LARA Nunca achei que o silêncio pudesse gritar. O salão do hotel em Monte Carlo estava cheio, luzes, murmúrios, apostas altas demais para mãos que tremiam escondidas. O torneio avançava, mas naquela noite não era apenas sobre cartas. Era sobre poder. Sobre quem sangraria primeiro. Eu sentia. Valença também. Sentei-me à mesa final com a coluna ereta, o rosto neutro, mesmo com o coração acelerado. Cada ficha à minha frente representava mais do que dinheiro. Representava minha família. Minha liberdade. Minha sobrevivência. Do outro lado da sala, ele observava. Valença não precisava se aproximar para me ameaçar. O olhar dele fazia isso por si só. Mas algo havia mudado. Havia pressa em seus gestos. Raiva contida. Medo. Ele sabia. As telas gigantes começaram a pisc

