Parte XXII

952 Palavras
Emily fitava o vazio, sentindo seu peito arder. Fazia dois dias que não via Adam. Não havia recebido um bilhete ou uma visita. E também, não saia do seu quarto. Perseu havia mandado um girassol para ela e um bilhete. Cara Emily, Sinto muito pelo que houve. E por meu temperamento. Jurei que não contaria o que fiz por você, justamente temendo que Adam visse com maus olhos meu auxilio. E no fim, não houve como esconder a verdade. Talvez, se tivéssemos sidos sinceros, nada disso teria acontecido. E me culpo por isso. Será que pode me perdoar? Aceite essa flor, como sinal de minha amizade e devoção. Assinado, P. Harris.   Emily guardou o bilhete e releu várias vezes. A flor enfeitava sua penteadeira e ficava feliz pela amizade que Perseu devotava a ela. Como queria que Adam fosse compreensível como Perseu. Queria tanto se entender com seu noivo. E Mikael tentava anima-la, fazendo-a sair de casa, passeando com ela por Hide Park. Mas, isso não a animava em nada. - Eu tentei falar com ele, sabe – disse Mikael, segurando sua irmã pelo braço, enquanto andavam pelo parque – Ele apenas disse que precisa pensar. Não vai romper o compromisso. Garantiu-me isso. Emily assentiu, mas ainda assim, sentiu seu peito afundar. E os pesadelos se intensificaram aqueles dois dias. Era estranho como aquele homem que a perseguia a olhava, como se tivesse vencido alguma batalha. Eram coisas que ela não compreendia. E cada vez mais, retratava seu rosto em seus quadros, que pintava as escondidas. Era queria entender se aquilo era real ou sonho. Mas, era claro. Precisava ser racional. Era apenas um sonho r**m. Tentou dizer a si mesma que o homem dos seus pesadelos era representação do seu medo de ser aprisionada. E não era uma mentira. Ela não conseguia se imaginar em um casamento assim. E se realmente fosse assim com Adam, iria desistir, mesmo o amando muito. E uma semana havia se passado. Adam não havia se manifestado. Emily se absteve de ir aos ensaios aquela semana. Mais um conserto aconteceria no teatro de Perseu, mas ela queria pensar. E ficar sozinha. Perseu enviou mais um de seus bilhetes, mas dessa vez, com uma caixa de bombons. Ela comia, enquanto lia o bilhete. Mikael estava em seu quarto e ela ofereceu o restante. Ele devorou todos. - De quem é? – perguntou ele. - Ah, eu comprei – ela mentiu. Não queria explicar que havia recebido de Perseu. Não parecia certa. E no bilhete estava escrito: Cara Emily, Você faz falta nesse teatro. É a beleza e encanto desse lugar. Eu não havia percebido o quanto você é especial, apenas no momento em que você não se encontra mais por perto. Quando executa uma música em seu violino, sinto me transportar para paragens maravilhosas. A melodia da sua música é leve. E não somente isso, seu jeito de falar e pensar me encanta. Tua voz me enfeitiça, Emily. E espero que em breve, esteja de volta entre nós. Com meus mais votos sinceros que esteja bem, Assinado, P. Harris. Ps.: Espero que os chocolates sejam do seu gosto.   Emily riu. Ele estava flertando com ela, isso era óbvio. E isso não passou despercebido por ela. Mas, Emily não se importava. Gostava de conversar com ele. Na verdade, cada vez mais gostava dele. E sentou-se em sua escrivaninha, assim que Mikael saiu, para escrever para ele.   Caro Perseu, Gostei das flores. São da amizade, presumo? É muito conhecedor das flores, ou é impressão minha, apenas? Se for, isso me alegra muito. Pois, amo as plantas. Elas são o que colore nossa vida. E hoje, o girassol que me enviou alegra meu quarto. Sobre eu ser o encanto do teatro, duvido muito. Está me bajulando, senhor? Pois, se estiver, saiba que não costumo gostar disso. E sobre executar tão bem, acho que sabemos quem me auxiliou nisso. O senhor melhorou muito meu desempenho, até mesmo Mikael só tem me elogiado. Vou confessar algo a você: eu amo pintar. A música é apenas um hobbie. Mas, o que eu queria era ter um quadro meu exposto. Compreende o que digo? Seria meu sonho. E estou muito bem, obrigada. Espero que o senhor também esteja bem. Um até breve. Assinado, E. Leblanc. Emily despachou o bilhete por um menino que passava na rua e entregou algumas libras a ele. Ficou se sentindo estranha por fazer aquilo, mas de algum modo, Perseu lhe despertou o animo. Sentia-se vazia sem Adam. Parecia que toda sua felicidade foi embora. Mas, Perseu conseguia lhe distrair. Gostava da sua amizade. E Perseu, ao ler seu bilhete, ficou extasiado em saber mais sobre Emily. Perseu queria flertar com ela, ter mais alguma maneira de envolvê-la e no fim ele se sentia envolvido. Sentia até mesmo saudades de vê-la naquele teatro. Não mentira quando escreveu seu último bilhete. Ela era o encanto daquele teatro. A música não tinha a mesma graça ou emoção. Descobrir novos talentos não lhe movia mais. O que lhe movia era Emily. E como a queria para si. Como desejava poder tê-la em seus braços. Sentia-se m*l, ao pensar, que fazia isso sem nenhum escrúpulo. Tentava arruinar um noivado e acabar com a felicidade do seu irmão. Nunca havia recorrido a isso. Podia ser um libertino, mas sempre estava com mulheres que não amavam seus maridos e eram muitas vezes esquecidas e até maltratadas. Pensava se valia a pena todo aquele esforço. Mas, sua inveja da felicidade de Adam, aquela que ele não tinha nem sabia, falava mais alto no seu intimo. E sentia sua consciência pesar. Será que valia o esforço destruir seu irmão, para ter sua própria felicidade? Ele não sabia responder.
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