Capítulo 3

2232 Palavras
As horas passam e nada de notícias, apenas vemos as enfermeiras de um lado para o outro e nada, absolutamente nada de notícias e depois de uma longa espera vemos o médico se aproximar. -Doutor, como está a minha amiga, ela melhorou? Essas dores de cabeça são muito constantes e segundo ela de uns 3 anos pra cá tem se intensificado muito... Médico- Então, já medicamos a sua amiga, e ela neste momento se encontra dormindo, aparentemente está melhor, mas só posso ter certeza após ela acordar e também fizemos alguns exames pra descobrir o porquê das dores...e a família dela, conseguiram contatar eles? -Não doutor, a minha amiga é órfã, ela não tem ninguém, apenas nós e o patrão dela... Médico- Eu sinto muito ...faremos o nosso melhor... -Faça o que for preciso e não se preocupe assumimos toda responsabilidade... Médico- Ok, mas vocês não precisam ficar aqui, ela não vai acordar por algumas horas... -Tudo bem, voltaremos mais tarde... Irmão vamos passar no seu Ari pra avisar que a Ayla não vai trabalhar hoje, e precisamos ver o que podemos fazer para ajudá-la... À tarde voltamos mais uma vez ao hospital e ela já estava acordada. -Ayla, minha querida, como você está? Ficamos tão preocupados quando a vimos naquele estado em sua casa, ainda bem que você me ligou... Ayla- Está tudo bem Sarah, eu já estou melhor. -Olho pra porta e vejo Benjamim, o irmão de Sarah na porta, ele é lindo, chama a atenção de qualquer mulher e sei que gosta de mim, mas não acho que me sinto preparada pra me envolver com alguém sentimentalmente...eu nem ao menos sei quem eu realmente sou...sorrio pra ele e ele entra. -Olá Ayla, vejo que está melhor, você nos assustou hoje. Ayla- Desculpe por ter incomodado vocês, pra vir comigo até aqui, muito obrigado. realmente não tinha pra quem ligar e pedir que me acompanhasse e. Benjamin- Não tem porque agradecer Ayla, estaremos sempre juntos com você e te ajudaremos no que você precisar. Já falamos com o seu Ari e ele disse que hoje a noite virá aqui no hospital lhe visitar...Você tem bons amigos menina. Ayla- Obrigado meu amigo. As horas passaram e finalmente vejo que anoiteceu e meu patrão entrou no quarto. Ari- Como você está, minha linda menina? Fiquei preocupado quando me disseram que trouxeram você pro hospital. O que realmente aconteceu? Ayla- Então seu Ari, muita dor de cabeça, acho até desmaiei, e quando eu acordei estava com muita dor daí liguei pra Sarah e ela me ajudou, mas obrigado por ter vindo, não precisava ter se preocupado comigo. Ari- Eu sempre falei pra você ter cuidado com sua rotina menina, você trabalha demais, vou diminuir a sua carga de trabalho, contratar mais uma moça pra ajudar...e não aceito que discorde ok. Ayla- Está tudo bem seu Ari, o senhor é um bom homem, eu sei que está preocupado comigo mas eu estou e vou ficar bem. Ficamos ali conversando por mais um tempo e seu Ari foi embora , apenas me virei e adormeci e consegui ter uma noite de sono tranquila. Acordei no meio da noite com a enfermeira aplicando medicação, mas logo depois dormi e consegui dormir tranquilamente como a muito tempo não durmo, sem pesadelos, sem sonhos estranhos, e sem a sensação de estar sendo observada. -Dormi bastante, e ao acordar sinto o meu corpo bem relaxado, isso é ótimo, vejo o médico chegando, ele vem sorrindo em minha direção. Médico- Olá senhorita Ayla, vejo que se encontra bem melhor hoje...Podemos conversar um pouco? Preciso entender essas dores de cabeça, fiz alguns exames e não constam nada, tem algo que queira me falar? Ayla- Doutor, eu sinto essa dor na cabeça já tem bastante tempo e como o senhor já deve saber, eu sou órfã e a bastante tempo tenho tido alguns pesadelos e acordo muito m*l, com a cabeça sempre doendo, e ontem eu tive um outro sonho bem estranho e quando acordei a dor estava insuportável, não sei se isso tem algo relacionado com os sonhos, mas de uns 3 anos pra cá estão cada vez mais frequentes... Médico- Bom, pode ser que as duas coisas estejam relacionadas, vou falar com uma colega e veremos o que podemos fazer para ajudar você da melhor forma. Ayla- Obrigado doutor, eu gostaria muito de me livrar de uma vez por todas destas dores de cabeça que são realmente muito ruins... Médico- Farei o meu melhor.(sai) -Quando o médico sai fico refletindo sobre o que ele falou, será que realmente tem algo a ver essas dores? Será que meu passado está me dando alguma dica de quem realmente eu sou? Eu sei que tem um vazio em minha vida, sempre soube desse meu defeito "de fábrica". Será que meus pesadelos podem não ser pesadelos? Estando ali deitada em meu leito, fico refletindo sobre tudo isso e pouco tempo depois vejo quando o médico retorna com uma moça muito bonita que me olha e sorri gentilmente para mim, retribuo o sorriso e ela se apresenta. -Olá Ayla, sou a doutora Shirley, sou psicóloga e vim aqui a pedido do doutor Eduardo pra conversar um pouco sobre você, você se importaria? Ayla- Imagina, será um prazer conversar com a senhora. Shirley- Eduardo meu amigo, se importaria de deixar-nos a sós por uns instantes? Eu gostaria de entender o que realmente está acontecendo... Eduardo- Claro que sim Shirley, volto em 30 minutos... Shirley- Obrigado . -Assim que o médico sai, olhos bem nos olhos da Ayla e tento a deixar o mais tranquila possível. -Então Ayla, agora somos só você e eu, eu gostaria que me falasse sobre a sua vida, os seus medos, gostaria de poder te ajudar, como psicóloga, gostaria muito que você pudesse se abrir pra mim, pra que eu possa entender se tem algo que está te bloqueando mentalmente, se algo poderia estar desencadeando essas dores tão intensas em sua cabeça. Compreende? Ayla- Sim doutora, eu entendo, por onde quer que eu comece? Shirley- Me conte de tudo que você lembrar, e se tem alguma coisa que você já percebeu que a faz sentir as dores é importante que me conte tudo, sem exceções... Sinta-se à vontade para começar quando achar melhor. Ayla Eu cresci em um orfanato, e sempre fui muito maltratada, sempre desejei ser adotada e nunca consegui, sempre que uma família ia ver as crianças eu era orientada a ficar o mais escondida possível, eles me diziam que nenhuma família iria querer uma garota como eu, sem passado, feia, essas coisas, então desde criança eu senti na pele o desprezo desde os órfãos que moravam lá e também das freiras que muitas das vezes me batiam, me deixavam com fome, quantas vezes eu chorava escondida pra não incomodar ninguém porque se eu incomodasse o castigo viria, e eu já estava cansada de tanto apanhar lá dentro.(fico perdida em pensamentos por um longo tempo). Shirley- Este comportamento é anormal pra um orfanato, você notava algo a mais, desconfiava de alguma coisa mesmo sendo ainda uma criança? Ayla- No início não, mas conforme eu fui crescendo, eu vi algumas vezes um homem ir conversar com as freiras, ele não ia com muita frequência, mas notava que sempre que ele saia sem motivo algum eu era castigada, me trancavam no quarto escuro, me deixavam com fome, era sempre um sofrimento, então conforme eu fui crescendo eu me adaptei, nunca foi fácil, ninguém se aproximava de mim, e quando uma criança se aproximava do nada ela se afastava, eu sentia muito a falta de companhia, isso dói doutora, até hoje isso dói demais. (Falo perdida em minhas tristes lembranças.) Sempre quis saber o que eu tenho de errado pra que fosse sempre tão maltratada desde a minha infância, mas nunca consegui respostas, queria saber o porque os meus pais me abandonaram pra que eu tivesse uma vida tão triste, tão miserável...mas eu cresci, apesar de toda a minha dor eu cresci, e quando finalmente eu fiz 18 anos finalmente eu consegui sair daquele inferno. Shirley- Ayla, e o tal homem que você diz que sempre que ele aparecia os castigos chegavam sem motivos, você ainda o viu durante a sua adolescência? Ayla- Sim, eu sempre o via, eu prestava bastante atenção, porque sabia que iria sofrer, então já ficava esperando, ele vinha 1,2 vezes por mês, ficava lá por uns 40 minutos e depois ia embora, nunca consegui ouvir qualquer tipo de conversa que ele pudesse ter com alguém daquele lugar infernal, mas sabia que o castigo viria independente de eu fazer algo errado ou não. Mas depois que eu consegui sair daquele lugar nunca mais eu o vi. Shirley- Há quanto tempo conhece seus amigos que lhe trouxeram aqui para o hospital? Ayla- Eu os conheço há aproximadamente 2 anos, pouco tempo depois que saí do orfanato, e eles me