Capítulo Dezesseis

1660 Palavras
Dizer que os dias que se passavam estavam sendo facies para Lia seria hipocrisia, ela sentia falta do marido em cada parte do dia, estava sendo difícil lidar com a dor do fim do casamento, não sentia vontade de comer, de dormir, de sair de casa e nem tinha forças para falar com ninguém, queria se isolar do mundo, sem ver ninguém e não precisar ouvir que aquilo ia passar, que o tempo iria curar a dor que estava sentindo agora, ela não queria aquelas frases feitas que sempre dizem quando alguém está sofrendo de amor. No entanto, todo aquele afastamento e isolamento que ela mantinha dos amigos, dos pais, os deixavam preocupados principalmente com os pais que viam a filha definhar a cada dia e era difícil lidar com a situação. Eles entendiam os dois lados e apoiavam a filha, mas não poderiam negar que era difícil a cada vez que o ex genro ligava querendo saber como Lia estava e eles tinham que mentir, porque era nítido o quanto os dois estavam sofrendo, sobretudo quando a separação veio como uma grande surpresa para todos. Marina bateu no quarto da filha mais uma vez e assim que entrou a cena se repetia como em todos os outros dias, Lia encolhida na cama, com o olhar vago, para quem via era como se ela estivessem estado de choque e não conseguia reagir, mas Marina conhecia a filha muito bem para saber o quanto Lia deveria estar sangrando por dentro. Marina: Filha, você precisa comer alguma coisa, desse jeito vai acabar parando no hospital. Lia: Estou sem fome. Respondeu ainda sem se mexer na cama. Marina: Eu entendo que esteja sem vontade de comer, mas precisar pelo menos tentar comer alguma coisa. Lia: Eu não quero, mãe. Marina suspirou sabendo que não resolveria, a filha tinha puxado a teimosia do pai. Marina deixou a filha sozinha e assim que saiu do quarto da filho viu o marido chegar. Otávio: Conseguiu fazê-la comer? Marina: Não, continua do mesmo jeito. Não quer comer, e percebi que hoje ela não levantou da cama nem para tomar banho. Otávio suspirou. Otávio: Se ela continuar assim é capaz de entrar em uma depressão. Marina, se ela não reagir, eu não vou mais mentir para os amigos e para o Lucca. Eu sei que eles se separaram, mas talvez ele a faça reagir. Marina: Não sei se isso seria bom. Ela esta muito magoada. Talvez piore tudo se contarmos. Otávio: Do jeito que ela esta vai acabar parando no hospital aí não teremos como esconder e mentir. Marina: Eu sei, estou preocupada e com medo dela piorar, mas vamos dar mais uns dias, as vezes ela só precisa de um tempo para sentir a dor. Afinal de contas, foram dez anos, ele foi o primeiro amo dela, deve estar sendo muito difícil para ela ainda mais que foi ela quem tomou a decisão da separação. Otávio: As vezes tenho de matar o Lucca, mas percebo o quanto ele esta sofrendo a cada ligação que ele faz para cá. Marina: Os dois estão sofrendo muito. Como era de esperar os dias se passaram e Lia parecia mergulhar ainda mais na tristeza, para ela era como não conseguir reagir ou levantar, seguir uma vida onde Lucca não estaria, recomeçar sem saber de onde. Todos os sonhos, a vida que ela tinha planejado, desejado, tinha naufragado. Era só mais um dia como outro qualquer quando Marina ouvir a campainha tocar, e a surpresa foi grande ao ver Maria ali, na porta de sua casa. Marina: Maria, querida, quanto tempo. Maria a abraçou sorrindo. Maria: Saudades de vocês. Marina: Muito bom te ver, entre. Disse dando passagem para Maria entrar. Maria: Vim ver como a Lia está. Marina: Estou rezando para que a sua visita a ajude, ela não reage. Maria: Eu sabia que estava sendo difícil, mas não pensei que a Lia se entregaria dessa forma. Marina: Eu e o Otávio não sabemos mais o que fazer, pensamos que ela ia melhorar com o tempo, mas é como se ela simplesmente desistido de viver. Maria: Posso ir lá? Disse apontando para o quarto da amiga. Marina: Claro, fique a vontade essa casa também é sua, desde de menina você e a Lia brincavam aqui nessa sala. E tomara que você consiga a fazer sair daquele quarto. Ela só está comendo agora porque o pai praticamente precisou enfiar a comida na boca dela nos últimos dias. Maria caminhou até o quarto da amiga e viu a cena que Marina estava acostumada a ver todos os dias. Maria: Lia... Disse baixinhos ao ver o estado da amiga. Lia: Maria? O que faz aqui? Maria: Vim te ver, saber como esta. Lia: Como acha que estou? Disse rude. Maria: Eu sei que deve estar sendo difícil, mas não precisa me tratar m*l, só quero te ajudar. Lia: Eu sei, me desculpe. Maria: Quer desabafar? Lia: Para falar a verdade, não. Só