No ano de 2019, minha filha primogênita
completou seus 15 anos, e realizamos uma linda festa
para ela, com tudo o que tinha direito, seu dia de
princesa. Ela estava feliz, e eu ainda mais. Todos os
amigos e colegas estavam lá para comemorar com ela
seus quinze anos. Até mesmo fizemos um desafio entre
mãe e filha. Imaginem eu, com quarenta e dois anos, tive
que ensaiar por meses até aprender a dançar funk e suas
coreografias. Foi um sucesso real e inesquecível, pois
tudo ali era genuíno. Chorei na homenagem que ela fez
para mim, e vice-versa.
No mesmo ano, tomei coragem e decidi tirar
minha CNH no município de Carazinho, uma hora
distante da minha cidade. Dirigia há oito anos sem
habilitação e resolvi não depender mais de ninguém para
ir onde eu quisesse. Éramos uma turma grande de 12
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alunos, sendo apenas 4 mulheres. Era julho, fazia muito
frio, e tínhamos que sair de casa às seis da manhã aos
sábados e às 17h15 durante a semana para as aulas
teóricas. Nossa turma na van era muito divertida;
contávamos histórias, tomávamos chimarrão, e eu era a
encarregada de levar bolo de milho, cenoura com
brigadeiro e chocolate. Em uma das últimas aulas, fomos
almoçar em um restaurante próximo ao CFC Farol.
Quase não consegui comer, estava enjoada, e as meninas
sugeriram que eu poderia estar com virose. Passei a tarde
muito m*l, mas ao chegar em casa, tomei um Sonrisal e
me aliviei.
As semanas se passaram, e eu continuava me
sentindo indisposta, com náuseas e muito sono. Em um
final de semana, convidei minha filha, e levamos nosso
cachorro dálmata, Duke, para a lavoura, a dezenove
quilômetros de nossa casa, na localidade da Linha São
Pedro Deon. Fazia calor em agosto, e fomos ao rio tirar
fotos, deixar Duke correr livremente na lavoura. Me
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senti meio tonta, com dor de cabeça, pensando que
poderia ficar menstruada, pois havia um sinal.
Continuamos a caminhada até o rio, entramos, fizemos
fotos, subimos e descemos uma barranca, caminhamos
uns dois quilômetros até chegar ao carro, juntamos
nossos objetos, pegamos Duke e partimos rumo à nossa
casa.
Era metade de setembro, e eu ainda me sentia
mal. Pensei em marcar uma consulta para descobrir o
que estava acontecendo. Nesse ínterim, houve um
problema na escola onde minha filha estudava, e fui
conversar com a coordenadora para entender o que
estava deixando minha filha triste e chorosa. Pensei que
ela pudesse estar sofrendo bullying ou enfrentando
algum problema na sala de aula.
Após a conversa na escola, fui dar uma volta,
olhar vitrines, visitar uma amiga que não via há tempos.
Foi então que passei em frente a uma farmácia, entrei, a
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atendente me perguntou o que eu queria, sem pensar,
disse que queria um teste de gravidez. Ela me ofereceu
duas opções, peguei um deles, paguei, coloquei na bolsa
e saí.
Eu acordo de manhã bem cedo e já olho as câmeras de segurança e o microfone, mas eram movimentos normais de carla, na parte de trás não tinha registrado nenhum movimento, jogo meu celular na cama e esbravejo, eu não sei porque mas teria que ficar feliz em saber que não tinha nada suspeito, mas eu não conseguia.
Eu suspeitava dela e meu coração não estava nada tranquilo, era como algo me dissesse que lá no fundo, lá no fundo, Carla tinha uma culpa enorme.
Só faltava eu descobrir que ela também era amante de Antonio!!!
Eu saio de casa e pela primeira vez eu vejo Ana Julia na padaria, eu me aproximo dela e ela me olha meio assustada.
— Ana, bom dia! – eu falo
— Serena, bom dia – ela responde – vim apenas pegar um pão porque Teresa não está em casa.
— Ela está onde? – eu pergunto
— Saio, ao medico fora do morro – ela fala – mas preciso ir, só estou liberada para vir até aqui.
— Como assim liberada? – eu pergunto para ela e ela me olha assustada – você está presa naquele lugar Ana Julia?
— Não quis dizer isso, eu só não quero encontrar com Anjinho.
— Ele não vai gte fazer m*l nenhu, você está na casa de Yan, ele não deixaria que ele te fizesse m*l.
