CAPÍTULO 2 - ROMAN

1854 Palavras
Uma enfermeira me disse uma vez que isso era bobagem, que é utopia essa coisa de por amor, mas amor significa também empatia, isso evita boa parte dos maus-tratos a idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. O lado positivo de ter alguém como mamãe é que faz você se tornar bom no assunto, saber de coisas que somente um médico especialista poderia saber, nos tornamos curiosos em coisas que não sabemos. Mamãe devia também gostar da pessoa que estaria com ela, tinha que ter uma empatia da parte dela, o Alzheimer também fazia seus momentos ruins, noite passada mamãe estava alucinando, pensado estar em Paris com papai, me fez sentar de frente a janela dela e olhar a cidade, enquanto encostou a cabeça no meu ombro e ficou procurando a Torre Eiffel, até pegar no sono. Falando assim parece adorável. Mas tempo atrás ela se esqueceu quem eu era, pensou que eu era um bandido e tentou me acertar com um abajur, na verdade ela faz isso as vezes, fica nervosa e até agressiva. Me deixa assustado e até sem reação. O que me assusta nessa doença fica sendo ser incurável e ter que tomar remédios que fazem ela ter um declínio de idade mais rápido. Gosto de não pensar sobre a morte e nem nada do tipo e nem como vai ser, gosto de pensar que ela vai ficar bem, que daqui um tempo vai ser avó e vai ser feliz até o último momento da vida dela. Olho a ficha da próxima moça, vinte seis anos, se formou faz um mês, apenas um registro em um mercado aos dezoito, depois disso nada, tinha apenas uma carta de referência de um médico do hospital geral, o mesmo que as vezes atendia mamãe quando era necessário. Já era uma coisa válida demais a recomendação dele. Recomendação de alguém que conhece o caso fica sendo válido. Escuto o barulho da porta e me levanto, saio do escritório e passo pela sala, onde mamãe está sentada no sofá, diante a mesa de centro, montando um quebra cabeça. - Acho que terminei. -Foi mais rápido que o anterior - Abro a porta, então vejo uma mulher loira parada na minha frente, veste uma calça jeans, uma camiseta clara e segura uma bolsa. - Boa tarde, senhor. - Você deve ser - Tento me lembrar do nome no currículo, mas por um segundo eu me esqueço, encaro aqueles olhos, parecendo que eu já os vi antes. Suspiro fundo. Eu me lembraria se conhecesse ela de algum lugar. - Melina, Melina Cruz, muito prazer - Ela ergueu a mão e me cumprimentou, observei ela e a forma sutil de se mexer e até a postura. A sensação de conhecer ela de algum lugar me pegou e logo me lembrei da recomendação dela, devia ser do hospital. - Por favor, entre - Ela se mexeu e entrou, parando diante a sala e olhando para o centro de tudo. Ela era magricela, não usava maquiagem e estava no tom mais natural dela, não era f**a e nem nada, era até bem mais bonito, parecia bem mais nova também. - Essa deve ser dona Amélia, o doutor me falou dela e do caso dela. - Isso já me adianta alguma coisa. - Eu acabei de me formar e quando soube da vaga, preferi arriscar aqui do que no hospital. - Não gosta de hospitais? - Gosto, mas não é minha área de atuação. - Tem experiência antes da enfermagem? - Um pouco da adolescência até meus vinte anos, depois somente a faculdade. Fala ela, bem resguardada. Até gosto da parte reservada, mas aberta, embora não diga tanto sobre ela. - Não tinha referências da área no seu currículo - Me aproximei do sofá e me sentei ao lado da minha mãe. - Por favor, sente-se. - Quem é a moça? - Mamãe pergunta, encarando ela agora. - Essa é Melina, ela vai nos fazer companhia talvez. - Oh, que bom, vou pegar um café para gente - Mamãe se levanta, vejo a garota observar ela. - Ela tem um grau de independência quando está tranquila e relaxada senhorita Melina, mas tudo fica pronto, só precisamos acompanhar ela, ela pode chegar na cozinha agora e se esquecer o que foi fazer, acabar trocando o café por outra coisa. - O doutor disse que você cuida bem da questão da medicação e até desenvolvimento dela, fazendo ela ter um controle bem efetivo. - Sim, também passamos a fazer com elas algumas atividades que estimulem ela e faça ela passar o tempo e trabalhar a cabeça. - Quanto aos cuidados pessoas? - Ela ainda não gosta que deem banho nela e nem aceita ajuda, nessa caso fica só a companhia e ajuda pra se vestir. Ela come bem, mas as vezes não, tem períodos que ela precisa tomar vitaminas por falta de apetite, onde ela se recusa a comer, sendo as vezes necessário reforçar a imunidade dela contra viroses e até coisas do tipo. - Como ela é nas crises? Fico surpreso e me vejo sendo entrevistado, não sendo o entrevistador. Gosto disso. - Depende, as vezes ela é calma e as vezes mais agitada, mas nunca teve históricos de machucar ninguém e nem fazer nada do tipo com ela mesma - Encaro ela, noto o nariz fino e a boca de lábios finos, as bochechas avermelhadas e até a forma que ela tem uma falha em uma das sobrancelhas delas. - Sabe da disponibilidade? - Sim, integral. - Você iria da segunda até o fim de semana, talvez peça e pague para