Continua Capítulo 1.5

1244 Palavras
Parte 5... — Vai abrir mão da empresa - deu uma risada triste e raivosa ao mesmo tempo, andando devagar pela varanda — Da nossa empresa, é claro. Se não fosse por Yago nós nunca teríamos perdido o que já era nosso de direito. Ele trapaceou meu pai e o enganou, tirando o que deveria ser seu desde seu nascimento. — Meio estranho isso... O que ele quer em troca disso? O pai parou em frente a ele e colocou a mão em seu ombro. — Que você se case com a sobrinha dele. — Como é que é? - gargalhou sem acreditar — Ele é louco? Acha que vivemos em que século? - gargalhou de novo. — Louco ele deve ser com certeza - Kratus torceu a boca, concordando — Mas é isso o que ele quer para devolver a empresa diretamente para você. — Meu Deus - balançou a cabeça rindo. _ Não é para rir filho, é sério - disse sem traço de humor. — Pai, sabe que não penso em me casar ainda e a candidata jamais seria alguém daquela família nojenta. Imagine só, que absurdo. — Não é bem assim... Você já passou da hora de se casar Kostas - disse sério _ Tem trinta e oito anos e não tem filhos. Não acha que já chega de se divertir como um solteirão? E as suas responsabilidades? Como vai fazer, quando chegar em minha idade? — Eu trabalho muito, pai - rebateu. — Sei disso e tenho orgulho de você, mas daqui a pouco não terá mais idade para ser pai. Não pode ter filhos já velho, não vai saber criá-los. Quer passar o resto de sua vida sozinho, é isso? — Claro que não - se encostou na mureta — O problema é que procuro uma mulher diferente e que tenha certas qualidades que está difícil encontrar. Não quero que uma maluca dessas seja a mãe de meus filhos. Não quero crianças fúteis. — Filho, eu amo você, mas devo dizer que é machista demais, até para mim que o criei. Kostas recordou a última amante que teve e que havia dispensado três dias antes. Uma bailarina linda com corpo escultural, alta, loira e que fazia tudo o que ele queria na cama. Mas nem isso segurou seu interesse por muito tempo e o caso deles acabou após dois meses. — Eu quero me casar por amor pai e espero o mesmo da escolhida. Não tenho vontade de ficar pagando pensão para mulher que só quer fazer a vida. — Ora, se ainda não achou o que busca, por que não vê por outro ângulo? Se não for por amor, case-se para manter seu nome, para aumentar seus negócios e recuperar o que lhe foi tirado no passado - disse firme — Pode acabar gostando da garota. Não sabe ainda. — Não sei... Não sei mesmo. — Não seja teimoso Kostas - disse aborrecido — Se casar com a garota vai ter de volta o que é seu de imediato. Após a assinatura. De resto terá uma mulher em casa que lhe dará um filho. Todo helênico precisa manter sua linhagem. — Mas é só isso? - ergueu uma sobrancelha. — O homem está velho e cansado de fazer suas armações filho - disse um pouco mais relaxado — Ele é inteligente e sabe que vai morrer sem deixar herdeiros. Nenhuma mulher o quis e não vai ser agora que vão querer - fez uma careta — Os negócios dele estão passando por grandes dificuldades e ele não está conseguindo encontrar pessoas competentes o suficiente para diminuir seu prejuízo. Mas ele sabe que você tem grandes habilidades e sabe o que faz, reconhece seu valor. Ele só tem a sobrinha que ficará em problemas se ele perder tudo. Se casando com você ele garante o futuro dela e das empresas - puxou o ar fundo — E eu não gostaria que o que foi nosso um dia, vá parar nas mãos de outra pessoa. Aí ficará mais difícil recuperar. — Só acho que tem coisa aí nesse meio. Yago nunca foi conhecido como alguém que faz algo para ajudar outros e menos ainda ouvi falar dessa sobrinha. Que eu saiba ele é sozinho. — A moça foi criada longe daqui. A mãe a levou para longe quando era pequena. — Isso me preocupa pai. É estranho isso. — As vantagens são muitas para você. — E eu tenho que ser comprado com vantagens para me casar com uma mulher que eu nunca vi? - fez uma cara de dúvida e um som de deboche. Kratus suspirou um pouco desencantado com a teimosia do filho. Mas sabia que seria assim. — Por que não dá um voto de confiança? O benefício da dúvida? - deu de ombros — Só saberemos depois que tivermos conversado diretamente com ele. Yago trabalhou com meu pai e aplicou um golpe nele - fechou o semblante — Eu me sinto culpado por não ter dado mais atenção ao que acontecia com a empresa naquela época e paguei caro por isso. Perdi tudo e ainda perdi meu pai que me faz muita falta até hoje - abaixou a cabeça pensativo — Você foi minha salvação. Se não tivesse colocado a mão nos negócios nem sei onde estaríamos hoje. Eu estava deprimido, teria perdido tudo o que restou. — Não precisa relembrar isso pai - tocou seu ombro. — Os nossos advogados vão dar uma olhada no acordo e vamos esperar sua opinião antes de aceitar ou rejeitar o que seja. Isso lhe dará tempo para conhecer a garota. — É muito complicado achar que esse velho sacana e diabólico vai fazer algo que seja pensando em nossa família - ficou um pouco tenso — Não preciso e nem quero lembrar tudo o que ele já fez. Já nos prejudicou muito. Até mesmo com fofocas mentirosas. Yago não é flor que se cheire. — Sei que está certo sobre isso, mas ele me pareceu realmente arrependido e cansado. Até falou sobre o erro que fez com meu pai. Está velho e a consciência pesou. Kostas deu uma risadinha de descrédito. Era difícil de acreditar que Yago tivesse algum tipo de remorso. — Não sei se ele sabe o que significa arrependimento pai. Talvez esteja entediado por não ter uma briga há tempos e está inventando essa ideia de arrependimento para ver se caímos. Sou até capaz de seguir com isso só pra ver o final. Kostas agradeceu a nova taça de vinho que o empregado lhe trouxe. Já sabia que ele gostava de beber um bom vinho em sua varanda para escapar do calor que fazia em Atenas naquela época do ano. — Eu nunca ouvi falar dessa sobrinha - tomou um pouco do vinho tentando lembrar. — Ela vivia no Brasil com a mãe. Tenho certeza de que deve ser uma boa moça. — Eu não - ele riu — E se for uma peste igual ao tio? Ela tem o sangue dele, dos Demetrious. Deve ser complicada também. E aposto que deve ser f**a. E chata. Ou pior - gargalhou. — Não seja assim, Kostas. — Nós não sabemos nada dessa criatura, papai - ele gesticulou — E se ela tiver alguma doença genética que vai passar para os meus filhos? De que me serve? Katrus balançou a cabeça incoformado com as palavras do filho. Já era mais do que teimosia, era cisma mesmo.
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