— Eu realmente preciso ir – ela olha nervosa para Pedro que entra na padaria – olha Serena, não vamos mais manter contato, você é super querida, uma pessoa maravilhosa, mas infelizmente, prefiro ficar longe de problemas.
— E porque eu seria um problema?
— Eu sou o problema – ela fala me encarando – por favor se mantém longe.
Ela sai andando e passa por Pedro que a encara, ele me encara e vai até o balcão fazer o pedido dela, eu sinto que tem algo de errado, muito errado.
Então, saio da padaria sem comprar nada e vou até a boca, eu entro pela porta e vejo Yan e Tadeu conversando, os dois me encaram.
— Será que eu posso falar com você Yan? – os dois se encaram.
Eu estava conversando com Tadeu na boca.
— Existe a possibilidade dele estar vivo – eu falo – eu nunca descartei isso.
— Aquela noite, o que aconteceu? – ele pergunta
— Naquela noite a gente discutia, a policia chegou, só que ai que está, quem denunciaria a gente ali? Aquilo tudo foi uma estratégia para ele sair vivo
— Eu não me engano sobre Antonio, ele era capaz de tudo e é – ele fala me encarando – você lembra que ele matava os gatos no morro para tentar vender para os churrasqueiro lá da copa cabana, como era o nome daquela garota?
— Fabricia, fabiana – eu falo
— Fabiene, prima da Maisa, vivia aqui e ajudava ele a m***r os gatos – Tadeu fala e eu olho para ele
— Fala sério, chega a ser ridículo a gente lembrar disso – eu falo – Antonio, nunca foi um garoto normal, sempre foi perturbado
— E você sabe porque – Tadeu fala
— Nosso pai nunca fez diferença entre a gente, criou a gente igual com o mesmo amor, o mesmo carinho e as mesmas responsabilidades – eu falo – ele sempre quis tudo para ele, sempre quis ser mais do que eu, achando que porque tinha o sangue , era mais importante, mas nossos pais sempre nos trataram da mesma forma com a mesma importância.
— E essa Fabiene? – Tadeu pergunta
— O que tem ela? – eu questiono
— Por onde ela anda? -ele fala
— A ultima noticia que eu tive dela é que abriu uma confeitaria – eu respondo – mas não sei onde e nem quando.
— Deve ser carta fora do baralho – ele fala
— Provavelmente não tem tanta importância assim – eu falo
A porta é aberta e Serena entra, eu e Tadeu nos encaramos e depois encaramos ela.
— Yan, será que podemos conversar? – ela questiona
— Claro – eu respondo – se falamos depois Tadeu.
— Até mais Yan, até mais Serena – Tadeu fala passando por ela e eu me levanto.
— O que aconteceu Serena?
— Porque você proibiu Ana Julia de conversar comigo? – ela questiona me encarando – qual é o problema? Você não deixa ela sair da sua casa para lugar nenhum.
— Quem te disse isso?
— Ela mesmo, sem querer – eu falo
— Você sempre querendo se meter onde não é chamada – ele fala me olhando – você não cansa Serena disso?
— Não eu não me canso – ela me responde e eu a encaro
— Pelo bem da Ana Julia, fique longe dela.
— Porque? Eu represento ameaça ela? – ela pergunta
— Não – eu respondo – Ana Julia só está viva porque está grávida.
— Como? – ela pergunta me encarando – porque está falando isso? – ela questiona – seu covarde, além da garota ter apanhado que nem uma c****a do seu sobrinho, você ainda me diz que ela só está grávida por que ela está grávida? Covarde, você é um covarde – ela fala alterada.
— Ana Julia é uma x9 – eu falo nervoso e Serena me encara – abaixa o seu tom de voz, porque você está falanod com o dono do morro.
— Eu não acredito em você, não tem como Ana Julia ser x9 – ela diz – ela é uma garota inofensiva.
— Ana Julia levava informações ao meu irmão enquanto ele ainda estava vivo – eu falo para ela eSerena me encara – Ana Julia, era amante do meu irmão.
— Mentira, isso é mentira – ela fala alterada – você está mentindo. Ela naõ era amante de ninguém.
Eu a encaro.
Eu olho para ele totalmente sem chão e alterada, eu perco totalmente a razão.
— Isso é mentira! – eu afirmo para ele – você está querendo o que com tudo isso? Acabar com a minha mentalidadeç.
— Eu não quero nada, estou te falando a verdade, vocêç veio até aqui e me perguntou sobre Ana Julia e eu estou te falando – ele fala
— Ela nunca foi amante dele – eu falo – nunca!
