Era meio dia, Roberto entrou no restaurante onde seu irmão sempre almoçava e encontrou Henrique quase dormindo na mesa, ele encarou algumas manchas de tinta no cabelo e pescoço, seus olhos estavam caídos, mas um sorrisinho no canto da boca.
- O que aconteceu com você? -perguntou vendo a cara de sono e sentando na cadeira.
- Como assim?
- Está com cara de quem virou a noite acordado, isso no seu cabelo é tinta?
- É que ontem eu invadi um galpão, com um rapaz muito louco, então nós caímos em um buraco e começamos a pintar tudo, depois fugimos da polícia. -disse devagar e quase dormindo no meio das palavras, as quais não faziam o menor sentido para quem as ouvia, afinal Henrique nunca foi do tipo que se aventurava, sempre se manteve quieto e fazendo apenas o correto.
- O que?! -Roberto fez cara de revolta, enquanto ele sorria. - Você m*l se separa e já está se metendo em confusões com um rapaz desconhecido, explique essa história direito!
- Não tem o que explicar, só foi a melhor coisa que já fiz desde que terminei a faculdade. -o sorriso misturado ao rosto detonado pelo sono faziam o homem parecer um louco, mas um louco feliz.
- Não me diga que agora deu para se envolver com homens?!
- Claro que não, só nos divertimos um pouco, não há nada de m*l nisso, além do mais ele deve ser bem mais novo.
- Mas então por que estavam fugindo da polícia?!
- Roberto, para de tentar controlar a minha vida, o importante é que eu não me sentia daquele jeito a muito tempo, foi ótimo, vai cuidar da sua vida, que da minha cuido eu.
- Sou seu único irmão vivo, temos que cuidar um do outro!
- Cuidar não significa mandar no outro, eu sei que você tem seus problemas, deveria ficar mais neles que são bem piores que os meus, agora tenho mais o que fazer, até mais!
Henrique deixou um dinheiro na mesa e saiu. Enquanto terminava seu trabalho, pensava se deveria ir até o shopping meia noite, ou se era muita audácia querer rever o rapaz, talvez ele nem estivesse lá, só disse aquilo para rir da cara do homem, com certeza poderia se divertir com outras pessoas mais jovens e com vidas mais emocionantes que a dele. Mesmo assim Henrique saiu do trabalho, foi para casa, se arrumou com a roupa mais despojada que tinha uma calça jeans, blusa roxa social e sapato preto, não haviam opções melhores já que sua vida era no escritório ou em festas de alto padrão. Assim seguiu para o shopping, a maioria das pessoas estava saindo, foi quando sentiu alguém pular em suas costas, como se tivesse muita i********e.
- Oi cachaceiro! -Henrique nem se virou, tinha certeza que era o rapaz da noite passada, aquela voz de criança só poderia ser dele, segurou as pernas do jovem e começou a o carregar. - Avante senhor cachaceiro! -pediu apertando a cintura do homem com as pernas.
- Eu não sou cachaceiro!!! -gritou enquanto entrava no shopping. - E muito menos senhor! -o rapaz desceu das costas dele e o encarou de frente, ele usava calça azul e uma blusa cheia de unicórnios, Henrique com certeza acharia aquele visual um ultraje em qualquer outra pessoa, mas no rapaz considerou algo fofo.
- Sei disso, só estava brincando... Vai se juntar a mim novamente?
- Até queria, mas o shopping já vai fechar. -afirmou pensando em fazer coisas comum, como tomar sorvete, assistir um filme e olhar as lojas.
- Melhor ainda!
O rapaz pegou Henrique pela mão que não fez qualquer objeção, o arrastou até o banheiro e entrou em uma das cabines com ele.
- O que vamos fazer? -perguntou vendo o rapaz mais perto e se sentindo levemente constrangido pela aproximação, ele era realmente bem bonito, tinha lábios carnudos avermelhados, que davam a Henrique uma ligeira curiosidade de saber como seria o beijar, nunca tinha beijado um homem, mas aquela curiosidade era antiga, a situação o fez pensar que talvez aquele fosse o momento.
- Vamos esperar. -disse cortando o clima que Henrique criou em sua mente.
- Para que?
- Não é óbvio, quando todos forem embora, saímos! -afirmou com um sorriso malicioso.
- Você não sabe fazer coisas, em que não corra o risco de ser preso? -o rapaz riu. - Tudo bem, mas pode me dizer seu nome?
- Não.
- Por que não?
- Não quero.
- Ok... Então o que fazemos enquanto isso?
- Quer se masturbar? -perguntou sério, Henrique ficou vermelho, até aquele momento tinha uma visão, um pouco inocente do rapaz, apesar de tudo o que havia acontecido.
- Sério?
- Estou brincando! -respondeu começando a rir. - Sua cara ficou engraçada!
O homem se sentiu um pouco aliviado, mas ao mesmo tempo pensando, como seria fazer "aquilo" com ele. Passaram alguns minutos, um guarda passou no banheiro, mas só olhou por debaixo das cabines, em seguida as luzes se apagaram, o rapaz colocou os óculos estranhos de novo e abriu a porta do banheiro.
- Pronto para uma aventura no shopping vazio? -perguntou saindo animado.
- Não, mas vamos lá. -o rapaz saiu correndo, rindo.
- Tente me alcançar!
- Volta aqui seu louco!
Henrique saiu correndo atrás dele, o rapaz foi até o parque do shopping, entrou em um brinquedo enorme, que era um labirinto para as crianças, no final dele havia um escorregador, indo direto para uma grande piscina de bolinhas, Henrique foi atrás dele, como eram muito grande, foram engatinhando pelos labirintos, o homem tentava puxar o pé do jovem delinquente, que fugia jogando alguns brinquedos que encontrava no caminho, na cara de Henrique, quando finalmente chegou no escorregador, o rapaz parou, mas foi empurrado e eles escorregaram para dentro da piscina, onde começaram a tacar as bolinhas um no outro.
Ao sair da piscina de bolinhas, o rapaz correu para a máquina de pegar brinquedos, Henrique foi atrás dele, colocou algumas moedas dentro, o jovem tentou pegar um urso, mas falhou, Henrique tentou também e conseguiu pegar o urso de pelúcia cinzento com um coração no meio, como o rapaz fez cara de cão sem dono, ele acabou entregando o bichinho.