ficar um dia a mais por conta do meu trabalho, mas isso fica sendo combinado por fora e quase nunca acontece. Tenho o quarto extra para acomodações, mas peço que durmam no mesmo que ela. Alimentação por conta minha, transporte temos o carro dela, vi que dirige. - Sim, desde os meus vinte. - Que ótimo. Tem o vale transporte se precisar, caso não precise o valor substancial vá pra sua conta salário, que sai a média ofertada de início, pago um adicional para ser mais satisfatório. Mamãe volta com a bandeja e deixa as xícaras na mesa. - Está quente, acabaram de passar - Mamãe se aproxima dela segurando uma das xícaras e entrega para ela. - Você me lembra uma amiga que eu tive a muito tempo, ela era bonita e jovem, eu não me lembro onde ela foi parar, mas eu gostava dela. Ela também gostava de montar peças comigo. - Minha mãe adorava peças, ficava montando o dia todo, dizia que passava o tempo era a solução pra ansiedade dela. - Sua mãe é esperta, meu menino diz que tenho que deixar a mente produtiva, eu sempre falo que faço isso. Ranya me defende, minha menina mais nova, mas ele teimoso que nem uma mula. - Eu estou aqui, mamãe. - Não, meu filho é novo. Você é muito grande para ser ele. Eu dou risada. Vejo a loira dar um sorriso, de novo a sensação de conhecer ela me toma. Céus! Mamãe parece não ligar com a presença dela e gosto disso. Ela se aproxima e se senta ao meu lado, pegando a xícara. - Estaria disposta a vaga? - Sim, sim, eu tenho disposição, sou nova, mas vou desempenhar muito bem as funções necessárias e fazer a oportunidade ser gratificante entre mim e vocês. Aquilo me agrada. A maioria sempre fala das experiências. Mas ela está falando em fazer a oportunidade ser gratificante. Isso as vezes me leva a gratidão. Quero um dia ser grato a uma pessoa como fui com Jana, que cuidou dela por tanto tempo. Quero alguém que me entregue isso. Suspiro fundo. Bem, havia gostado dela. Parecia calma e até suave, delicada e companheira. - Pode começar na segunda? Gosto de fazer uma semana de teste, assino os papéis no fim da semana e acerto a semana, assim começamos depois da forma certa. - Pra mim está ótimo. - Você vai gostar daqui, nas quartas e sexta temos peixe, não é filho? -Sim mãe, isso mesmo. Ela se levanta. - Bem, então nós vemos na segunda, trarei algumas coisas pra passar a semana e ver como ocorre tudo. Agradeço muito a oportunidade senhor Keller. Observo a voz. O tom me lembra algo, só não sei o que. - Ótimo, mamãe, diga tchau para Melina, ela volta na segunda. - Fique em paz Melina, até breve. Ela acena para ela, da um sorriso e minha mãe retribuo, uma sendo simpática com a outra. Abro a porta e vejo ela sair, vejo ela parar e se virar. - Obrigado pela oportunidade, por ser nova na área e não ter atuado tanto ainda, muitas pessoas não dão o braço a torcer. - A oportunidade é sua, se você quer ela, vai saber aproveitá-la. - Um bom fim de semana para o senhor. - Pra senhorita também. Vejo ela sair pra longe, até dou uma olhada nela por costas, a b***a redondinha e pequena, as pernas compridas e o jeito de andar tranquila. Bem, eu esperava que ela se saísse bem, não queria fazer ou entrevistar mais ninguém. Também havia gostado dela. - Gostei dela - Vejo minha mãe falar, enquanto fecho a porta. - Sim, ela parece ser boa, vamos ver como ela se sai. - Ela vai se sair bem - Pego as xícaras e coloco na bandeja, até sair e ir para cozinha. Observo o tempo e pego o celular. Bem, precisava ajeitar alguma coisa pra essa noite. Ranya iria aparecer por aqui daqui a pouco e ela poderia ficar com mamãe. Disque o número, esperando ser atendido longo, no segundo sinal deu linha. - Pronto. - Sou eu, conseguiu marcar com ela pra mim? - Chefe, eu não consegui, mas tenho uma notícia não muito boa, a Leona deixou a casa, ela não está mais com a gente e não vai mais atender, até pensamos que iria atender mais alguns clientes especiais, como você, mas infelizmente não. Algo me faz lembrar o motivo de chamarem ela de Leona, a grande tatuagem de leão nas costas dela. - Não pode me dizer onde posso encontrar ela? - Não posso, temos um acordo com elas, vida pessoa e vida pessoal. - Céus, logo agora. - Posso arrumar alguma outra. - Não precisa, eu estou bem. - Vai achar uma como ela em breve, esperamos você aqui. Desligo, bem, não teria a diversão adulta de hoje e nem meu passatempo. Bem, montar peças parece uma opção. AVISO IMPORTANTE - Mais um capítulo fresco pra vocês (FINALMENTE), para ficar por dentro da história de Roman e Melina, adicione o livro na biblioteca com todo amor e carinho do mundo, comente sempre nos capítulos! Assim eu vou poder saber o que vocês acham do livro e se estão gostando, além de me deixar ainda mais empolgada, deixe suas palavras maravilhosas pra mim ou me sigam para receber novidades e atualizações diárias, além de novos livros incríveis que temos aqui na plataforma. Até amanhã com mais um capítulo fantástico. Att, Amanda Oliveira, amo-te. Beijinhos. Hehehehe até logo!!
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR