AURORA
Vou me tornar uma folha em branco, sem passado e sem futuro, e então talvez eu possa aprender mahjong e então envelhecer e envelhecer. posso me tornar o que eu quiser agora com 18 anos, Legalmente responsável pela minha própria b***a eu posso ser livre como uma ave. Livre e pronta para me vingar pelos 18 anos que fui presa.
Como elas sempre despertam bem tarde, acordei ainda mais cedo que o normal apesar de não ter qualquer necessidade, primeiro arrumei as únicas coisas que eu tinha em duas mochilas, peguei meu dinheiro e preparei a vingança cuidadosamente para que nada desse errado, afinal estive planejando ela por dois anos. Sai de casa o mais rápido possível e fui direto para meu 2º emprego, rezando para que meu chefe não tenha dado a louca por ontem, vai saber, ele é meio doido apesar de ser boa gente.
—Aurora, aqui seu pagamento— diz e me entrega um envelope gordinho que eu abraço como se fosse um filho. Sorri toda boba com o envelope em mãos, tem coisa melhor? nada chega aos pés de meu amado dinheirinho no fim do mês!. — Ontem vieram procurar você e hoje também, um homem chamado Christopher, o aniversariante de ontem.— Informa com aquele olhar de ' o que você fez errado agora Aurora? '
.—Ok! Obrigado a propósito eu me demito.!— Sorri docemente ao me demitir antes de virar e simplesmente sair da sala dele. Agora que não preciso sustentar três pessoas, não preciso de dois empregos. Talvez eu possa aprender algo neste meu tempo livre, algo como tocar violino ou quem sabe aprender a voar.
Assim que saí senti o vento gelado batendo contra minha pele e fazendo meu cabelo todo voar no meu rosto atrapalhando minha visão, xinguei enquanto cuspia os fios de cabelo que entraram em minha boca tirando as mechas coloridas que caiam sobre meu rosto apenas para dar de cara com ele, o homem que não saiu de minha cabeça por horas e que importunou meu sonho onde planejava me imaginar como um gavião voando livre pelo céu.
Ele exibiu um lindo sorriso mostrando seus dentes perfeitamente alinhados e cozinhas profundas, ele usava um terno diferente dessa vez mas que ainda tinha um caimento perfeito em seu corpo grande que parecia maior agora o observando um pouco mais perto, ele deu alguns passos em minha direção o que fez ele parecer maior e mais assustador então dei um passo na direção oposta ignorando qualquer sentimento que me inclinasse a fazer algo diferente.
Sua boca se abriu para dizer algo porém um grito ecoou pela rua e eu soube exatamente quem era mesmo sem olhar ,Aurélia e Tatiana estavam do outro lado da rua e o mais engraçado nelas eram os cabelos em poucos tufos, enquanto Aurélia exibia um cabelo azul lindo, Tatiana estava careca e com cinco pequenas mechas de cabelo em sua cabeça imitando o cabelo do cebolinha.
Sorri maldosa, uma vez me imaginei como uma vilã de novela mexicana, e foi tão divertido que agora que sou uma pagina em branco quis tentar mais uma vez. Eu não conseguiria machucá-las, meu coração não me permitiria, simplesmente não.
Dando alguns passos na direção do loiro, eu o puxei para se esconder atrás de um carro enquanto o obrigava a se abaixar para poder tapar sua boca, observando elas entrarem no salão e logo gritos finos e histéricos foram ouvidos vindo de dentro, elas estavam armando um verdadeiro barraco.
Faço um sinal de silêncio para o Loiro e tiro minha mão da boca antes de me afastar dele e começar a andar para longe dos gritos.
—Espera!. —A voz rouca do gigante me causou um arrepio ao ouvi-la pela primeira vez, o que me fez engolir em seco sentindo meu corpo tremer simplesmente por escutar sua voz.
—Desculpa loirinho— Murmurei. — mas preciso ir.— Sorri me virando, porém ele segurou meu pulso e me puxou contra si.
—Não fuja de mim. — Antes de eu respondê-lo Aurélia entrou em meu campo de visão junto aquela que achei ser minha mãe vindo em minha direção. Nunca fui boa em fugir, mesmo quando tinha a vantagem, suponho que não deva tentar reescrever minha história sendo um ladrão ou algo assim.
—Aurora você vai me pagar!. —Gritou Aurélia correndo em nossa direção como um foguete azul, porém em um minuto o loiro segurou sua mão que estava esticada em minha direção e eu escutei um c***k! Ele simplesmente havia quebrado sua mão o que me fez dar um passo para trás, Aurélia ao meu ver era simplesmente uma criança criada por uma mulher louca e ainda que ela merecesse, meu coração se apertou.
Não pude repreendê-lo pois em seguida eu estava contra o carro após algo ir contra minha cabeça.
—Aurora!.— Senti todo meu mundo vibrar e quase perdi a força em minhas pernas enquanto o loiro vinha em minha direção, me virei apesar de já saber quem tinha me acertado, Tatiane tinha um olhar arrependido enquanto apertava um tijolo em suas mãos.
Já não basta tudo o que ela me fez?
Senti aquela raiva que vinha guardando a anos fazendo meu corpo ferver e quando percebi estava avançando sobre ela em uma briga sem jeito enquanto minha mão envolvia seus tufos de cabelo.
'O que eu te fiz?'
Certamente não poderei me imaginar como a Cinderela, duvido muito que ela faria algo tão violento quanto atacar sua madrasta malvada.
Ficamos rolando no chão até que acertei uma cotovelada e ela gemeu de dor ainda deitada.
Levantei mas me arrependi sentindo uma tontura inexplicável, junto a uma dor aguda que atingiu minha espinha. Arfei com a dor e foquei meus olhos em seu rosto já arranhado e manchado pela cotovelada forte, sorri cambaleando enquanto o brutamontes vinha em minha direção. Senti suas mãos rodearam meu corpo impedindo-me de cair enquanto minha cabeça apitava pela dor, sua boca se mexia porém eu não conseguia ouvir nada além de uma voz ao longe sussurrando para toda minha alma.
—Você está pronta?