Lara A madrugada ainda pesava sobre a cidade quando acordei com o coração batendo rápido demais, como se meu corpo estivesse tentando me avisar algo antes mesmo que minha mente entendesse. O quarto estava mergulhado em penumbra, apenas o brilho suave de um poste atravessando a janela. Minhas mãos procuraram automaticamente o espaço ao lado frio, vazio, silencioso. Dante não estava ali. Por alguns segundos fiquei imóvel, a respiração presa entre as costelas. Parte de mim sabia que ele não tinha simplesmente saído para tomar ar. Outra parte rezava para que fosse justamente isso. Desde que havíamos voltado da casa antiga e das cartas que nos jogaram em um abismo de verdades, Dante estava diferente. Mais sombrio. Mais inquieto. Como se cada sombra se movesse contra ele. Levantei d

