Capítulo Dois — Rubens Martins

2353 Palavras
A lanchonete da dona Matilde já virou ponto de referência para fazermos nossas refeições, desde que entrei na corporação que os meus colegas me apresentaram a mesma, eles a adoram e ela não mede esforços para aguardar a todos, sem contar que as suas funcionárias também nos tratam com o mesmo respeito, não com o mesmo carinho que ela, porém com a mesma atenção. Confesso que não sou de prestar atenção em nada que acontece ao meu redor, porém uma funcionária dela em especial me chamou atenção, a Mirela que segundo ela é uma flor de menina, ela não está errada, de certa forma a mesma nos atendeu muito bem, sempre com um belo sorriso no rosto, mas esquiva de mais, sempre que alguém tentava fazer uma pergunta o qual levasse para o cunho pessoal, a mesma se esquivava. Antes mesmo de entrar na corporação eu já era desconfiado, depois que me formei policial então o meu sensor de desconfiança está sempre aperto, não sei o que é, mas algo me diz que essa florzinha esconde algum segredo, aos poucos a mesma foi soltando algo aqui, outro ali. Claro! Eu estava sempre atento aos detalhes, a mesma acabou falando que morava no quartinho dos fundos da lanchonete, isto indica que a mesma não tem família por aqui, talvez até que esteja trabalhando para mandar o sustento para eles. A dona Matilde é como se fosse uma mãe para todos nós e eu não iria descansar até descobrir quem de fato é está garota e o porquê estou tão desconfiado referente as suas atitudes, talvez seja apenas implicância minha, porém não costumo descartar minhas suspeitas assim, uma hora a verdade irá aparecer se ela for suspeita alguma prova irá aparecer. Na minha noite folga fiz questão de ir até a lanchonete, ver como a mesma se comportava comigo sem a farda, uma coisa é certa existe determinados tipos de mulheres que fazem de tudo para está na cama de um policial, muitas dizem sentir t***o por nossa farda, não acredito nisso, a única coisa que as fazem sentir t***o são o nosso salário, elas sabem que se pegarem um b***a para o abate, ele pode colocar o mundo aos seus pés, mas comigo essa conversinha mole não funciona, desde que entrei para a polícia digamos que algumas mulheres que no passado não me queria nem pintado de ouro passaram a me querer, porém conheço o meu valor e as coloquei cada uma no seu devido lugar, não vou jamais ficar com uma mulher que só está interessada na posição que a minha profissão lhe oferece, uma mulher para ficar comigo precisa me amar além da minha farda. O seu comportamento na sexta a noite me deixou intrigado, a mesma fingiu que nunca tinha me visto, atendeu a minha mesa como se eu não tivesse estado ali na sexta de manhã, mas não posso reclamar o atendimento foi excelente, em momento nenhum a mesma reclamou ou fez cara feia, mesmo eu a testando de todas as maneiras. Sair da lanchonete mas tranquilo, por acreditar que as minhas suspeitas talvez não passassem de mera implicância, no fundo eu queria que fosse somente isso, não quero um dia ter que chegar aqui e dá a triste notícia que estamos levando a flor do jardim da mulher que nos acolhe tão bem, seria uma tristeza para a mesma, porque se longe se nota o carinho que ambas tem uma pela outra. No dia seguinte recebo uma ligação justamente da lanchonete da dona Matilde, a pessoa não se identificou, porém mesmo com a voz trêmula por conta do desespero, eu percebi que era a Mirela que estava ao telefone, pela sua voz a situação não estava nada boa. A situação da lanchonete quando chegamos parecia um cenário de guerra, tinha mesa e vidros quebrados para todo lado e uma gestante desesperada tentando conter o que na minha concepção deveria ser o maldito esposo, mesmo estando de fora da situação, consegui compreender que o mesmo queria a todo custo continuar batendo na funcionária da dona Matilde, que por uma benção divina não se encontrava no estabelecimento. Com muito custo conseguimos deter o agressor, a mulher estava a todo tempo pedindo para que ele mantivesse a calma que em breve tudo iria se resolver, gostaria de saber como o mesmo iria explicar as agressões no corpo da Mirela que estava bastante machucada, apesar disso insiti para que a mesma fosse até a delegacia prestar o boletim de ocorrência, fazer o exame de corpo de delito para que esse criminoso passasse um bom tempo na cadeia, mas a mesma não quis. O que