O corredor principal da Faculdade de Arquitetura parecia mais movimentado do que o normal naquela tarde.
Não era difícil entender o motivo.
O famoso trio — Nathan, Thiago e Yuri — agora caminhava acompanhado de Noah e Zander, formando um grupo tão chamativo que literalmente fazia os alunos diminuírem o passo apenas para observar.
Nathan seguia no centro, impecável como sempre, com a postura fria que contrastava com os sorrisos relaxados dos amigos.
Ao lado dele, Noah parecia brilhar naturalmente.
Os cabelos claros e compridos caíam suaves pelos ombros, os olhos azuis capturavam a luz do ambiente e o rosto angelical arrancava suspiros por onde passava.
Zander, com seu charme misterioso e humor afiado, completava o grupo com facilidade.
Thiago olhou ao redor, divertido.
— Acho que a universidade inteira já desistiu de fingir que não está olhando.
Yuri sorriu.
— Hoje o recorde de suspiros está alto até para os nossos padrões.
Noah riu.
— Vocês se acostumam com isso?
Nathan respondeu antes dos outros.
— Ignoramos.
A resposta fria arrancou risadas do grupo.
Não demorou para a primeira tentativa de aproximação acontecer.
Duas alunas do curso de design interceptaram o grupo no corredor.
— Noah, você vai à festa universitária no sábado? — perguntou uma delas, claramente nervosa.
Noah manteve a gentileza.
— Ainda não sei.
A segunda garota sorriu para Nathan.
— E você? Vai?
Nathan sequer diminuiu o passo.
— Não.
Thiago murmurou ao lado de Yuri:
— Clássico.
As meninas ainda tentaram acompanhar.
— Talvez pudéssemos ir juntos nathan parou e lançou um olhar tão frio que as duas congelaram.
— Não.
Noah quase riu.
Zander inclinou-se para ele e sussurrou:
— Entendo por que ele é chamado de rei do gelo.
Poucos passos depois, dois rapazes do curso de engenharia se aproximaram, dessa vez mirando Noah e Zander.
— Ei, Noah, Zander, queríamos convidar vocês para nossa mesa na festa.
Zander sorriu com simpatia.
— Agradecemos, mas já temos companhia.
Noah completou:
— Sim. Vamos com eles.
Nathan ouviu aquilo e, contra a própria vontade, sentiu-se estranhamente satisfeito.
Thiago percebeu.
— O nível do ciúme está delicioso hoje nathan lançou um olhar mortal.
— Cala a boca.
Na lanchonete, os cinco tomaram a mesa maior perto da janela.
O grupo agora parecia perfeitamente encaixado.
Entre cafés, salgados e tablets espalhados, a conversa deslizou naturalmente para um tema mais pessoal.
Yuri foi o primeiro.
— Falamos tanto de projetos e festas,mas quase nada sobre nossas famílias.
Thiago apontou para Nathan.
— A família dele basicamente construiu metade do império empresarial da cidade.
Nathan deu de ombros.
— Eles só me deram liberdade para seguir arquitetura.
Zander sorriu.
— Isso é raro.
Thiago começou a falar dos pais donos de uma rede de hotéis, Yuri comentou sobre a família ligada ao mercado de design de interiores, e Zander mencionou o pai arquiteto famoso no exterior.
Então os olhares se voltaram para Noah.
Por um segundo, o mundo pareceu desacelerar.
Noah sentiu o coração apertar ao falar sobre a própria família sempre significava caminhar em um campo minado.
Ele não podia simplesmente dizer que vinha de uma das famílias reais mais tradicionais da Europa.
Que sua vida era cercada por títulos, deveres e segredos.Forçou um sorriso leve.
— Minha família é… reservada.
Nathan observou a hesitação.
— Reservada como?
Noah escolheu as palavras com cuidado.
— Meu pai sempre trabalhou muito com diplomacia e negócios internacionais. Então cresci mudando de país em país.
Não era exatamente mentira.
Apenas uma verdade incompleta.
Thiago pareceu impressionado.
— Isso explica por que você fala e age como se tivesse vivido em vários mundos.
Noah assentiu, mas por dentro a inquietação cresceu.
O peso de omitir a própria origem parecia ainda maior quando Nathan o observava com tanta atenção.
Porque, pela primeira vez, ele odiava esconder quem realmente era.
O momento foi interrompido quando Mateus Prado surgiu ao lado da mesa, segurando um café.
O sorriso brincalhão desapareceu assim que ele encarou Noah por mais tempo.
— Espera… eu conheço você.
Noah congelou.
Nathan percebeu imediatamente.
— Conhece?
Mateus franziu a testa, tentando lembrar.
— Já te vi em algum lugar. Não aqui na faculdade, em algum evento, revista, internet não sei.
O ar ao redor da mesa pareceu ficar mais pesado.
Noah forçou uma risada leve.
— Acho difícil, acabei de chegar ao país.
Mateus continuou olhando, intrigado.
— Mesmo assim seu rosto não me é estranho.
Zander entrou na conversa com naturalidade.
— Deve ser porque ele tem cara de modelo internacional.
Thiago apoiou a brincadeira.
— Ou de príncipe.
A palavra atingiu Noah como um choque silencioso.
Ele sorriu, mas por dentro o desconforto só aumentou.
Mateus acabou rindo.
— Talvez seja isso,beleza inesquecível.
Nathan, porém, não desviou os olhos de Noah.
Ele percebeu o leve enrijecer dos ombros, a pausa mínima antes das respostas algo estava sendo escondido e isso apenas aumentou sua curiosidade.
No fim da tarde, a conversa naturalmente mudou para o assunto que dominava a universidade inteira:
a grande festa universitária de sábado.
Lívia e Helena chegaram à mesa quase ao mesmo tempo, empolgadas.
— Vocês vão, né? — Helena perguntou.
Thiago abriu um sorriso.
— Eu nunca perderia a oportunidade de ver Nathan surtando de ciúmes.
Nathan respirou fundo.
— Estou reconsiderando a amizade de vocês.
Lívia riu.
— A festa vai ser no terraço do prédio central, decoração moderna, luzes suspensas, DJ e pista ao ar livre.
Yuri parecia genuinamente animado.
— Isso promete.
Zander olhou para Noah.
— Então vamos?
Noah sorriu.
— Acho que sim.
Nathan ficou em silêncio por alguns segundos.
Thiago percebeu e provocou:
— Você não vai deixar o Noah ir sozinho para uma festa com metade da universidade querendo se aproximar.
Nathan cruzou os braços.
— Eu nunca disse que não iria o grupo inteiro comemorou.
— Sabia! — Thiago exclamou.
Helena sorriu maliciosamente para Noah.
— Então já temos o evento do semestre.
Noah olhou discretamente para Nathan
havia algo diferente no olhar escuro dele
algo possessivo,algo curioso,algo que fazia o coração de Noah acelerar de um jeito perigoso.
Enquanto todos discutiam roupas, horários e quem chegaria com quem, Noah tentava sorrir e acompanhar mas por dentro, sua mente ainda estava presa à reação de Mateus.
“Já te vi em algum lugar.”
Era apenas uma coincidência ou o início do desmoronar do segredo que ele vinha protegendo desde que chegou?e, se Nathan descobrisse a verdade, será que ainda o olharia da mesma forma?