Olhares

2140 Palavras
- Amor... Cheguei... - Querido... - Ela o abraça, passando os braços por volta de seu pescoço. Áureo segurou-a pela cintura e rodopiou-a na grande sala, enquanto fungava o perfume que tanto o inebriava. - Hummmm que saudade que eu já estava. - A morena em seus braços solta uma risada gostosa. - Mas faz menos de uma hora que saiu! - E já não é o suficiente? - Áureo brinca fazendo um beiço e os olhos dela diminuem pelo sorriso largo no rosto. - Qualquer 10 minutos longe de você, é tempo demais. - Áureo a segura mais firmemente e a beija. Os beijos deles eram assim, avassaladores, intensos, entregues. Ele passou as mãos grandes pelo corpo que era seu. Ouvia os gemidos baixos e contidos dela, enquanto passeava por suas curvas. Em um movimento rápido e firme, a ergue do chão e ela dá um gritinho, seguido de uma risada. Ele sorri com a boca grudada na dela. - Maravilhosa. - Você! Áureo deita-a na cama, vê os cabelos espalhados pelo travesseiro e suspira, poderia gozar apenas em admirá-la. Tira peça a peça de suas roupas, enquanto ela apenas o observa, com os olhos brilhando, as pupilas dilatando a cada movimento de seu homem. Deita-se sobre ela, e aos poucos vai despindo-a, deixando-a entregue e mais desejosa a cada toque. Áureo penetra-a e arfa. Sente ela se apertar em torno de si, e geme alto. Amava-a tanto, desejava-a tanto que era quase palpável. - Eu te amo, minha Eloise... - Não meu amor, eu sou a sua Julienne - Minha Julienne. - Ele sente o suor escorrer, enquanto sua mente fica turva. - Eu te amo, meu Áureo. - Só seu... - Ele repete em torpor. - Para sempre meu... ... Áureo acorda suando, tremendo e com um aperto no peito. - d***a! - Se levanta e vai para baixo do chuveiro frio. Já fazia uma semana desde o dia em que deu de cara com Julienne, ou melhor, Eloise. Desde então vinha tendo sonhos eróticos com ela, ou com sua ex esposa... ou sabia-se lá quem era que estava em seus sonhos. Soca a parede. Precisava voltar na cafeteria! Eloise ria com a mãe enquanto assistia um stand-up no celular. O dia estava chuvoso e frio, eram cerca de 6 horas da manhã, e desde o dia que abriram, era a primeira vez que tinha a cafeteria fazia. Devia ser o mau tempo, mas ela não se preocupava, logo os clientes deviam chegar. Enquanto soltava uma de suas altas gargalhadas ouviu o sininho baixo da porta e ergueu os olhos. O primeiro cliente do dia chegara. E aquele homem novamente. Áureo. Eloise não o tinha esquecido, não apenas por sua aparência imponente e bela, mas por sua fixação em olhá-la. Sua mãe chegara a questioná-la se o conhecia, mas por mais que vasculhasse a sua mente, não lembrava-se de já o tê-lo visto. Ela com certeza não esqueceria facilmente de um homem com ele. - Bom dia! - Sorriu e encarou o homem que a encarava com a mesma fascinação e, ao mesmo tempo, indignação do outro dia. - Bom dia! - Áureo a responde e ela sente um calafrio. Sua mãe, já havia se posicionado em seu lugar no caixa da cafeteria, pronta para o pagamento do cliente após a entrega do pedido. Eloise fica presa alguns segundos aos olhos esverdeados, que parecem despir sua alma. - Um expresso duplo. - Pisca algumas vezes e aumenta o sorriso. Sem nomes estranhos, ou questionamentos infundados, somente um expresso duplo. - É pra já, senhor. - Eloise vira-se de costas e prepara um café expresso duplo, com o seu costumeiro cuidado e capricho. Áureo observa a mulher de cabelos hoje presos em um coque alto, calça jeans, uma blusa branca, que tinha a frente coberta por um avental marrom com a logo do Café com Pão. Que nome b***a, pensa ele avaliando as nádegas arredondadas dela. Eloise vira-se e pega o homem a olhando e pigarreia. - Senhor... seu café. - Áureo a fita nos olhos e sorri de lado. - Obrigado. - E ali ele fica. De pé, na beirada do balcão, tendo todas as mesas do café livres. Eloise baixa os olhos nervosa. Aquele homem a estava desconsertando a olhando sem parar. Nesse