17 de maio de 2015, Morro do Batan, Realengo Voltando ‘pra casa da Ana, eu fiquei bem quietinha pelo dia. Ele ‘tava na minha cabeça e não saía de jeito nenhum, isso me deixava desconsertada. Nem dava ‘pra entender o que aconteceu — obviamente, eu continuava associando isso à carência. ‘Pra não ser uma total inútil, eu me juntei a Ana. A cozinha sofisticada era usada por quase todo o dia, fosse pelas refeições que ela fazia ou até doces. Tudo era sempre feito ‘pra distribuir pelo morro. Passeei com ela pelos becos e vielas. Havia certa beleza em ver como a vida se reunia ‘pra sobreviver, mas também era trágico ver ao que se sujeitavam. Até passamos pela pracinha onde estava a casa que o rapaz me mostrou. Era um lugar ajeitadinho e, como ele disse, a praça sempre tinha muitos garotos.

