Capítulo 3

672 Palavras
Thalia Procurei minha mãe pela casa e não a encontrei. Sei que ela ficou magoada com as minhas palavras e quero me redimir. Talvez não adiante muito conversar agora, até porque vou ter que mentir e dizer que me arrependo do que falei, ou que não foi intencional, quando na realidade eu realmente penso que minha mãe é muito sonsa. Não consigo acreditar que ela conseguiu sobreviver a um relacionamento com o meu pai, o cara maluco que matou meia máfia por ela. Mas enfim, gostos não se discute. Se eu fosse meu pai, teria escolhido uma mulher de sangue italiano puro, de família nobre e que enriquecesse ainda mais os Rizzo. Porém, ele quis viver um clichê de livro brega, e se casou com a pobretona que encontrou na rua desmaiada. Claro, sei que minha mãe não teve culpa de ter passado pelos perrengues que a vida lhe deu, e que por muito pouco não foi abusada, mas p***a, ela poderia ser mais esperta, mais astuta. Graças a Deus eu puxei o sangue azul da família, e não a burrice da coitada da minha mãe. Ela é inocente demais, e pra piorar, meu tio Michael seguiu o mesmo caminho do irmão, e casou com a pobrezinha que achou em uma fazenda miserável. Olha, vou te contar, se juntar esses dois não dá um mafioso bom e completo. _ Mamãe? _ Gritei mais uma vez, entrando em seu escritório, repleto de livros sobre arquitetura e quadros. Devo admitir uma coisa: minha mãe é um gênio da arquitetura. Tudo que ela sabe vem da minha avó paterna, mas Luna Rizzo cresceu muito ao longo dos anos, e se tornou um grande nome do ramo. Como não obtive respostas acabei saindo do escritório, irritada e prestes a desistir de falar com ela. _ Senhorita? _ Ouvi uma voz desconhecida vinda do corredor. Parei no batente da porta e não consegui deixar de segurar um sorriso de canto. _ A senhora Luna saiu, disse que caso a senhorita a procurasse, deveria ligar. Disse o soldadinho. _ Ah, claro. Você sabe onde a minha mãe foi? _ Perguntei mesmo sabendo que a resposta é não, mas a essa altura faço qualquer coisa para poder analisá-lo melhor. _ Não, senhorita, ela apenas informou que sairia. _ Disse ele desviando o olhar o tempo inteiro. _ Hum… qual é o seu nome? _ Perguntei ansiando por puxar mais assunto. Acho que a abstinência s****l anda mexendo com a minha cabeça. _ Matheus. _ Ele colocou as mãos no bolso, visivelmente desconfortável. _ Pode me olhar, Matheus, não vou morder. _ Falei em um tom de brincadeira. O rapaz ficou corado. Coisa nada sexy, inclusive. _ Posso ajudar em algo mais? _ Perguntou olhando nos meus olhos. Matheus tem um azul bonito em seus olhos, seu nariz é um pouco grande, típico de italiano, e seus lábios são finos. Se bobear, ele é mais italiano que eu, já que acabei herdando muitos traços brasileiros. Por mais que dona Lúcia, minha avó paterna, tenha se criado no Brasil, ela ainda é italiana pura, já eu tenho o próprio sangue brasileiro, infelizmente. _ Sim… estou tentando pegar um livro, mas é muito alto. Será que você pode me ajudar? _ Apontei para a estante alta da minha mãe. _ Claro. _ Dei passagem para que ele entrasse e caminhei atrás. Matheus ficou um pouco perdido até que apontei para o livro. Realmente é alto, mas eu nem queria ler nada. Foi a única desculpa que achei a tempo. _ Esse? _ perguntou ele. _Sim… _ Ele pegou o livro e colocou na minha mão. Agora pude dar uma boa olhada. Matheus não é bem o que eu quero, e tem pouco volume na frente. Acho que vou acabar perdendo meu tempo com esse garoto. _ Obrigado. _ Falei enquanto lhe dava as costas. Saí desanimada, porque com toda certeza o produto é enganoso. Mas e agora? Quem eu vou encontrar que seja gostoso o suficiente pra frequentar minha cama? Que p***a!
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