Malu narrando Os fogos rasgavam o céu da Rocinha como se fossem estrelas em fúria. Cada estampido fazia o meu coração se encolher ainda mais. O barulho da música explodia nas caixas de som, e a favela inteira parecia pulsar com a volta dele. Gritos, tiros para o alto, gargalhadas. Para eles, era uma noite de vitória. Para mim, era a sentença da minha prisão. Eu me olhava no espelho, os olhos vermelhos de tanto chorar, tentando apagar o desespero do meu rosto. Não adiantava. Fernanda já tinha me avisado: “disfarça essa cara de choro, ou ele vai perceber”. Eu sabia que ia perceber de qualquer jeito. Perigo sempre percebeu tudo em mim — até quando eu tentava esconder. Vesti a roupa que tinham deixado em cima da cama. Um vestido simples, justo demais para o meu gosto, e desci com as pernas

