THALES -MUDANÇAS

726 Palavras
Depois que o Falcão ficou falando pra gente dar um role no asfalto, eu acabei aceitando. Ele não ia parar de encher o saco até eu aceitar. Subi pra casa, deixei a Hornet na garagem e entrei em casa. Como sempre, a casa estava fria e gelada, é o preço que se paga por não confiar em ninguém. Nunca coloquei nenhuma mulher dentro de casa, somente a senhora que vinha fazer faxina 1x na semana. Fui para o meu quarto, tirei a roupa e paguei uma ducha gelada. E mesmo com o choque da água gelada, eu sentia meu coração acelerado, minha cabeça perdida em algum lugar e eu sem entender nada. Falei com nosso informante do batalhão – não havia planos de invasão na favela. E mesmo assim, eu sentia um desespero, um frio na espinha, como se algo fosse acontecer. Deitei na cama, sem roupa mesmo e tentei fechar os olhos e o sono não vinha. Desisti e fui me arrumar para o pião do asfalto. Peguei uma calça jeans preto, uma regata branca – afinal, eu treino e tenho tatuagens e eu gosto de exibir. Coloquei o meu cordão de ouro, escrito meu vulgo. A Glock foi para a cintura, junto com o radinho e o celular. Por volta das 19h00 passei na goma do Falcão de carro e ele entrou. Vamos no meu carro, a placa é fria e não teremos perigo com a polícia. Chegamos no asfalto, fomos até um bairro de alto padrão, mas nada me deixava confortável. Então, depois de algum tempo rodando, decidimos voltar para o morro. Quando estava na pista, o Falcão gritou cuidado e automaticamente, pisei no freio. Quando olhei pelo vidro, eram duas meninas. Uma moça carregava a outra, que estava sangrando, fui quando eu ouvi uns disparos e no canteiro alguns homens atirando... Imediatamente eu e o Falcão, sacamos a glock e atiramos de volta, até que eles recuaram pela mata. -VOCÊS QUEREM MOR3R? TÃO MALUCA DE ATRAVESSAR ASSIM – Eu estava possesso de raiva. -Por favor, minha irmã está ferida. Precisamos de ajuda. Quando a menina falou isso, nos olhos se cruzaram e naquele momento, senti que o vazio no meu peito foi preenchido, que o meu coração se acalmou e a minha cabeça parou de vagar. O Falcão correu e falou que precisávamos ir para o postinho, que a menina havia sido baleada. No automático, falei para todo mundo entrar e seguimos para o postinho do Morro. Quando passamos na contenção, gritei no radinho que precisava de atendimento. Ao chegar, o Falcão já entrou com a menina e eu desci com outra. A menina que estava baleada entrou para a emergência, foi quando eu vi a irmã dela sentando-se na cadeira e percebi que era iria desmaiar. Gritei por ajuda e na mesma hora, uma enfermeira veio pegar ela e levar para um quarto. -Os sinais dela estão bons. Acredito que foi o desmaio foi por conta do estresse. Deixa-a descansar. – A enfermeira disse, saindo do quarto. Conferi que a menina dormia e sai do quarto. Bati na porta do quarto, onde estava Falcão e ele saiu. -Mano, não sei o que aconteceu com essas meninas – Falcão encostou na parede, pensativo. -Que bagulho sinistro. Fica com a menor no quarto que vou levar a outra para casa, jaé? Não fala com ninguém – Eu já estava decidido. Eu precisava entender o que acontecia. Depois de resolver com o Falcão, voltei para o quarto e a mesma estava acordando. - On-onde estou? Cadê mi-minha irmã? – A menina perguntava confusa. - Calma ai mina, eu sou Cobra. Qual seu nome? Sua irmã está no outro quarto. – Respondi, sentando na cadeira ao lado da cama. -Eu quero ver ela. AGORA! – Ela retrucou com raiva. Antes de começar a gritar e criar uma situação, ajudei ela a se levantar e fomos até o outro quarto. Encontrei Falcão no corredor e o mesmo avisou: - A pequena acordou. Quer ver a irmã dela. – Falcão disse, indicando onde era o quarto. Quando entramos no quarto, as duas se abraçaram e ali eu pude ver, aquilo era lealdade. Elas sussurraram algo, mas não conseguimos entender. Eu precisa resolver aquilo e rápido. Do nada, eu avisei no quarto que o Falcão ficaria no hospital com a menor e eu levaria a outra pra casa.
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