fez mas uma vez com que o meu sensor da desconfiança ficasse em alerta, porque eu sendo a vítima de um crime assim, não pensaria duas vezes em denunciar o mesmo, não sei porque isso só me faz acreditar mais ainda que a mesma não vive nos fundos da lanchonete a toa, que ela está se escondendo de alguém ou de algo, mas como vou me aproximar para tentar descobrir isso, ela não vai simplesmente chegar e abrir a sua vida toda para mim, aliás com certeza ela irá ficar na defensiva o tempo inteiro. — Olha o estrago que aquele louco fez, meu Deus como eu vou conseguir pagar tudo isso sem trabalho? Porque com certeza a dona Matilde não vai me perdoar depois de uma dessas. Encaminhei o restante dos policiais que vieram comigo para da seguimento a denúncia na delegacia, eu fiquei com o pretexto de ajudar a Mirela a conversar com a dona do estabelecimento, mas na verdade eu quero que a mesma confie em mim. — Não se preocupe, vamos conversar com a dona Matilde, tenho certeza que a mesma jamais irá te demitir, muito menos vai querer descontar o prejuízo do seu salário completo, então fique tranquila, vamos resolver tudo isso, se você me der licença eu vou pessoalmente ligar para ela. Deixo a mesma próxima ao balcão, ligando para a dona Matilde, preciso dizer está informação com calma, não quero que além do prejuízo material, a mesma ainda sofra um ataque cardíaco. — Obrigada! Por está aqui me ajudando, você poderia muito bem ter ido embora com os seus amigos. Ela não precisa me agradecer, pelo o menos não agora, já que não sei se a mesma é uma pessoa do bem ainda ou não. Só espero que a mesma não seja uma golpista, pelo o menos a mesma não tem cara de ser uma ladra qualquer, se for está muito bem disfarçada. — Dona Matilde é o Martins, a senhora irá demorar a retornar para a lanchonete? É que tivemos uma ocorrência aqui e eu preciso da presença da senhora. A mesma diz que já está voltando, mas faz questão de me perguntar se a Mirela está bem, ainda me faz prometer que não estou mentindo para ela, que sua Mirela está em perfeito estado. Nesta parte confesso que omiti alguns detalhes, afinal a sua bela garçonete está bastante machucada e é bem teimosa por sinal, pois ela deveria ter ido ao hospital verificar se aquele maluco não quebrou nem um osso dela, acredito que se tivéssemos demorado mas alguns segundos, provavelmente a encontraríamos num estado deplorável, pois ele teria lhe espaçando até a morte no estado de fúria em que ele se encontrava, tanto que todos os policiais que vieram tiveram que ir conter o mesmo. — Pronto já falei com a mesma, ela está a caminho. Mas uma vez a Mirela me agradece, dizendo que não sabe o que seria dela, caso eu não tivesse aparecido, mas uma vez a lembro que a mesma não precisa me agradecer, porém ela não para de fazer isto, fico me perguntando porque a mesma acertou justamente no meu telefone? Será que foi coincidência ou a mesma planejou tudo? Não sei pode até ser paranóia da minha cabeça, mas dos oitos policiais que frequenta aqui, a mesma só encontrou o meu número de telefone? Não seria no mínimo estranho. Sigo para esperar a dona Matilde na fachada, quero preparar a mesma, antes que ela veja este estado de terror que o lugar que a mesma tanto ama está, aquele babaca quebrou todos os jarros que decorava as meses, fora as várias mesas e cadeiras que o mesmo quebrou. — Martins? O que aconteceu meu menino? Eu estava resolvendo uns problemas com o meu filho quando você me ligou, tive que pedir para o mesmo cancelar. A mesma está aflita, parece até que já sabe o que vai encontrar pela frente, com certeza algum vizinho já deve ter adiantado o que de fato aconteceu, por isso o desespero. — Calma dona Matilde, o prejuízo graças a Deus foram só com os bens materiais, tenho certeza que a senhora vai se reerguer logo, peço para que não se assuste pois o cenário está um pouco como eu posso lhe dizer diferente do qual a senhora estava acostumado a encontrar, o ambiente que antes era pura alegria agora está com um som de tristeza. Entro igual com a mesma no espaço, ela se desespera ao perceber que quase todas as mesas e cadeiras foram quebradas, os vasos da decoração só existem as plantas porque era artificial. — Minha nossa senhora, estamos sem cadeira e sem mesas, como iremos fazer para atender a demanda de todos, sem contar que não haverá lugar para se sentar, você e os seus