Quando Marcos falou isso a mulher o olhou com olhar incrédulo, pois ela não podia viver longe deles pois suas filhas e a sua neta são a razão da sua vida! Sendo assim depois de pensar por um tempinho ela os olhou e disse:
—Tá bom, eu vou contar tudo desde o início!
Então depois de respirar fundo várias e vezes, ela começa a falar:
—Eu sempre soube que um dia eu ia ter que te falar a verdade, mas imaginava que seria em meu leito de morte e não assim, não tão cedo!
—Cedo! Você acha isso cedo, você realmente perdeu mesmo a noção! — Anne falou revoltada...calma Anne, deixa ela continua, vamos acabar logo com isso — ele falou pegando no ombro da esposa.
—Sim, meu amor, você tem razão!
—Anne faz sinal com a mão para que a mãe continue. Em seguida a mãe continua.
—Anne, quando eu conheci seu pai.
—O Gesto! — Perguntou Anne.
—Ele, mesmo! Depois de alguns meses ele ainda sofria muito pela traição da mulher a mãe da Jane, que o abandonou com uma filha ainda bebê com apenas meses de vida. Eu o amei desde o primeiro momento que nós nos conhecemos, mas mesmo já saindo comigo ele não parava de pensar nela!
Eu achava que se ela aparecesse na frente dele e pedisse perdão, ele a perdoaria imediatamente e voltaria pra ela sem pensar duas vezes! Então pra não perdê-lo eu deixei de me prevenir para pode engravidar e fiquei muito feliz quando conseguir, mas quando eu contei pra ele, eu vi que ele não ficou tão feliz com a notícia como eu imaginava, naquela época, me bateu um desespero eu falei pra ele que iria tirar o bebê, mas ele pediu pelo amor de Deus pra eu não fazer, porque ele iria se casar comigo já que ele era divorciado e queria seguir com a sua vida! Então eu resolvi não fazer, tudo estava a mil maravilhas, a gravidez correu bem, sem surpresas! Mas quando nós estávamos em uma viagem eu comecei a me sentir estranha mesmo faltando um mês pra você nascer, naquele dia eu e seu pai ficamos desesperados, pois nós estávamos em uma estrada num lugar totalmente estranho, foi quando a minha bolsa estourou e ele dirigiu até um posto de gasolina e perguntou onde ficava o hospital mais próximo? Os homens falaram, e seu pai entrou no carro desesperado e seguimos pra lá, foi tudo muito rápido e eu dei a luz a uma menina linda! fiquei muito feliz pois eu vi que com aquela criança seu pai ia com certeza esquecer de vez a sua ex mulher, mas naquela noite chovia muito, muito mesmo sabe esses temporal com relâmpagos e trovoadas que chegava a iluminar o quarto todo, a minha bebê estava no bercinho de acrílico ao lado da minha cama, eu tinha dado mama a ela e a coloquei lá pra ela dormir e eu também, eu estava muito cansada, estava exausta na verdade, então em um momento ouve um estrondo eu acordei assustada tinha sido um trovão desses bem forte, acordei com o meu coração batendo muito forte, eu coloquei a mão na bebê — nesse momento dona Cleyde chora muito, mas mesmo em prantos ela continua a contar.
—Quando eu coloquei a mão nela senti que ela estava fria, muito fria, quase gelada, eu fiquei desesperada me levantei depressa e fui até ela a peguei e vi que ela não se mexia, eu levei o seu rosto até o meu nariz e senti que não respirava, eu coloquei o dedo no nariz dela e realmente ela não estava respirando! Eu corri pro corredor para pedir ajuda! Foi quando, passei por um quarto e vi aquela mulher, eu já tinha visto ela mais cedo, ela também estava passando m*l, ela chegou quase junto comigo e nós trocamos algumas palavras e eu sabia que a bebê dela também era uma menina, então eu entrei e vi que ela estava em um sono profundo. Nesse momento eu tive a ideia de trocar as bebês e assim eu fiz rápido, mas com muito cuidado pra não fazer barulho pra não acordá-la e nem chamar atenção de ninguém! O corredor estava vazio então isso facilitou muito, depois que eu troquei as pulseirinhas e as roupinhas deixei a bebê sem vida lá e sai com você nos meu braços, voltei pro meu quarto e me deitei com você nos meus braços não te larguei mais pra nada.
