Thalia
As palavras do meu pai simplesmente arrancaram qualquer calmaria que havia dentro do meu peito.
Como assim não serei a herdeira? Será que ele pretende passar a coroa para um dos meus primos? Duvido que Luan ou Mikael vão querer assumir a bronca de serem líderes, eles nem sequer tem culhões para isso. E Lígia muito menos, aquela garota é toda errada, completamente maluca! Se meu pai pensa que vai passar por cima de mim dessa forma, está muito enganado. Eu tenho total direito de lutar pela coroa, tenho total direito de exigir pelo menos uma explicação formal sobre isso, já que não estou me recusando a casar, e nem a cumprir com meu papel perante a máfia. No fim das contas, ele só quer me prejudicar porque eu sou honesta quando se trata daqueles que nos servem, e sou honesta com todos. Eu penso e falo! Sei que talvez não seja o mais adequado, mas o que posso fazer ? Essa retaliação da parte dele é ridícula, e com certeza levarei isso para o conselho, porque somente lá serei acolhida.
_ Senhorita, você está bem?_ A voz de Matheus me arrancou dos devaneios.
_ O que você acha? Seu b****a! _ Rosnei as palavras irritada, andando de um lado para o outro enquanto sentia meu rosto inteiro doer.
Sem contar na dor de cabeça tenebrosa que tomou conta de mim desde os tapas de Olivia.
Matheus ficou quieto. Entrou no meu quarto e colocou uma caixa de primeiros socorros ao meu lado.
_ O que acha que vou fazer com isso? Não estou ferida, i****a, é só um inchaço! _ Voltei a andar de um lado para o outro.
Matheus abaixou a cabeça, e pacientemente retirou um gel gelado de dentro da caixa. Agora que percebi, que na realidade a caixinha é de isopor, justamente para manter o gel bem gelado.
Ele se aproximou, e estendeu o objeto em minha direção. Fiquei um pouco pensativa, e acabei aceitando. Sentei na cama, colocando o gelado no meu rosto, dando-me um alívio.
Minha cabeça ficou um turbilhão, mil ideias e pensamentos começaram a me atingir, um atrás do outro, incessantemente. Respirei fundo mais uma vez, tentando colocar minha cabeça no lugar para evitar explodir e perder ainda mais a razão.
Droga, por que eu fui vacilar justamente agora? p***a, estou tão cansada, fiquei um tempão nessa casa, nunca desobedeci as ordens do meu pai, bem, não as que ele sabe. E sempre tentei me comportar ao máximo ao lado dele e da mamãe nos eventos, sempre mantendo a maldita pose. E tudo isso para que ? Para acabar perdendo o direito de liderar a família? Só porque trato as pessoas como elas realmente devem ser tratadas. Não gosto de pessoas incompetentes, e odeio ainda mais os que fazem corpo mole.
_ Melhorou um pouco? _ Perguntou ele.
_ Sim, já aliviou. Obrigado. _ Matheus assentiu, e virou as costas indo em direção a porta. _ Onde você vai ?
_ Vou voltar para o meu posto, senhorita.
_ Mas você deveria estar de folga! _ Franzi minha testa.
Matheus soltou uma risada.
_ Preciso do extra, senhorita. _ Disse ele.
_ Credo. _ Murmurei.
_ Nem todos nascem em berço de ouro, alguns precisam correr atrás e conquistar, Thalia. _ Sua voz continha uma advertência, mas não liguei.
_ Me traga um suco, Matheus, por favor. _ Ele assentiu e saiu do quarto.
_ Pense, Thalia, você precisa pensar! _ Murmurei andando de um lado para o outro.
Infelizmente nada veio à minha mente, e a única coisa que ficou ecoando foi a dúvida do que fazer.
Matheus entrou no quarto com o suco em mãos. Agradeci e provei, pronta para reclamar, mas por incrível que pareça tudo que esse garoto anda fazendo me agrada.
_ Hum… isso está muito bom! _ Murmurei.
_ Que bom que gostou, agora, preciso ir. A próxima ronda será minha.
_ E que horas acaba essa ronda? _ Perguntei curiosa.
_ Em três horas, senhorita. _ Disse ele com uma sobrancelha erguida.
_ Então daqui a três horas venha direto para o meu quarto, vou estar aguardando você.
_ D-Desculpa, mas não podemos…
_ Podemos sim! E não ouse dizer que não, senão vou f***r a sua vida! _ Resmunguei irritada.
Se esse i****a me negar uma f**a justamente hoje, sou capaz de enfiar uma bala na cabeça dele!