Thalia
Procurei minha mãe pela casa e não a encontrei. Sei que ela ficou magoada com as minhas palavras e quero me redimir. Talvez não adiante muito conversar agora, até porque vou ter que mentir e dizer que me arrependo do que falei, ou que não foi intencional, quando na realidade eu realmente penso que minha mãe é muito sonsa. Não consigo acreditar que ela conseguiu sobreviver a um relacionamento com o meu pai, o cara maluco que matou meia máfia por ela. Mas enfim, gostos não se discute. Se eu fosse meu pai, teria escolhido uma mulher de sangue italiano puro, de família nobre e que enriquecesse ainda mais os Rizzo. Porém, ele quis viver um clichê de livro brega, e se casou com a pobretona que encontrou na rua desmaiada. Claro, sei que minha mãe não teve culpa de ter passado pelos perrengues que a vida lhe deu, e que por muito pouco não foi abusada, mas p***a, ela poderia ser mais esperta, mais astuta. Graças a Deus eu puxei o sangue azul da família, e não a burrice da coitada da minha mãe. Ela é inocente demais, e pra piorar, meu tio Michael seguiu o mesmo caminho do irmão, e casou com a pobrezinha que achou em uma fazenda miserável.
Olha, vou te contar, se juntar esses dois não dá um mafioso bom e completo.
_ Mamãe? _ Gritei mais uma vez, entrando em seu escritório, repleto de livros sobre arquitetura e quadros.
Devo admitir uma coisa: minha mãe é um gênio da arquitetura.
Tudo que ela sabe vem da minha avó paterna, mas Luna Rizzo cresceu muito ao longo dos anos, e se tornou um grande nome do ramo.
Como não obtive respostas acabei saindo do escritório, irritada e prestes a desistir de falar com ela.
_ Senhorita? _ Ouvi uma voz desconhecida vinda do corredor. Parei no batente da porta e não consegui deixar de segurar um sorriso de canto. _ A senhora Luna saiu, disse que caso a senhorita a procurasse, deveria ligar.
Disse o soldadinho.
_ Ah, claro. Você sabe onde a minha mãe foi? _ Perguntei mesmo sabendo que a resposta é não, mas a essa altura faço qualquer coisa para poder analisá-lo melhor.
_ Não, senhorita, ela apenas informou que sairia. _ Disse ele desviando o olhar o tempo inteiro.
_ Hum… qual é o seu nome? _ Perguntei ansiando por puxar mais assunto.
Acho que a abstinência s****l anda mexendo com a minha cabeça.
_ Matheus. _ Ele colocou as mãos no bolso, visivelmente desconfortável.
_ Pode me olhar, Matheus, não vou morder. _ Falei em um tom de brincadeira.
O rapaz ficou corado. Coisa nada sexy, inclusive.
_ Posso ajudar em algo mais? _ Perguntou olhando nos meus olhos.
Matheus tem um azul bonito em seus olhos, seu nariz é um pouco grande, típico de italiano, e seus lábios são finos. Se bobear, ele é mais italiano que eu, já que acabei herdando muitos traços brasileiros.
Por mais que dona Lúcia, minha avó paterna, tenha se criado no Brasil, ela ainda é italiana pura, já eu tenho o próprio sangue brasileiro, infelizmente.
_ Sim… estou tentando pegar um livro, mas é muito alto. Será que você pode me ajudar? _ Apontei para a estante alta da minha mãe.
_ Claro. _ Dei passagem para que ele entrasse e caminhei atrás.
Matheus ficou um pouco perdido até que apontei para o livro. Realmente é alto, mas eu nem queria ler nada. Foi a única desculpa que achei a tempo.
_ Esse? _ perguntou ele.
_Sim… _ Ele pegou o livro e colocou na minha mão.
Agora pude dar uma boa olhada. Matheus não é bem o que eu quero, e tem pouco volume na frente.
Acho que vou acabar perdendo meu tempo com esse garoto.
_ Obrigado. _ Falei enquanto lhe dava as costas.
Saí desanimada, porque com toda certeza o produto é enganoso. Mas e agora? Quem eu vou encontrar que seja gostoso o suficiente pra frequentar minha cama?
Que p***a!