instante, outro cliente, ufa! Pensa animada e feliz em poder desfocar do homem que a estava perturbando. Áureo analiza casa movimento dela. Ele pensava que podia convidá-la para sair, hipnotizá-la e descobrir tudo sobre ela, assim quem sabe sua fascinação e desconfiança acabassem. Maneou a cabeça. E se fosse realmente Julienne? Não! Franze o cenho, não podia ser ela. Ela estava morta! - Gatinha! - Áureo segue em direção a voz animada. Um homem jovem, talvez uns 25 anos, vestido com farda de policial. Poderia ser policial tão jovem? Áureo sentiu o estômago revirar ao ouvir a risada dela e vê-la ir dar um abraço ao homem que a apertou em seus braços. Cerrou os punhos sobre a mesa e travou os maxilares. Quem era aquele boçal? O que estava pensando em agarrar a sua mulher na sua frente?! Áureo engole seco e larga a xícara. - Quanto tempo não vinha nos visitar! - Eloise abraça o amigo de longa data. Lucas, era seu amigo desde a adolescência, ela chegou até a ter uma paixonite por ele, uma época, mas passou. Hoje ela via, que nunca teriam dado certo como casal. Eram apenas amigos. - Ah... - Lucas passa as mãos nos cabelos claros e bem arrumados. - Sabe como é, novato né?! Me mandam pra tudo quanto é pepino. - Ah... não reclama, assim você vai ficar expert! - Eloise volta para trás do balcão. - O que pede hoje? - Hummm deixa eu ver... - Lucas era apaixonado por Eloise desde quando a viu a primeira vez na escola. Desde então fez da sua vida a missão de tê-la por perto. Tinha esperanças de um dia ela o ver com outros olhos. - Um capuccino com canela, pra variar. - Ele pisca e Eloise revira os olhos. O amigo sempre pedia Capuccino com canela, e ela sempre queria que ele experimentasse novos cafés ou as invenções dela. Os dias foram passando, e Áureo chegava todas as manhãs pontualmente as 6 horas da manhã na cafeteria. Enquanto ele a observava ele reparava nas diferenças. Os olhos eram sempre alegres e doces. Ela sempre era gentil, não apenas com ele, mas com todos. Seu profissionalismo e educação eram invejáveis, e ele se perguntava se seria possível Julienne fingir sempre assim... se bem que ela o enganou por anos... saiu de seu devaneio com a um toque. - Que tal hoje provar algo diferente? - Eloise chamou o homem, mas ele parecia hipnotizado nela. Então tocou em seu braço, mas se arrependeu imediatamente, pois ele olhou para o braço em seguida para ela, e o seu olhar parecia assassino. Áureo não deixava que nenhuma mulher o tocasse sem a sua permissão. Mas ela o pegou desprevenido. O que ela estava fazendo com ele? De novo! Não... ele não deixaria, dessa vez não. - Ah desculpe... - Eloise piscou assustada. Ele parecia pronto para esganá-la. Áureo se decidiu. A seduziria, e descobriria tudo sobre ela. Bastava de ser refém de Julienne, Eloise, seja qual o nome que fosse. - Não tem problema. - Áureo sorriu, aquele sorriso que ele sabia que era o seu melhor, capaz de encantar qualquer mulher. - O que disse? Eloise estranhou a repentina mudança de atitude do homem, mas forçou um sorriso. - Que tal um Macchiato? - Começaria com uma mudança pouca, só um expresso manchado de leite. Viu ele franzir o cenho brevemente, mas ele assentiu. - Um macchiato. - Áureo repetiu, pensando que detestava leite. Eloise foi preparar o café, em sua mente rodando a mudança de olhar dele. O que se passava com aquele homem? Quem era ele? Porque insistia em olhá-la sem parar? Virou-se para entregar o café, e mais uma vez, estavam lá os olhos perdidos e brilhantes a encarando. - Aqui. Espero que aprecie. - Ele assente e dá um gole. Áureo franze o cenho e a encara. - Está muito bom! - Prova novamente. Desde quando passou a gostar de leite? Assentiu enquanto olhava para xícara de café, então olhou para a mulher, a sua frente, que tanto o vinha desconcentrando. - Surpreendente! - Sorriu. E dessa vez, ele viu que os olhos dela brilharam, aquele sorriso a atingiu, e ele nem imaginava, mas ela