Clara caminhava lentamente pelo tapete vermelho que se estendia do elevador até o altar, como se o mundo ao seu redor tivesse desaparecido. O murmúrio discreto dos convidados, a suave melodia das cordas ao fundo e até mesmo o brilho das luzes de Manhattan ao entardecer tornavam-se meros coadjuvantes. Seus olhos estavam fixos em Rafael, o homem que a esperava no final do caminho. Rafael, imponente em seu fraque preto, parecia inalcançável. Mas ao vê-la se aproximar, algo em sua expressão mudou. Os profundos olhos azuis que normalmente emanavam frieza agora brilhavam com intensidade. Ele prendeu a respiração, como se Clara fosse uma visão celestial, linda além das palavras. Cada passo dela parecia cravar no peito dele a certeza de que não havia volta. Ele amava aquela mulher. Quando Clara

