O céu de São Paulo estava limpo naquela manhã, mas na sede da Guardian, nuvens invisíveis pairavam sobre cada passo, cada olhar, cada e-mail aberto com mais cautela do que o normal. Os corredores seguiam movimentados, mas havia algo sutilmente fora de eixo — como um leve ruído na frequência de uma transmissão que antes era cristalina. Mateo havia sido convocado para prestar esclarecimentos na Polícia Federal. O ofício chegou com o brasão da República em alto relevo, e uma linguagem formal demais para algo supostamente “protocolar”. O assunto: a estrutura de segurança interna da Guardian e qualquer possível ligação com a morte de Alex Gibson. Na delegacia, em uma sala envidraçada e sem adornos, Mateo manteve a postura impecável. O ar ali parecia mais frio do que no restante do prédio, e o

