Júlia Narrando A conversa com a tia Nina foi tranquila, dentro do possível. Consegui falar um pouco da minha vida, mesmo que entre pausas, soluços e aquele nó entalado na garganta. Tentei não tocar muito no assunto do restaurante, porque tava tudo muito recente, latejando dentro de mim como um machucado m*l fechado. Era como se, mesmo numa casa enorme, com espaço de sobra, as paredes estivessem apertando, o teto baixando... e o ar sumindo. Na minha mente, entre uma lembrança e outra, apareceu o grandão. Aquele homem estranho, com cara de poucos amigos, que eu ainda nem sei o nome, mas a tia chama ele de Ferradura. Só de lembrar o olhar dele, a forma como ele me olhou lá na entrada, me deu uma coisa estranha no peito. Medo? Não. Era outra coisa. Era tipo uma presença. Ele era bruto, mas

