lyl? O que acha que deveria fazer conosco? - Ele avançou e a segurou presa na porta. - Você sabia que viriamos atrás de Você, que mais cedo ou mais tarde, todo nosso passado viria à tona. Lylah ficou ofegante, não pelo esforço, e sim, pelo medo. Ela podia enxergar todo o ódio refletido nos olhos azuis de Dylan. Nunca em sua vida, imaginaria ele assim. - Me solta, seu i****a. Me solta. - Lylah tentou empurrá-lo, seus olhos se enchendo de lágrimas. Quanto mais ele a apertava contra a porta, mais Lylah se sentia sufocada. Ou pelas lágrimas que começaram a cair ou pela culpa de ter transformado Dylan em um monstro. - Dylan, eu não consigo respirar! Era como se algo cegasse Dylan. Ele não conseguia se mexer e ainda apertava mais Lylah contra a porta. -Você vai pagar por tudo o que fez, Lylah... Você nos trancafiou em uma cela escura, fria... Quando damos todo o nosso amor... Se você quisesse o mundo, nós teríamos dado a você... -Dylan... A voz de Simon ao fundo foi um pouco baixa, mas preocupada, mas mesmo assim, Dylan continuou a pressioná-la. - Você precisa pagar... Precisa pagar por tudo... -Ambrose!! E assim, Dylan olhou para trás. Suas pupilas estavam dilatadas, mas ao ouvir a voz firme de Simon, ele pareceu acordar de seus pensamentos. Olhou para Lylah, que parecia não conseguir respirar. Ela abaixou até chegar ao chão, sentando e ficando ali. Dylan deu passos para trás, assim, Simon pode ir até Lylah e pegá-la nos braços, levando até a cama. - Respira, Lylah... Respira... Lylah estava tremendo e chorando. Meu Deus, o que ela tinha feito? O que ela causou na vida de Dylan? A voz de Simon começou a fazer algum sentido na cabeça dela e isso a fez se acalmar. - Estou bem. - Ela conseguiu falar, olhando nos olhos de Simon. Dava para perceber a preocupação dele, não só com ela, mas com sua outra metade. Lylah se virou para Dylan, afastado e em volta as sombras do quarto. - O que aconteceu com você? - Perguntou, chorosa. - Merda, você ficou louco. Dylan apenas a olhou deitada. Ele queria explodir, mas não podia. A raiva que sentia dentro de si era grande, mas ele precisava se controlar. - Agradeço a você por isso. - E em passos rápidos e largos, ele usou uma chave para destrancar a porta e sair, batendo-a com tudo. Simon olhou toda a cena e voltou a olhar para a mulher. -Parece que ele não é o único a desenvolver algo, não é mesmo? - Falou ele, sério. Assim, pôs-se de pé do lado da cama. - Se eu fosse você, não tentaria nada, Lylah... Para o seu próprio e para o bem da sua irmã. - Ele rumou para a porta, abriu e sem se virar, apenas disse. - Tome um banho, lá dentro terá uma lingerie muito especial. Virei aqui depois. Reflita sobre tudo. - E assim, saiu, trancando a porta. Lylah apenas agarrou o travesseiro, se encolhendo na cama. Um trovão soou balançando as janelas e ela escondeu o rosto, se entregando ao choro. *** Depois de assistir o vídeo enviado novamente pelos três homens que procurava há semanas, Anthony Voight encaminhou-se para o departamento sob muito estresse. Eles as tinham pego... E tinham razão, Anthony falhou. Falhou em proteger as duas, falhou em tudo. Agora, os fantasmas iriam assombrá-lo de todas as formas. Ao chegar no departamento, ele colocou todo mundo no caso das suas tenentes sequestradas, mostrou o vídeo a todos para procurar detalhes, que sim, foram encontrados. Anthony fez questão de ir a todos os cantos com seu grupo, mas nada o ajudava, nem mesmo ao identificar o lugar de onde o vídeo tinha sido gravado. A rua era deserta e o celular era descartável, sem qualquer identificação. O dia foi se passando e ele ficando cada vez mais irritado, sem notícias, sem qualquer coisa sobre as garotas. Ele temeu muito o que foi dito: "elas iriam saber quem ele era". Anthony levou anos para poder limpar qualquer vestígio de seu passado e tudo poderia estar prestes a explodir. Na sala de reuniões, sua equipe inteira estava ali, fazendo perguntas que até mesmo o irritavam. - Eu já falei que não faço a mínima ideia de como eles entraram. - falou Anthony, irritado. Respirou fundo e