CAPÍTULO 28

952 Palavras
♦️Lara O silêncio dentro da casa segura era quase ensurdecedor. Lara encostou as costas na parede da pequena sala, tentando recuperar o fôlego , não só pela fuga, nem pelo risco que quase os engoliu horas antes. Mas pelo beijo. Pelo jeito que Dante a segurou. Pelo jeito que ela correspondeu sem pensar. Pelo modo como tudo aquilo parecia… inevitável. O peito dela ainda subia e descia devagar, tentando encontrar um ritmo mais estável. O gosto dele permanecia em sua boca, quente, intenso, quase viciante. E, mesmo com a cabeça girando, uma única certeza pulsava nela: Ela estava perdida. Não no sentido r**m. Mas no sentido de que Dante tinha se tornado uma força gravitacional impossível de ignorar. Lara respirou fundo, tentando colocar os pensamentos em ordem. Mas logo a porta do corredor se abriu e Dante apareceu. Ele parecia tenso , ainda mais do que antes , mas havia algo diferente no olhar dele. Algo mais suave, mais próximo mais perigoso para o coração dela. — Matteo já saiu para averiguar o perímetro — ele disse, a voz baixa. — Estamos seguros por agora. Lara assentiu, mas não conseguiu olhar diretamente para ele sem lembrar do calor do beijo. Ele reparou. — Você está… — Dante parou por um instante, desviando o olhar como se tentasse encontrar a palavra certa. — Assustada? Ela respirou fundo. — Assustada, sim. Mas não pelo que você acha. Ele franziu o cenho. — Então por quê? Lara ergueu o olhar. E ali, finalmente, disse algo que vinha engolindo há dias. — Porque você mexe comigo de um jeito que não devia. A expressão dele mudou. Houve um brilho. Um risco. Um perigo completamente diferente dos homens armados que os perseguiam. — Lara… — ele começou, mas ela levantou uma mão. — Eu não estou dizendo isso para que você se afaste — ela continuou. — Mas para que você entenda o peso disso. Eu estou envolvida em algo que sempre prometi evitar: depender de alguém. Confiar em alguém. Entregar partes minhas que eu nunca ofereci a ninguém. O silêncio pairou entre eles. Dante deu dois passos para mais perto, e o ar pareceu ficar mais denso. — Eu sei — ele disse, a voz rouca. — E acredite, isso me assusta tanto quanto assusta você. Lara sentiu o coração tropeçar dentro do peito. Ele nunca havia admitido medo de nada. Nem de ninguém. — Você me faz querer… — Dante passou a mão pelos cabelos, frustrado. — Você me faz querer coisas que eu nunca quis. Coisas que não estavam no meu plano. Nem no meu mundo. Ele riu, sem humor. — E olha que o meu mundo é um inferno para quem se aproxima demais. Lara deu um passo até ficar frente a frente com ele. — Então por que me puxou para esse beijo? — ela perguntou, direta. Dante inspirou fundo, os olhos escurecendo. — Porque eu não aguento mais fingir que não te quero. E porque, por um segundo, eu pensei que poderia te perder hoje. A respiração dela falhou por um instante. Algo dentro dela cedeu. Não tinha mais volta. Lara tocou o braço dele, devagar um toque pequeno, mas que incendiou tudo. — Então não finge — ela murmurou. — Não comigo. Os olhos dele desceram para os lábios dela. Ela viu a luta interna. O conflito de um homem que vivia no limite entre instinto e controle. Dante se aproximou o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele. — Eu não tenho certeza se consigo ser… seguro para você — ele admitiu, baixo. — Mas eu sei que quero tentar. As palavras atingiram Lara com uma força inesperada. A garganta dela ficou apertada. — Ninguém nunca tentou por mim — ela confessou, a voz embargada. — Nem quando precisei. Nem quando implorei. Os olhos dele se suavizaram de um jeito que ela nunca tinha visto. — Eu não sou bom com sentimentos, Lara. — Ele passou a mão no rosto dela, o toque quente, firme. — Mas com você… eu estou aprendendo. Ela sorriu, pequeno, vulnerável. — Isso já é mais do que eu esperava. Dante abriu a boca para responder, mas o celular dele vibrou no bolso. Ele olhou a tela. O rosto dele perdeu toda a suavidade. — É o Matteo — disse ele. Lara engoliu seco. — Más notícias? — Possivelmente. Ele atendeu. — Fala. Lara observou cada músculo do corpo dele ficar em alerta. A postura rígida, o olhar duro, a respiração controlada. O Dante protetor e o Dante perigoso se misturando em um só. Depois de alguns segundos, ele guardou o celular. — Entra. Agora — ele disse, segurando a mão dela. — Vou te mostrar uma coisa. O coração de Lara disparou. — O que está acontecendo? — Matteo rastreou a mensagem de Rafael. — A voz de Dante era grave, cortante. — E descobriu a origem. — E…? Dante parou diante de uma porta reforçada, destravou o cofre ao lado e abriu. — O traidor não trabalha apenas para mim — ele disse, os olhos escurecidos. — Trabalha para alguém que você conhece. Lara sentiu o sangue gelar. — Quem? Dante a encarou por um segundo. — Seu pai. Lara ficou sem ar. — Meu… pai? Dante puxou de dentro do cofre um envelope grosso , cheio de documentos, fotos, registros de transferência, arquivos. — Seu pai está envolvido com Rafael há anos. E não só isso, Lara. Ele colocou o envelope nas mãos dela. — Ele apostou contra você no torneio anos atrás. E agora está apostando a sua vida. Lara sentiu o mundo girar. Nada seria igual depois daquilo. Nem ela. Nem Dante. Nem o jogo.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR