CAPÍTULO ESPECIAL: O CONTO DE LILY

1661 Palavras
INTRODUÇÃO AO LIVRO. Lily Olhei o reflexo da mulher mais uma vez. Mulher? Não, uma pessoa, completamente desconhecida. Porém, quando meus lábios se curvaram em um sorriso, ela fez o mesmo, quando minha cabeça se movimentou levemente, ela fez o mesmo. Oh… o reflexo é meu…. mas espera, quem sou eu? Eu sou alguma coisa quebrada, usada, remendada e programada. Não sou como um robo, apesar de seguir cegamente ordens, sou uma garota, uma mulher talvez, ou algo relacionado ao s**o feminino, que apenas existe para servir. Mas servir exatamente o que ? A uma Ordem. Uma coisa antiga, criada a muito mais tempo do que eu possa tentar imaginar, e comandada por homens escolhidos por superiores, escolhidos pela insanidade que o ser humano pode ter. Somos mercenários, lutamos por dinheiro, poder e interesses. Comecei muito cedo, e tive muita sorte. Nunca consegui fazer amigos, na realidade, aqui dentro ninguém dorme de olhos fechados, todos temos que ficar atentos, porque a qualquer momento algum coleguinha pode resolver deslizar uma lâmina cortante no seu pescoço, ou em alguma artéria importante. E assim como todos os outros, eu m*l conheço meu rosto. Somos obrigados a usar máscaras, esconder nossa identidade de nós mesmos. A única coisa que sabemos é o nosso próprio nome, mas por ironia do destino, ou desgraça, nem isso eu consigo ter certeza. As vezes, meu nome é Liliana, outras é Lya, e a que eu costumo assumir, é Lily. Somente isso, Lily. Sem sobrenomes, sem referência, somente Lily. Há muitos anos atrás fui designada para uma missão. Eu tinha onze anos, e seria a minha segunda missão realmente importante. Jamais imaginei que fosse conhecer a mulher mais incrível do mundo, uma verdadeira fonte de inspiração, que pela primeira vez na minha vida, me fez confiar em alguém. Minha querida madrinha, Olivia. Uma mulher que passou tantas coisas quanto eu, mas que mesmo assim conseguiu manter sua humanidade. Devo confessar que por muitas vezes senti inveja. Ela sempre se manteve centrada, amorosa e muitas vezes calculista. Apesar de esconder uma dor profunda, Olivia é a mulher mais forte que conheço, e por isso me espelho nela. Claro, conforme os anos foram passando, muitas coisas em mim foram mudando, principalmente o coração. Pensei que fosse incapaz de amar, pensei que fosse completamente incapaz de sentir qualquer coisa por alguém, até que ele apareceu… O homem mais bonito que eu já vi em toda minha vida. Aquele olhar vazio, olhos que já viram muito, o cheiro único de homem, o cabelo com fios grisalhos que fizeram meu coração saltar fora do peito, e até a forma rude como me tratou acabou por me conquistar. Eu não podia, de jeito nenhum te-lo, até porque Jorge não era da organização, e somos proibidos de ter vida, mas não consegui resistir. Ele simplesmente arrebatou meu coração de uma forma inexplicável. Aquele homem virou a minha obsessão, o motivo dos meus sonhos, dos meus desejos e da minha vontade insana de esfaqueá-lo. Ok, isso não é tão normal quanto eu acho, mas sempre que ele me rejeitava a única coisa que eu ficava pensando era em como seria se eu o visse sangrar, se eu o visse de joelhos na minha frente, implorando. Essa é a minha forma torta de amar. Infelizmente, fui ensinada a machucar, até mesmo os que eu gosto, e eu não gosto, eu amo ele. E foi assim que toda a minha jornada começou. Conheci duas gêmeas completamente diferentes que me ensinaram um pouco sobre como ser feminina. Quase morri com uma faca envenenada, e rastejei como um cão ferido até ele, que me colocou em sua cabana, me deu de comer e me amou uma noite inteira. Aquele dia foi o melhor da minha vida, e todas as vezes que eu paro para relembrar o meu passado e as lutas para conquistar o meu “vovô sexy” acabo sorrindo…. CAP 1 A maneira que eu fui criada não foi nada convencional. Eu sei que muitos passaram por maus bocados mas quando eu ainda era um bebê um maluco me adotou, não só a mim mas várias crianças. Fomos submetidos a todos os tipos de treinamentos, torturas e ensinamentos macabros. Muitos não resistiram, da minha ‘’turma’’ os únicos sobreviventes foram eu e mais três, depois disso outros entraram, morreram e outros sobreviveram. Bom, vai ver esse é o tal ciclo da vida né, ou algo do tipo. Enfim, somos chamados de Mercenários, um nome que faz total sentido devido ao nosso trabalho. Por mais que eu não me importe em ceifar vidas, ainda me sinto meio m*l por algumas missões e por saber que nunca vou poder constituir uma família. Temos muitas regras, inclusive a de nunca gerar vidas, fomos criadas