voltou a se virar para o grupo. - Eu era o único que tinha a chave, elas não tinham nenhuma cópia. Impossível qualquer tipo de conspiração contra Lylah e Dominick Michaels. A equipe tinha medo do humor que o secretário de segurança apresentava desde de manhã. Eles se entreolharam, tentando ver quem tinha coragem para sugerir algo ao chefe. Só um dos oficiais levantou a mão. - Chefe, talvez, devêssemos dar uma prensa no tal advogado. - Jason Shipman deu um passo à frente, uma das mãos no bolso da calça. - Pelos registros do presídio ele era o único que os visitava. Se alguém os ajudou, com certeza foi ele. Anthony parou e olhou para o homem. Jason era um dos grandes investigadores que ele tinha, junto de Lylah e Dominick, era outro de sua confiança. - Heyman tem o mundo protegendo ele, se dermos um espirro do seu lado, teremos um grande processo em mãos e é algo que não queremos no momento. - Falou Anthony, olhando o oficial. - Podemos tentar, mas será em vão. Aquele homem é ótimo de lábia, consegue convencer você a assumir um erro dele. Jason suspirou e passou a mão na cabeça, esfregando a careca. - Isso o senhor tem razão. - Comentou, vendo alguns de seus companheiros acenando em concordância. - Ele me deixa tonto de tanto que fala. Outro policial levantou a mão. - Senhor, e a Mansão? Foi a única propriedade que não conseguimos confiscar na época. E era o que Anthony mais queria. Ter aquela mansão em sua posse. - Eu acho que eles eram espertos demais para ir a um lugar que seria o primeiro a ser investigado. Mesmo com as restrições, eu mandei uma equipe às escondidas ver a mansão, mas não havia nada lá. Os tais donos que Heyman insiste em não falar quem são, nem sonham que entramos lá ou teríamos outro processo em nossas costas. - Ele respirou fundo, cansado. - Eu preciso descansar um pouco, a minha cabeça está fritando com esse assunto. Então, eu vou deixar nas mãos dos senhores e ir para a minha sala. Qualquer novidade, podem me procurar. -E saiu do lugar, rumando para a sua sala. Ele estava exausto de tudo. Não conseguia comer, estava de pé apenas à base de café. Se jogou na sua cadeira, com as mãos nas têmporas. Queria uma solução para encontrar as meninas antes que fosse tarde demais. A porta se abriu e Jason Shipman entrou por ela, não sem antes dar uma olhadinha em seus outros companheiros. Fechou a porta e passou a chave. Ele sabia que era um dos homens de confiança do secretário, se não o maior. Se havia algo que Anthony Voight precisasse em particular, era para Jason que ele pediria. Ele ficou no canto, esperando pelo aceno do chefe. - Me perdoe por perguntar, mas... - Jason começou, assim que Anthony lhe deu permissão. - Acha que eles tem alguma informação que possam usar contra o senhor? As tenentes, elas não sabem de nada, não é? Era nisso que ele estava pensando no momento. Respirando fundo de cansaço, ele pegou o celular. - Até o momento, eu espero que não. - Mexeu no aparelho, colocando no vídeo. - Eu precisei editar para mostrar a equipe, mas há mais coisa que aqueles idiotas falaram. Apenas assista. - E empurrou o celular para Jason. Jason pegou o aparelho e assistiu o vídeo que já lhe era familiar, exceto pela ameaça no final. Ele respirou fundo quando acabou e devolveu o celular ao chefe. - Eles devem ter alguma, senhor. Alguma prova. O que vamos fazer se Rodriguez, Ambrose e López contarem a Lylah e Dominick Michaels que o senhor... Bom, o senhor sabe o que estou dizendo. Devagar, Anthony levantou e andou por sua sala, indo até a janela. - Levamos muito tempo para poder esconder tudo, reconstruir tudo o que temos e esses três novamente estão lá fora, prestes a acabar com tudo isso. - Ele voltou a olhar Jason. - Mande aqueles seus amigos de volta à mansão escondido e investigar de novo. Eu não quero que isso seja exposto e é melhor fazermos tudo escondido de todos. Precisamos agir antes que seja tarde. - Como o senhor deseja, chefe. Jason baixou os olhos, foi fiel ao secretário e se preparou para sair da sala. ***
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