conseguiu ver sinceridade nele, naquele sorriso. Eloise passou a ficar ansiosa todas as manhãs ao abrir a cafeteria, esperando por Áureo. Ele chegava e pedia um expresso duplo, depois aceitava uma sugestão dela. - Capuccino. - Áureo engoliu seco, mas assentiu. Dona Márcia, observava os dois e escondia o sorriso. A filha nunca foi de namorar, ela tinha esperança que ela se interessasse pelo amigo, Lucas, que era um bom homem. Mas pelo jeito ela não tinha nem ideia de fazer isso. Apesar de achar aquele homem misterioso, ele vinha parecendo mais simpático a cada dia. E a filha parecia interessada... - Ahn, Eloise... - Áureo sentia seu pulso acelerar. - Sim! - Eloise sorri para o homem a quem ela estava gostando da presença, apesar dos olhares desconcertantes. - Gatinha! - Eloise ergue os olhos e abana para o amigo. Áureo sente um fogo o dominar, e se não fosse por estarem em público ele teria voado, literalmente, no pescoço daquele i*****l e teria o decapitado para aprender a não se intrometer em seus assuntos. Gatinha? Mas que m***a era aquela? - Só um momento. - Eloise se afasta do homem que a faz tremer e vai atender seu amigo. - O que seria hoje, seu polícia? - Lucas solta uma gargalhada. Ele vinha percebendo a presença daquele homem esquisito no café. Na primeira vez que viu aquele homem lá, percebeu que ele não desgrudava os olhos de Eloise. Mas era diferente dos outros tantos. Ele parecia que a engoliria, literalmente, a qualquer momento. - Que tal uma sugestão? - Lucas sabia que ela amava surpreender. - Mentira! - Eloise dá um pulinho e bate palminhas. Lucas ri alto e ela ergue o dedo e se vira para fazer uma surpresa ao amigo. Lucas vira o rosto e encontra os olhos raivosos do estranho. - Senhor! - Cumprimenta-o, mas não obtém retorno. Fica encarando o homem até que Eloise volta e lhe entrega uma enorme taça com um café que ele provavelmente não ia gostar. Áureo se levanta da banqueta em que estava sentado na beira do balcão e se dirige a mulher que era o seu mais novo alvo. - Eloise. - Ah, desculpe... sim? - Eloise sorri para ele, sentindo o coração disparar. Estava ficando preocupada com esses disparos de coração. Estava sendo tola em se sentir atraída por um estranho, esquisito ainda. - Gostaria de convidá-la para jantar. - Eloise paralisa o sorriso. O quê? Ele convidou-a para sair? - Hoje à noite. - Áureo pensava em hipnotizá-la para que ela aceitasse de uma vez, mas não tinha coragem de desrespeitá-la assim. Enquanto pensava travava os maxilares, então ouvia-a responder baixo. - Tá... - Eloise estava em transe, aquele homem gato, estranho, mas muito gato, a tinha convidado para sair? Um jantar? Era um encontro? - Te pego as 19 horas. - Áureo diz percebendo a confusão nos olhos dela. Então sai a deixando ali desesperada, pensando em que roupa enfiaria, sendo que só tinha jeans e camisetas. Lucas observou a cena em silêncio, até o homem sair. - Vai sair com esse maluco? - Ei! - Eloise ri do amigo, porém ela meio que concorda, mas não admitiria. - Ele não é maluco! - Você já viu como ele te olha? - Ele deve me achar bonita... - Eloise ergue as sobrancelhas dando de ombros. - E se ele for um psicopata e quiser teus órgãos? Porque eu vi um caso que ... - Lucas! - Eloise paralisa encarando o amigo. - Está me deixando com medo! - Há quanto tempo conhece ele? - Eloise ergue os ombros. - Umas três semanas? - Menos que isso, pelo que vi. - Bom, é pra isso que serve um encontro não é? Para conhecer uma pessoa. - Lucas franze o cenho. - Me manda a sua localização assim que sair de casa. - Eloise revira os olhos. Lucas era pior que um irmão mais velho. - Tá bom... - Jura! - Eu juro, eu juro... - Eloise ergue a mão, como se jurasse de frente a um jure. - Tão tá... - Lucas dá um gole no café e faz uma careta. - O que é isso? - Ah cala boca! - Eloise faz cara f**a para o amigo. - Vou trazer seu capuccino!
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