Meia hora mais tarde, ouvi os gritos da mulher e foi uma correria pelos corredores começaram a fazer uma ronda em todos os quartos pra ver se estava tudo bem com os outros bebês! Eu perguntei pra enfermeira que entrou no meu quarto o que tinha acontecido? Claro que eu já sabia, mas eu precisava disfarçar então perguntei:
—Que gritos foram esses?
Ela então me falou que o bebê do quarto ao lado tinha falecido e os gritos eram da mãe! Eu fiquei bem quietinha na minha, mas, com muito medo de ser descoberta. De manhã cedo, quando o dia clareou, o médico veio fazer a ronda, eu exige que ele me desse Alta e quando ele disse que não podia que só no dia seguinte, eu fiz um escândalo dizendo que não ia ficar nem mais um minuto naquele hospital no qual já tinha morrido um bebê, eu fiz um escândalo tão grande que o médico não teve outra escolha a não ser me dar alta. Seu pai que tinha chegado na hora que eu estava desesperada fazendo um escândalo, falou pro médico que seria melhor que ele me liberasse, então, assim o médico fez me liberou, e nós saímos de lá imediatamente voltamos pra nossa casa e logo depois que nós nos casamos nós nos mudamos pra cá e aqui ficamos até hoje! Então Anne, eu não sei quem são seus pais! E nem onde eles estão! Isso é tudo! O resto você já sabe. Anne, eu te peço perdão, eu não pensei em nada e nem em ninguém, eu só queria a minha filhinha respirando de novo nos meus braços! E de como eu ia dar aquela notícia pro seu pai, como eu ia dizer pra ele que a nossa filha tinha morrido, ele não ia aguentar, ele já tinha passado por uma decepção, se ele perdesse aquela bebê, como ia ser a nossa vida, eu temi em perdê-lo! — Ela fala em prantos. Nesse momento, Anne grita com a mãe.
—Você é uma mulher horrível, você só pensou em você mesma, não vem me falar que você temeu por ele, Porque não é verdade, você temeu por você, só por você! Você temeu em perdê-lo e perder a boa vida que ele ia te dar. Mas em momento nenhum você pensou naquela pobre mulher na qual sofreu ao pegar aquele bebê morto nos braços, você pensou nela?
Você em algum momento sentiu remorso por ter feito isso com ela?
Você sentiu remorso por ter trocado os bebês? Claro que não! Você nem se importou em enterrar o seu próprio bebê. Mãe você em algum momento teve remorso de ter visto a agonia daquela mulher na hora que você escutou os gritos de horror dela? ao perceber que aquela bebê não respirava, uma bebê que nem dela era e sim sua! Como você pode, ainda vem me dizer que fez isso por amor, que amor é esse que você diz ter no seu coração, isso não é amor! Porque quem tem um coração cheio de amor não faz ninguém sofrer como você fez. Eu vou encontrar aquela mulher e vai caber a ela se vai lhe perdoar ou não! Agora eu te pergunto o que você acha mamãe? Você é digna de receber perdão daquela família?
Já que você não amou o próximo você acredita que ele possa lhe amar a ponto de lhe perdoar?
Não precisa me responder porque eu não quero saber, só quero que você vá embora e nunca mais entre na minha casa.
—Anne!
SAI DAQUI! —Anne gritou e correu pro quarto da filha, pegando-a nos braços e segura-a firme como se alguém quisesse tirá-la dela.
De pé na porta Marcos fala:
—Dona Cleyde vai embora, pois eu preciso ver como ela está!
A mulher não se mexe nem um centímetro, ela simplesmente travou com a ira da filha.
Marcos se aproxima e coloca a mão no ombro dela a libertando do travamento. Quando ela desperta e vê o genro de pé com a porta aberta ela sai sem dizer uma palavra muito atordoada. Depois de fechar a porta ele corre pro quarto a procurar da Anne mas não a encontra, olha no banheiro e não a encontra, ele vai até o quarto da filha e ao abrir a porta se depara com aquela cena, ela chorando muito! abraçada a filha e falando: Você é minha, você é minha, você é meu bebê! Você é tão pequenininha, tão frágil, como alguém tem coragem de tirar um bebê assim dos seus pais, como, como.
Marcos de pé na porta não aguentou ele se abaixou alí mesmo na porta e começou a chorar, e chorou muito a babá que não estava entendendo nada saiu os deixando sozinhos.