Estou indo embora

1482 Palavras
Capítulo 3 Sadie Assim que fechei a porta do Jipe, Lilly abriu a porta da varanda da frente e pulou os três degraus. Ela me derrubou de costas, me dando o maior abraço. Comecei a rir descontroladamente enquanto Tobias apenas resmungava. — Lilly Mariah, saia de cima da Sadie agora mesmo!!! Deixe a pobre garota em paz! Ela já passou pelo suficiente essa semana! — Podia ouvir a senhora Dobson gritar da janela da cozinha. — Ah, é verdade, Sadie, sinto muito pelo que aconteceu. — Lilly sentou-se e acariciou meu rosto com as pontas dos dedos. — O que aconteceu? — Tobias perguntou, preocupado. — Minha... minha tia faleceu semana passada, nós acabamos de fazer o funeral ontem. — Tobias amoleceu um pouco, com um pouco de tristeza em seus olhos. — Por que você não me disse? Eu poderia ter vindo? — Eu não queria preocupar vocês. A Maria não gostava de multidões enormes, de qualquer forma. — Bem, sinto muito... — Tobias me ajudou a levantar e me abraçou. Não foi o abraço flerteiro, passando as mãos em minhas costas e tentando me fazer corar, mas um abraço caloroso. — Bem! — Lilly pulou de susto. — Vamos entrar. — Batendo palmas suavemente, ela saiu andando sem se atrever a olhar para trás. Lilly estava usando um penteado roxo pastel, com suas unhas combinando. Ela sempre foi a artística, enquanto eu, me contentava com coisas menos chamativas. Todos nós entramos e pegamos um lugar. Lilly e eu nos sentamos no sofá enquanto Tobias ocupou a cadeira de balanço no canto. Todas as notícias de ter uma cabana com meu nome me deixaram muito animada. Havia muita coisa que eu tinha perdido durante minha criação. Agora que eu tinha um lugar para ficar e não precisava pagar aluguel, isso podia ser bom. Só precisava trabalhar o suficiente para comida, roupas e alguns móveis para a casa. Isso podia ser bom para mim. Acho que deveria aproveitar essa chance. Nunca pensei em sair por causa da Maria, mas agora não tinha nada que me segurasse. Lilly e Tobias ficariam chateados, mas eles tinham suas próprias vidas na faculdade e estavam de volta por pouco tempo. Assim que todos pegaram alguns lanches e a sala ficou silenciosa, aproveitei a oportunidade para contar a eles quais eram os meus planos. — Pessoal, vou me mudar. Todos na sala me olharam como se eu tivesse chifres saindo da cabeça. Tobias levantou-se da cadeira e a derrubou enquanto vinha na minha direção. O olhar nos olhos dele dizia tudo, e ele não estava feliz. — Eu estou... — comecei. — Eu vou me mudar. Há uma cabana algumas províncias mais adiante no testamento da tia Maria. É toda minha, e eu acho que quero me mudar para lá e começar algo novo. — Dei um sorrisinho. — Seria bom para mim começar do zero, uma nova aventura. Os Dobson pareciam empolgados para que eu fizesse algo diferente; eles sabiam que eu já estava lá há muito tempo. A cidade era pequena demais, e eu nunca me dei ao trabalho de fazer muitos amigos. Lilly parecia indiferente e Tobias parecia absolutamente furioso. — Você não pode ir embora, Sadie! — Tobias gritou. O senhor Dobson colocou a mão em seu ombro e o fez sentar. — Acho melhor você vigiar seu tom de voz. — O senhor Dobson resmungou. O senhor Dobson era um típico cavalheiro do sul, e ele não tolerava homens elevando a voz para mulheres. Tobias o ignorou, levantou e caminhou em minha direção. Tobias nunca falou abertamente de seu amor por mim na frente das pessoas. As pessoas sabiam pela forma como ele me olhava, mas ele ainda era bastante reservado sobre isso, já que o rejeitei em particular todas as vezes. — Sadie, vou voltar para casa, terminarei a faculdade online. Quero estar com você, por favor. — Ele pegou minha mão e a colocou plana em seu rosto. Lilly estava no canto, parecendo absolutamente arrasada, e isso não passou despercebido por sua mãe. — Tobias... — comecei, mas ele me interrompeu. — Por favor, Sadie, eu me importo com você, e eu te amo. Sempre amei, você não pode ir embora. Eu vou voltar para casa. Já fiz todos os papéis de transferência para