Senti o olhar intenso de Yanek queimando minha pele. Ele me observava com calma, como se estivesse esperando alguma reação. Seu rosto era impenetrável, mas seus olhos azul-escuros tinham um brilho enigmático, como se se divertissem com a minha confusão.
Ele caminhou até a mesa onde eu estava.
Cruzei os braços, tentando disfarçar o incômodo.
— Pode me explicar o que acabou de acontecer?
Minha voz era firme, mas por dentro eu estava em choque.
Yanek deslizou para a cadeira que Michael havia desocupado e recostou-se com a elegância natural de alguém acostumado a dominar qualquer ambiente.
— Você deveria me agradecer.
Disse ele, casualmente.
— Acabei de te salvar de uma grande encrenca.
Franzi a testa.
— Me salvar? Eu estava apenas jantando.
— Jantando com um grande i****a.
Ele rebateu, levantando a mão para chamar o garçom.
Abri a boca para retrucar, mas antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Yanek já estava pedindo um vinho, mencionando uma safra com certeza era algo que eu jamais teria dinheiro para pagar. O garçom assentiu respeitosamente e se afastou, deixando-nos sozinhos novamente.
Encarei-o com incredulidade.
— Você não acha que deveria me dar uma explicação antes de simplesmente tomar conta da minha noite?
Ele cruzou as mãos sobre a mesa, parecendo se divertir com a minha impaciência.
— Michael Bradford tem um histórico… problemático.
Disse, com a voz baixa e controlada.
Arqueei uma sobrancelha.
— Problemático como?
— Ele tem fetiches peculiares.
Disse, inclinando-se levemente para frente.
Senti um arrepio percorrer minha espinha.
— Era só um jantar.
Eu disse, defensiva.
Yanek soltou um leve suspiro, como se estivesse lidando com alguém ingênua.
— Michael convenceria você a algo mais.
Afirmou, com uma certeza que fez meu estômago revirar.
— Ele tem essa fama.
Engoli seco.
— E como exatamente você sabe disso?
Yanek inclinou a cabeça para o lado, um meio sorriso se formando em seus lábios.
— Digamos que ele já teve problemas antes. Alguns bem sérios.
Senti o desconforto crescer dentro de mim. Eu não sabia se acreditava completamente em Yanek, mas a intensidade com que ele falava não deixava muito espaço para dúvidas.
Ele continuou:
— Além disso, ele pode ser bem rude com garotas como você.
Seus olhos brilhavam com um significado oculto.
Garotas como eu.
Sugar babies.
Apertei os lábios.
O que mais me incomodava não era o jeito possessivo como ele falava, mas o fato de que, por alguma razão, a ideia de ser classificada como “mais uma garota” no meio de tantas outras fez algo se remexer dentro de mim.
— Eu consigo me cuidar sozinha, sabia?
Desafiei, tentando recuperar algum controle da situação.
Yanek riu baixo.
— Tenho certeza de que sim. Mas eu não queria que sua noite terminasse com você fugindo de um hotel chorando.
A forma despreocupada como ele disse aquilo me fez estremecer.
O garçom voltou, servindo o vinho.
Peguei a taça, mas não bebi de imediato. Yanek fez o mesmo, me observando por cima da borda do copo antes de dar um gole.
Então, sem pressa, ele perguntou:
— Agora, me diz… Como você teve tempo para sair com outro cara, mas não comigo?
Ri ironicamente.
— Você me dispensou, lembra?
Ele arqueou uma sobrancelha, como se achasse graça na acusação.
— Não foi bem assim.
— Foi exatamente assim.
Insisti.
Yanek apenas sorriu.
Ele era irritante. E sexy. Incrivelmente sexy.
Desviei o olhar, tentando não me perder naqueles olhos azuis intensos.
— Que seja.
Disse, finalmente, bebendo um gole do vinho.
Ele me observava atentamente, como se estivesse estudando cada reação minha.
— Que dia você estará disponível?
Perguntou, casualmente.
Inclinei-me para trás, cruzando os braços.
— Eu trabalho das duas às dez.
Ele assentiu lentamente, então disse:
— Amanhã. Às nove da manhã.
Franzi a testa.
— Amanhã?
— Meu motorista pode te pegar em casa.
Disse, como se fosse óbvio.
— Temos assuntos a discutir.
— No mesmo hotel?
Ele ergueu o canto da boca.
— Se ainda estiver interessada em me servir.
A forma como ele disse aquilo me irritou. Mas, ao mesmo tempo, me intrigou.
Havia algo nele que me fazia sentir desafiada.
— Você sempre é tão arrogante assim?
— Apenas quando quero alguma coisa.
Dei um sorriso cínico.
— E o que exatamente você quer?
Yanek me olhou por um longo momento, seu olhar penetrante fazendo algo dentro de mim se agitar.
— Amanhã às nove.
Repetiu, ignorando a pergunta.
— Eu pago bem.
Meu coração deu um leve salto.