— Como você afirma isso? Você conhecia Ana Julia ou o meu irmão? – ele pergunta e eu o encaro – em, você emsmo disse para minha mãe que nunca viu meu irmão e agora me afirma uma coisa dessa? – ele se aproxima de mim – me diz Serena, o que você sabe, o que você esconde?
— Não escondo nada, eu não sei de nada. Estou alterada pela sua covardia contra aquela garota.
— No morro funciona assim, quem está do nosso lado, está do nosso lado, quem não está sofre as consequencias – ele fala – pensa para Junior como foi descobrir que a sua própria mulher o traiu com o próprio pai que o abandonou aqui? – ele me fala – Meu irmão não valia nada, nunca valeu, era um monstro, destruidor de vidas, destruía cada mulher na sua vida, não estava nem ai para os sentimentos de ninguém, ele somente pensava nele mesmo.
— Esse assunto acabou aqui – eu falo para ele - não vou mais discutir com você. – ele segura meu braço quando me vira – me solta!
— Você está dentro de um morro, não de uma escola, não está lidando com seus alunos, você está lidando com bandidos, traficantes, desculpa professor, mas não mudamso o mundo com um apagador e um giz branco, aqui dentro as coisas não funciona dessa forma.
— Infelizmente, porque se funcionasse – eu falo olhando para ele – você não estaria aqui para me ameaçar.
— Não estou te ameaçando, nunca te ameacei – ele fala me olhando nos meus olhos – estou te dando a real, sendo sincero com você, te colocando no mundo de volta, saia dessa sua vida de fantasia, dos seus pensamentos de conto de fada e encara a p***a da realidade – eu me solto.
— A sua realidade jamais será a minha.
— Então vaza da porcaria do meu morro, o quanto antes, caso ao contrário, vou perder o sentimento que tenho por você e a educação também.
Eu olho para ele mas não digo mais nada, olhando para ele, escutando suas palavras eu percebi que tinha passado totalmente do meu limite, eu jamais deveria ter falado o que eu disse e muito menos ter enfrentado ele dessa forma, mas eu estava totalmente destruída. Eu saio da boca, com uma única intenção, ir atrás de Ana Julia e tirar essa história a limpo.
Eu estava na cozinha quando Serena entra pela porta, eu a encaro com o olhar assustada, mas ela estava com um olhar que eu jamais tinha visto, os olhos inchados, o olhar sombrio.
— Vagabunda – ela fala me encarando
— O que? – eu questiono
— Você sabe quem eu sou, não sabe? – ela fala me encaranod e eu engulo seco – você sabe de quem eu sou mulher desde o primeiro dia que eu te ajudei.
— Serena , eu posso explicar.
— Explicar que você dormia com o meu marido e eu ainda assim fui te ajudar – eu falo para ela – é você que está me mandando as porcaria das mensagens, não é?
— Eu não sei de que mensagem está falando -e la fala – eu não sei do que está falando.
— Você sabe, você sabe de quem eu sou esposa, você sabe quem era meu marido, era com quem você se deitava não era? – ela pergunta me olhando
— Por favor, essa história é muito difícil, eu posso morrer por isso, por favor não conta isso a ninguém mais, não espalhe isso, é a minha vida e dessa criança que está em jogo.
— Eu jamais iria espalhar algo desse tipo -e la fala me encarando – mas da mesma forma que eu preciso olhar na cara da outra v*******a e eu ainda vou fazer isso, eu precisava vir até aqui.
— Você está descontrolada.
— Eu ainda não estou – eu afirmo e ela me olha – porque se eu tivesse, eu fazia questão de que o morro inteiro, a facção inteira descobrisse que você era x9. Mas eu não vou fazer isso, porque antonio não está aqui e ele era meu marido, o que me doeu em você, foi saber que você sabia quem eu era, eu te ajudei, dei minha cara a t**a, poderia ter morrido por você, enfrentei bandidos para defender a amante do meu marido.
— Você é uma pessoa boa – eu falo para ela – e você sabe disso, você tem um coração bom, você não é que nem eu, eu jamais vou contar a ninguém quem você era, como eu nunca contei desde que te vi. Por favor, saia daqui antes que Yan te veja aqui.
— Ele sabe quem eu sou? – ela pergunta nervosa – Ele sabe quem eu sou c*****o? – ela grita – ele sabe ou não? Fala ! – ela fala nervosa – caso ao contrário, eu te entrego.
Eu engulo seco e a encaro.
— A casa que você está morando era a de Antonio – eu falo para ela e ela me encara – derrube as portas! – ela me olha sem acreditar no que estava escutando