poder fazer online e ficar perto de você. Ele parecia tão desolado. Ele sabia qual seria a minha resposta, porém, ainda tinha aquela pequena lasca de esperança. — Tobias... — tirei minha mão da dele. — Vamos conversar em particular, isso não deveria ser discutido aqui... — Não, diga agora. Todos sabem que me importo com você. — Tobias implorou. Fechei meus olhos com força e segurei sua mão na minha. — Isso é o melhor para nós dois. — Pude sentir meu nariz formigar e meus olhos arderem. — Você é maravilhoso, mas não consigo retribuir esses sentimentos. Naquele momento, com toda a tensão no ambiente, decidi que deveria ir embora. Isso não era o que eu queria. Não sabia que Tobias faria um grande escândalo, e agora Lilly estava completamente despedaçada. Em seu coração, ela sabia, sabia que o coração de Tobias pertencia a mim, e naquele instante, parti o coração dele repetidas vezes. Todos ficaram em silêncio, olhando para Tobias e para mim. Me levantei lentamente do meu lugar no canto e fui até a porta. Virei-me, dei um sorriso fraco e peguei as chaves do meu Jipe. De alguma forma, sabia que não estava apenas me despedindo de Tobias, mas também de Lilly. Pelo resto da semana, empacotei caixas e levei coisas para serem descartadas. Tínhamos pouco, então não demorou muito. Contratei uma empresa local de administração para cuidar da propriedade e alugá-la; dessa forma, eu receberia um cheque mensal. Sentei na minha cama na última noite, olhando para o ventilador de teto. Não tive trabalho durante toda a semana porque os Dobson disseram que era melhor eu descansar depois de todos os dias longos de limpeza e empacotamento. Sentiria falta deles, mas também sabia que eles não queriam que eu estivesse lá enquanto Lilly estava trabalhando. A senhora Dobson me deu meu último salário, sorriu para mim e disse que me amava. Seu marido me deu um aperto rápido no ombro e me informou que estaria a uma ligação de distância se eu precisasse de algo. Naquele momento, decidi que não ligaria, apenas por Lilly. Essa era a família dela, não a minha. Ela precisava de seu conforto mais do que eu. Tobias havia passado mais cedo à noite, a primeira vez que o vi desde o incidente. Ele parecia cansado, com olheiras e o cabelo bagunçado. A expressão assombrada em seu rosto me disse o quanto ele me amava e realmente não queria que eu fosse embora. Não era o tipo de amor que eu procurava. Eu estava procurando uma devoção incondicional e entrega completa do coração. Tobias poderia viver sem mim, se preenchendo com mais mulheres em sua cama. Eu queria amá-lo. Apesar de alguns de seus defeitos, isso tornaria as coisas muito mais fáceis. Eu queria dizer a ele que me importava com ele, beijá-lo e fazê-lo se sentir melhor. Mas eu estava apaixonada pela ideia de estar apaixonada. A dor que ele estava sentindo me machucava até o âmago. Eu poderia fazer isso? Eu poderia simplesmente mentir para mim mesma, amá-lo e fazê-lo o homem mais feliz da terra? Todos os comentários de flerte, sempre me dizendo que eu era bonita e que valia a pena esperar mil vidas por mim, me faziam querer isso. No entanto, eu sabia que ele estava com outras garotas. Ele também sabia disso; não conseguia manter as calças fechadas. Se ele realmente se importasse, quero dizer, se importasse de verdade, teria esperado por mim? Além disso, eu simplesmente não sentia as faíscas que eu queria. A dor que apareceria quando você perde algo. Quando ele estava na faculdade, eu não ansiava por sua atenção, nem sentia falta de seu toque. Faltava algo. Ele não preenchia meu coração como minha tia dizia que a alma gêmea fazia. Estava sendo egoísta e pensando demais? — Sadie — ele sussurrou. Tobias me olhou, suplicante. — Eu sei que não posso mudar sua mente, você sempre foi tão determinada. — Ele fungou enquanto olhava para baixo, nos meus olhos. — Quero que você fique segura e me mande uma mensagem quando chegar lá. Sorri de volta para ele, as lágrimas ameaçando levar embora o pouco de delineador que restava. — Você sabe — comecei. — