A DESCOBERTA

1312 Palavras
Capítulo 3 Amanda narrando Já faz duas semanas que estivemos no morro da Tijuca. Nunca mais procuramos os rapazes, pelo menos eu não. Recebi um telefonema da Dayane. Atendi no primeiro toque. — Alô, Dayane? — Oi, prima, sou eu. Preciso falar com você. — Pode falar, Dayane. — Me espera na praça lá perto de casa, por favor. Ela desligou sem me falar nada, mas eu sabia que tinha alguma coisa errada. Tomei banho, saí, chamei um Uber e fui. Minha mãe trabalhava no mesmo prédio em que meu pai era porteiro. Ele trabalhava até meia-noite, às vezes dormia lá. Hoje ele dormia lá, eu sabia. Quando cheguei, vi Day e Ana Paula. Já cheguei assustada. — O que aconteceu? — perguntei. Ana Paula respondeu: — Seu boy tá querendo falar com você. — Eu não vou mais lá não, nem posso. Se minha mãe souber que aquela febre que tive foi emocional, não por causa do sol que peguei na praia, vai dar r**m. Mas o que ele quer comigo? — Quer te ver. Escutei o ronco de duas motos. Virei tão rápido que fiquei tonta. Senti aquela mão na minha cintura, me arrancando do chão e me jogando na moto. Ele saiu comigo. Só deu pra segurar na cintura dele enquanto arrancava dali. Tive a impressão de ter visto o carro do meu pai quando virei a cabeça. Sim, era meu pai. Ele estava com um amigo no carro. Se ele me viu, fingiu bem, mas eu vi ele e fiz o Gato parar a moto. Desci de um pulo. — Eu acho que meu pai me viu. — Se ele te viu, eu assumo você e ponto — disse o Gato. — Você sabe que não é assim. Se ele souber que você é dono de morro, ele me mata. — Quer ir embora? Vou te levar. Sobe aí. Subi na moto, mas ele não voltou pro asfalto. Subiu morro acima, indo pra casa dele. Já chegou buzinando. Os caras abriram o portão, ele entrou direto e eles fecharam. Ele já foi me agarrando, me pegou no colo, me levou pro quarto, me jogou na cama e fizemos amor. Ele me deixou fraquinha. Quando vi, já era quase seis da tarde. Liguei pra Dayane. Ela atendeu no segundo toque. Chamei pra ir embora e ela confirmou. O Gato me levou até em casa, e o RB levou a Dayane até a casa dela. Quando cheguei em casa, estava tudo escuro. Botei a chave na porta; quando abri e acendi a luz, estavam sentados na sala meu pai e minha mãe. Meu pai falou: — Vou te perguntar só uma vez e pensa bem na resposta que tu vai me dar. Quem era o cara que você estava na garupa hoje perto do morro da Tijuca? — Pai, eu posso explicar. Ele é meu namorado. Senti um peso no rosto. Quando dei por mim, estava no chão, com a boca sangrando. Tamanho foi o murro que meu pai me deu. Meu pai e minha mãe nunca tinham me batido. Comecei a chorar, ainda caída no chão. — Se você mentir outra vez, vai ser pior — disse meu pai. Ele arrancou um cinto da calça e ficou segurando na mão. — O que o senhor quer que eu fale? Eu já disse, estou namorando ele. — Onde você conheceu ele? — Na praia. Nossa amiga Ana nos apresentou ele e o primo dele. Senti minhas costas arder. Foi quando minha mãe me pegou pelos cabelos, dizendo: — Você sabia que ele é o tal Gato, dono do morro da Tijuca? E você não conheceu ele na praia, você conheceu ele no baile. Pensou que não iríamos descobrir? Naquele dia levei uma surra do meu pai e da minha mãe. Eles me bateram tanto que fiquei no chão, quase apagada. Levantei e fui pro quarto, chorando. Minha mãe me chamou antes de eu entrar e disse: — Eu quero você fora da minha casa amanhã. Se vira. Vai fazer companhia pra sua prima embaixo da ponte. Nós sabemos que é assim que vocês vão viver a partir de hoje. Antes de entrar no quarto pra pegar minhas malas, perguntei: — Como a senhora soube? Minha mãe me olhou. — Recebemos três vídeos de vocês dançando e bebendo no baile, abraçadas com esse bandido, parecendo umas putas. Fui pro quarto, peguei minhas malas e comecei a botar minhas roupas, sapatos, tudo. Quando terminei de arrumar, liguei pra Dayane. Ela atendeu no primeiro toque. — Oi, Amanda. Eu ia te ligar. Também fui expulsa de casa. Alguém contou pros meus pais que viu nós duas no morro da Tijuca com os bandidos. Não sei o que fazer, estou desesperada. — Aqui aconteceu o mesmo. Não sei o que vou fazer. Você está onde? — Estou saindo de casa. Vou esperar o RB na pracinha ali da Tijuca. Eu já sabia que seu pai também ia te expulsar, porque meu pai falou. Aí também chamei o Gato, eles estão indo pra lá. Saí do quarto arrastando as malas. Passei pela sala. Meus pais estavam sentados no sofá. Meu pai me olhou e disse: — Você foi minha pior decepção. Nunca imaginei que tu, uma menina ajuizada, iria mentir pra nós desse jeito, e junto com a safada da sua prima, porque sei que foi ela que te mandou enganar a gente. Quero ver se esse c***a vai te sustentar, te dar roupa, calçado, comida, bancar teus luxos. Minha mãe me olhou com os olhos marejados e inchados de tanto chorar. Levantou, veio perto de mim, me deu um abraço e botou alguma coisa no bolso da minha bermuda, escondido do meu pai. Fez o sinal da cruz na minha testa, me abençoando. Comecei a chorar e fui saindo, puxando duas malas enormes. Eram da minha mãe, que estavam guardadas no meu quarto. Não entreguei a chave porque eu ia voltar depois pra tirar o resto das minhas roupas, que eram muitas. Quando saí no portão, tinha um carrão preto do outro lado da rua, parado. Acendeu os faróis e apagou. Dayane saiu do banco de trás do carro dizendo: — Vim te buscar! Ela estava toda sorridente. Olhou pro meu rosto, já inchado dos murros que meus pais me deram. Abriu o porta-malas, botou minhas malas, me abraçou mais uma vez, chorando, e falou: — Fica assim não. Agora vamos ter uma nova vida. Estou com dinheiro guardado, vamos alugar uma casa no morro, vamos trabalhar. Vai dar tudo certo. Mas não foi assim que aconteceu. Quando entrei no banco de trás do carro, o Gato estava no volante e o tal RB no banco do carona. Seguimos pro morro. O Gato nos levou direto pra casa dele, no alto do morro. A Dayane foi com o RB. O Gato me abraçou e disse: — A partir de hoje você é minha fiel. Ninguém toca em você. Tu é minha. Não quero você andando pra baixo e pra cima no morro. Acabou o negócio de praia sem me comunicar. O que você for fazer tem que falar comigo primeiro. Isso aí no seu rosto é a última vez que seu pai te toca. Aqui só vai entrar a fiel do RB e a fiel do PH, mais ninguém. Quando o Gato terminou de falar, me abraçou, me pegou no colo, subiu comigo, me deitou na cama, tirou minha bermuda, fazendo um carinho diferente, me beijando os s***s, a barriga. Desceu minha bermuda, cheirou minha i********e, me fazendo gemer. Abriu minhas pernas e chupou até eu gozar na boca dele. Mandou eu ficar de quatro. O sexo com ele naquela noite foi diferente, com mais força e posse. Caímos exaustos. Peguei no sono nua. Acordei com ele me beijando inteira. Eu amei acordar assim. Mal sabia que estava entrando em um caminho sem volta.
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