aceitaram de uma forma aberta, sem reservas, por isso me deixei aproximar deles. Mas doutora, sobre a sua outra pergunta, eu desde o início da minha adolescência tenho uns sonhos estranhos sabe, são imagens distorcidas, é estranho, porque apesar de no início não ver nada só essas imagens estranhas, borradas, eu sinto medo, não medo de que algo me aconteça, é diferente, e este sonho me persegue já a algum tempo, eu não faço idéia do que possa ser, mas de uns 3 anos pra cá as coisas começaram a clarear, eu escuto a voz de uma menina, bem pequena dizendo: Papai, eu tô com medo… Depois a voz de um homem que diz: Só fica calma meu bebê, vai ficar tudo bem...vai ficar tudo bem…barulho de tiros e mais tiros)... A voz de uma mulher que diz: Amor, você está acelerando muito… O homem fala:-Se não for assim, não teremos nenhuma chance… A mulher: Amor, curva mais a frente… escuto a mulher dizer mais alguma coisa só que eu não consigo entender o que ela diz. Mais tiros, muitos tiros, luzes, carros correndo muito, depois um barulho como um acidente e sempre acordo suada, me tremendo muito, mas não passa disso esse pesadelo, e ele vem se apresentando cada vez mais frequente, isso tem me deixado bastante perturbada, e sempre vem acompanhado de muita dor de cabeça, aiiii doutora, eu até tomo analgésicos para aliviar, mas nem sempre passa. Shirley- E você teve este sonho antes de ligar pra sua amiga? Ayla- Não, eu trabalhei o dia inteiro já com a cabeça doendo bastante, mas fui pra casa e quando dormi, tive outro sonho bastante estranho... Sonhei comigo brincando com uma menina loirinha linda em um parque muito bonito e depois apareceu um rapaz muito bonito e a menina chamou ele de papai, o mais engraçado doutora é que a voz da menina é igual a voz da menina do meu pesadelo acordei com a cabeça doendo ainda mais, já era madrugada, e não consegui mais adormecer, quando já estava se tornando insuportável eu liguei para a minha amiga pedindo ajuda, mas não lembro de ter visto ela chegar, apenas senti mãos me pegando e acordei aqui. Shirley- Ok Ayla, por hoje é só, vou conversar com o doutor Eduardo, precisamos analisar tudo o que você me disse com muito cuidado, e vamos tentar entender a sua dor, mas quero pedir que você volte a falar comigo, é importante para que eu me aprofunde mais e possa te ajudar , você vai precisar, Ayla só mais uma pergunta, você consegue lembrar de mais alguma coisa de quando era pequenina? por exemplo, se lembra de sua chegada ao orfanato? Ayla- Não doutora, não lembro de nada, eles disseram que me encontraram na porta do orfanato ainda um bebê, e eu não sei se é verdade ou não, porque eu sinto como se uma parte de mim faltasse, e não sei, não faço a minima idéia do que seja. Shirley- Tudo bem Ayla, não pense muito, tudo vai ficar bem, e com certeza logo você vai melhorar, vamos fazer o nosso melhor. (falo e saio dali, eu já tenho uma leve suspeita do que realmente aconteceu a essa garota, resta saber o porque que mentiram pra ela sobre ter chegado lá ainda um bebê). -Volto ao consultório do Eduardo e logo ele me pergunta: -O que você achou do que ela te falou, minha amiga? Shirley- Eduardo, é muito cedo pra falar ainda, mas honestamente, eu acredito que essa menina não faz a mínima ideia do que aconteceu a família dela, e nem ao menos sabe de verdade a própria idade, pelo que ela me contou, ela junto com a família foram vítimas de acidente de carro e apenas ela sobreviveu, ou se mais alguém sobreviveu deve estar procurando por ela a anos. As dores de cabeça podem estar relacionada a lembranças, ela pode ter perdido a memória neste acidente e está começando a lembrar e as lembranças estão vindo em forma de pesadelos e consequentemente dores de cabeça, e tem mais, pelo que ela me contou não foi um acidente normal, foram assassinados...nos pesadelos dela tem tiros ...meu amigo estamos diante de um problema e dos grandes, ainda é cedo pra afirmar, mas tudo indica que é caso de polícia... Eduardo- Faremos o melhor por ela, repetirei os exames, farei alguns mais aprofundados, de repente eu encontro alguma coisa... Shirley- Faça isso meu amigo, tenho certeza que encontraremos alguma coisa...
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