queria que o tempo parasse, ou que a vida passassem como um filme mudo. Lia: Então tudo bem, eu vou deitar nessa cama e te fazer companhia, se quer ficar em silencio eu vou respeitar, mas não vou te deixar sozinha. Disse se deitando na cama, ficando de frente para Lia, as duas ficaram assim por um bom tempo, um total silencio, até Lia quebrá-lo. Lia: Não sei lidar com isso, pensei que não fosse doer tanto, eu sabia que não dava mais tinha pensado muito antes de tomar uma decisão, mas agora esta pior, dói de uma forma que nunca pensei que fosse doer. Me sinto sufocada, constante sufocada, as vezes olhos para o telefone e penso em ligar, dizer que ainda o amo, que quero voltar para casa, pedir que ele venha me buscar ou simplesmente pegar minhas coisas e voltar, mas não posso fazer isso comigo, não posso mais viver daquela forma. Maria: Lia, é normal se sentir assim , vocês tem uma história de dez anos, ele foi seu primeiro amor, seu primeiro namorado, primeiro homem, e o amor não acabou, vocês não se separaram porque deixaram de se amar, o que é muito mais difícil. Você só não pode se entregar dessa forma, eu sei que esta doendo e você não esta sabendo lidar com a dor, eu mesma não sei como estaria se fosse comigo, mas você precisa encontrar alguma coisa que te faça seguir em frente, que não te deixe desistir, você tomou essa decisão porque um dos motivos era seu sonho de ser mãe, vai desistir ? Lia: Eu sonhei isso com ele, eu queria um filho dele. Queria uma família com ele. Disse deixando o choro vir mais uma vez. Maria: Eu sei, eu te entendo, eu mais do que ninguém te entendo, também queria um filho do Eric, mas as vezes acontece coisas na vida que precisamos saber lidar com elas, os obstáculos que precisamos vencer, coisas que parecem injustas e que as vezes nos ajudam a nos tornar mais fortes, as vezes não foi o momento de vocês terem um filho, ou as vezes vocês ainda podem ter, não sabemos o futuro e mesmo que isso pareça impossível agora você pode se apaixonar novamente e construir a família que sempre sonhou. Lia: Não vejo como opção me apaixonar por alguém, eu amo aquele homem há dez anos, e todos os dias sinto como esse sentimento só crescesse, não me vejo com outra pessoa. Maria: Eu também não me via tendo que escolher um doador de sêmen, principalmente fazer isso com meu marido, mas existem coisas que estão acima de nós. Talvez você só precisa de algo que a motive a reagir e lidar com o que esta sentindo. A vida segue, Li. Doendo ou não, ela segue e não te espera superar, machucados ou não ela vai continuar seguindo tanto para você quanto para ele. Lia: Acha que ele esta seguindo? Perguntou sem conseguir se controlar. Maria: Tem certeza que quer saber? Lia: Por que? Ele conheceu alguém? Perguntou sentindo um nó na garganta,não sabia se estaria preparada para a resposta. Maria: É claro que não, Lia. Sei que ele cometeu muitos erros, mas não o vejo saindo com ninguém, só perguntei porque poderia te fazer m*l saber como ele esta. Lia: Eu..só.. Maria: Tudo bem, Lia. Ele está sofrendo tanto quanto você, não dorme direito, não come direito, e tem bebido demais, O Eric me disse que ele bebe todos os dias até apagar e muitas vezes foi trabalhar de ressaca, agora ele esta na casa dos pais, Eric e Paulo tiverem uma conversa com ele e agora ele está na casa dos pais. Lia: Eu não sabia que ele estava assim. Disse sentida - Os pais dele devem me odiar. Maria: Eles não te odeiam, assim como seus pais não odeiam o Lucca, só estão tristes por vocês. Rita até te mandou aquelas trunfas que ela faz e que você adora, estão na minha bolsa. Lia: Agradeça a ela por mim. Ela sabe como me agradar. Maria sorriu de leve. - Ela deve ter brigado muito com ele, pela bebedeira. Maria: Na verdade, ele decidiu ir para casa dos pais... Lia: Mas da casa deles para a delegacia é mias longe. Disse tentando entender a mudança e Maria exitou ao responder. Maria: Estava difícil para ele ficar na casa onde moravam, ele disse que tudo lembra você. Lia: Ah...entendo...Disse sentindo o coração ficar ainda mais apertado. Maria: Acho melhor mudarmos de assunto. Disse ao perceber como Lia ficou. Lia: Tem razão, como anda a escolha do doador? Perguntou mudando o assunto. Maria: Eu converso com você sobre isso, depois que a gente fizer uma pausa para o lanche, se não além de não contar nada não entrego as trunfas. Lia: Tudo bem. Disse vencida e Maria sorriu estava conseguindo animar um pouco a amiga e Marina respirou aliviada por ver que a visita de Maria estava ajudando a filha.
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