Rocco Narcici Estou sentado na recepção do consultório quando a porta se fecha atrás da Cassie. O som é baixo, quase imperceptível, mas para mim soa como um marco. Um limite atravessado. Uma porta que se fecha para que outra, invisível ainda, comece a se abrir. Olho para o relógio no pulso. Uma hora. Uma hora que pode mudar muita coisa dentro dela. Cruzo as mãos, apoio os cotovelos nas pernas e respiro fundo. O ambiente é silencioso, calmo demais para o turbilhão que existe na minha cabeça. Poltronas claras, paredes neutras, plantas bem cuidadas. Tudo aqui foi pensado para transmitir segurança. Mesmo assim, sei que para a Cassie nada disso apaga o medo inicial. Nesses últimos dias, fiz questão de estar presente em tudo. Em cada conversa, em cada silêncio. Percebi o nervosismo dela, a