apenas para tirá-las. Acho que a única regra que respeita nossa identidade como pessoas, seres humanos, é a que depois que a mulher ou o homem ter sua primeira experiência s****l passamos por uma “esterilização” que indica nosso rito de passagem para a vida “adulta”. Meio louco ? Sim, muito, mas seguimos essa regra com bastante dedicação. Acho que no momento eu sou a única da minha idade que ainda não passou pelo rito e todos ficam comentando sobre isso, claro, longe de mim. Temos um ponto de encontro, uma casa para chamar de nosso, porém aqui somos obrigados a dormir de olhos abertos, vai que alguma coleguinha invejosa tente cravar uma faca no meu coração?isso acontece com frequência. Por esse motivo eu decidi passar um tempo longe de todos e certo dia descobri que um ex soldado da máfia morava em um chalé velho bem escondido no meio do mato. Meu objetivo era entrar, matá-lo e tomar o chalé pra mim, mas acabei mudando de ideia quando encarei aquele homem pela primeira vez. Ele deve ter o dobro da minha idade, mas pega o machado de uma forma fenomenal. Fiquei dias vigiando ele até que tomei coragem e invadi o chalé dele. Quase levei um tiro bem certeiro mas o vovô sexy já deve estar meio cego de um olho. _ Você é insuportável garota, por que ainda vem aqui ? Perguntou ele enquanto voltava a cortar a lenha. _ Por que você é um gostoso, gosto de te observar. Falei sem pudor. Se tem uma coisa que eu não consigo é disfarçar o quanto eu babo por ele. Isso sem dúvidas deixa claro minhas intenções. _ Você deveria se envergonhar de falar essas coisas em voz alta, ainda mais para um homem da minha idade! Rosnou ele irritado. _ Eu sei que você é um vovô, mas está muito bem conservado. Aposto que ainda dá um bom caldo ! Jorge largou o machado e saiu andando para dentro do chalé. Ele trancou a porta me deixando para o lado de fora, mas independente das trancas que ele coloque eu sempre consigo entrar. Peguei uma escada que havia ali e subi no telhado. Eu sei que tem uma telha meio solta e por ser pequena consegui entrar por ali. Praticamente cai em cima da cama dele. É técnicamente uma única peça, somente com um banheiro à parte. Nesse momento ele estava no banho. Aproveitei e levantei a máscara para beber água. Ah, ele nunca viu meu rosto. _ Quebrou outra telha ? Perguntou ele ao sair do banho todo coberto. _ Já estava frouxa, depois eu arrumo. Me sentei em uma poltrona e liguei a tv. Se tem uma coisa que eu acho luxo é TV. Sim, é ridículo dizer isso em voz alta mas lá nem isso podíamos ter e se tem coisa que eu mais amo é filme de faroeste. _ De novo esse filme ? Resmungou ele. _ Chato. Resmunguei de volta. Jorge abriu a porta e sentou na pequena varanda, olhando para o nada novamente. Depois que meu filme terminou me juntei a ele. _ Por que você é sempre assim? Fechado? _ Porque a vida me fez assim. Respondeu ele. _ Mas por que você saiu da máfia francesa ? Fiquei sabendo que você era best da primeira dama. _ Lily, pare de fazer perguntas ! Rosnou ele. Jorge levantou e saiu caminhando pelo meio da mata. A noite começou a cair e por incrível que pareça comecei a ficar preocupada. Geralmente eu não me preocupo, mas ele está cada dia mais velho. Comecei a caminhar em direção ao local que era para ele estar, mas não o encontrei. Comecei a rastreá-lo pela mata até que finalmente encontrei ele olhando para uma correnteza. _ Por que não me deixa sozinho ? Perguntou ele com a voz cansada. _ Porque eu não a conheci, mas sei que não seria isso que Elizabeth iria querer pra você. Ouvir o nome dela fez com que Jorge levantasse das pedras e caminhasse a passos pesados em minha direção. Ele agarrou meu braço com força e raiva enquanto me encarava. _ Nunca mais ouse dizer o nome dela, entendeu ? Perguntou ele enquanto me apertava. Seus olhos eram puro ódio, mas por algum motivo eu sabia que não era de mim, e sim da vida. Minha mão direita acariciou seu rosto e ele pareceu bem surpreso. _ Por favor.. por que não me dá uma chance ? Perguntei com a voz embargada. Acho que todos esses anos a única coisa que me faz ficar triste é saber que o homem que eu amo não me quer. _ Porque.. porque eu não posso esquecê-la.. nunca! Ele largou meu braço e voltou a caminhar para o chalé. Eu o segui até a porta mas parei ao vê-lo entrar. Me sentei no chão e refleti sobre os sentimentos que eu nutria por ele. Se vale a pena ou não. Eu teria que me conformar em ser sempre a segunda opção, sempre. Olhei o reflexo dele na janela olhando para a tv antiga e vi um homem triste e amargurado. Será que vale a pena ?
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