Capítulo 28

852 Palavras

Um dia leve; outro, o fundo do poço. Se existir é sentir, sentir algo de verdade, então às vezes estamos mortos. Por horas, mortos. E, por dias, mortos. Sem velório nem enterro. Aí se questiona: de onde vem esse vazio com eco de gritos presos na garganta? E, às vezes, o que se descobre é que a alma é oca e tudo que se falaram sobre sua beleza, profundidade e infinitude era propagada enganosa. Não há nada dentro de nós que não seja dúvida e medo. Como uma corrida de cavalos na hípica, dispara-se à explosão da largada e se dá tudo de si, exige-se dos músculos, a carne treme, os ossos doem sustentando o corpo, é preciso correr, correr, correr e nunca perder. Na reta de chegada o máximo de velocidade, o ar pesado entra pelas narinas arreganhadas, a boca aberta, falta pouco, falta pouco, você v

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