Rocco Narcici Eu ando de um lado para o outro do escritório como um animal enjaulado. Cinco passos até a janela. Viro. Mais cinco até a mesa. Viro de novo. Já perdi a conta de quantas voltas dei nesse espaço desde que aquele e-mail chegou. O corpo inteiro está em estado de alerta, como se algo estivesse prestes a explodir e, talvez esteja. Sinto a têmpora pulsar com força, o sangue quente correndo rápido demais pelas veias. Os meus dedos tremem. Não é frio. Não é cansaço. É nervo puro. Ansiedade inquietante. Nunca, em toda a minha vida, algo me deixou assim. Nunca. Encosto as mãos na mesa, inclino o corpo para frente e encaro o laptop aberto, como se as palavras pudessem saltar da tela sozinhas e virar outra coisa. Uma piada. Um erro grotesco. Um delírio. Esse e-mail só pode ser