amigos como faram para tomar o café da manhã sem um lugar na mesa preferida de vocês? Eu não diria a preferida, já que une duas meses, então não existe a possibilidade de dizer que temos uma preferida, porém as duas sempre precisava ser juntadas para poder acomodar todos mundo. — Por favor mantenha a calma, prometo que pago o prejuízo da lanchonete toda, quero avisar de antemão que a Mirela também não está em boas condições, mas graças a Deus está viva e precisando apenas de uma boa limpeza e um curativo para melhorar a aparência. Ela sorri dizendo que se eu estou falando que ela está bem é porque o seu rosto deve estar bastante machucado, já que costumo dizer como as pessoas estão ao contrário quando elas sofrem algum acidente, não é por querer mas sim pelo medo da reação que as pessoas terão caso veja como a outra está logo de cara. — Mirela filha? Pode sair detrás deste balcão, não se preocupe o Martins já me adiantou que você está machucada, então o meu coração já está preparado. Quando a mesma aparece com o canto da boca cortada e o rosto cheio de lágrimas, a dona Matilde corre ao seu encontro, ela lhe acolhe como uma verdadeira mãe faria, se senta igual com a mesma e praticamente lhe embala no colo, enquanto a mesma estava com medo dela lhe botar para fora, querer cobrar o prejuízo, ela estava lhe dando uma lição enquanto lhe abraçava dizendo que já estava tudo bem, que ela não precisava se preocupar. Mas a única coisa que não está claro aqui é como de fato se iniciou toda está confusão. — Agora que as coisas estão mas calmas, você pode nos explicar como de fato aconteceu toda está confusão? Porque estou acostumado a sempre atender ocorrências em que os maridos estão atacando suas esposas em lugares públicos, não que eles estão atacando as funcionárias. Mirela diz que pode e vai explicar tudo desde do começo, para que possamos entender o porquê disso tudo. — Os atendimentos estavam ocorrendo normais, vocês já tinha vindo pela manhã logo cedo e o decorrer do dia parecia tranquilo, até que entra este casal, logo de cara decidi ficar de olho nos mesmo, pois estranhei o fato de que a mesma só olhava para o chão, principalmente que ela só fazia o que o mesmo liberava através do balançar da cabeça, esse movimento deveria ser para que ninguém percebesse o que acontecia entre eles. Ela para um pouco para poder respirar, imagino que só agora a adrenalina deve estar passando. — Não precisa ter pressa, tenho certeza que a dona Matilde também tem todo o tempo do mundo para entender o que levou a essa destruição do seu estabelecimento. Não quero ofender a mesma lembrando do desastre que está ao nosso redor, porém não adianta ficar colocando panos quentes, afinal uma hora ou outra a mesma terá que enfrentar a realidade que está ao seu redor e infelizmente é uma nua e crua. — Então eu fui atender pessoalmente a mesa, o marido ofendeu a mesma na minha frente, disse que eu poderia trazer qualquer coisa para a inútil que se encontrava na minha frente, confesso que o meu sangue começou a esquentar neste exato momento, porém eu tinha que me controlar afinal o cliente tem sempre razão, mesmo que a gente não concorde com suas atitudes. Decidir que iria ignorar aquele ser ignorante, me abaixei perto da sua esposa que está gestante para lhe perguntar qual doce lhe chamou mas atenção da vitrine, que ela poderia pedir qualquer um que seria serviço em minutos por mim. Se ela ignorou a primeira ofensa que ele fez a esposa, porque o mesmo ficou feito bicho atrás dela? — Continua por favor, porque ainda não estou conseguindo entender porque ele ficou furioso com você? Até agora a nossa querida dona Matilde não se pronunciou sobre nada, está apenas escutando tudo que a mesma está falando até o determinado momento. — Ela escolheu um pedaço da nossa torta de chocolate, foi a partir daí que as coisas começaram a desandar, eu disse que já voltaria com o seu pedaço, porém o marido fez questão de mostrar quem era que mandava e começou a dizer que era para mim levar uma fatia bem fininha, pois a mesma não poderia exagerar no açúcar, foi aí que cometi a besteira de querer bater de frente com o mesmo. Pela primeira vez a dona Matilde se pronunciou antes que ela continuasse a falar. — Você colocou uma fatia generosa não foi? Descumprindo as ordens que o marido da mesma deu.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR