Capítulo 73 Condor O galpão na beira da Zona Portuária era escuro, cheirando a ferrugem e gasolina. Lugar neutro. Sem câmeras, sem história. Ideal pra quem carrega sangue nas mãos e negocia com o olhar. Cheguei com CJ, Arcanjo e dois soldados de escolta. O Milico já tava lá, sentado numa cadeira de ferro, camisa polo justa no corpo roliço, pistola na cintura e um sorrisinho de deboche. — Achei que ia amarelar, Condor — ele disse, acendendo um cigarro. — Eu não fujo de conversa. Nem de guerra. — Bom saber. Ele fez um gesto e os dele se afastaram. Eu fiz o mesmo. Ficamos frente a frente, sem escudo. — Vim com uma proposta — ele começou. — Você manda na Providência. Eu comando a Zona Oeste. A cidade está rachada, mas a polícia está ferida. Juntos, ninguém segura. — E o que você quer

