Oliver desce as escadas já de roupa limpa, o cabelo ainda levemente úmido, a camisa simples demais para alguém que passou o dia inteiro comandando salas de trauma. A casa parece diferente agora menos pesada. Há luz na cozinha, cheiro de comida quente, barulhos pequenos que não exigem nada dele além de presença. Clarice está terminando de arrumar a mesa. — Espero que esteja com fome — diz, sem virar de imediato. — Não é nada elaborado. — Depois do dia que eu tive, qualquer coisa quente já é um presente — ele responde. Ela sorri de leve e se vira para ele. É um sorriso tranquilo, sem expectativa escondida, sem tensão. Aquilo o surpreende mais do que o beijo de antes. Eles se sentam. A conversa começa simples. O dia dela. O dia dele filtrado, sem detalhes técnicos demais. Ele fala de um

