CAPÍTULO 34 SOMBRA NARRANDO Já passei por tanta coisa nessa p***a de mundo que às vezes esqueço que ainda tô vivo. Nunca tive paz, desde pivete era só porrada da vida. Cresci sem pai, com uma mãe que vendia o corpo e o pouco juízo que tinha pra alimentar o vício. Fui criado no meio do tráfico, em barraco de madeira com goteira e ratos como vizinho. A rua me abraçou cedo e me ensinou tudo: a matar, a mentir, a calar. Me chamam de Sombra porque eu sou o que ninguém quer ver chegando. Fico no canto, observando, esperando a hora de agir. Nunca fui de muito papo. Quem me conhece de verdade sabe: quando eu boto na mente, nada nem ninguém tira. E isso serve pra tudo — inclusive pras mulheres. Não sou homem de amar fácil. Aliás, achava que nem sabia amar. Só comia e largava, sem olhar pra trás

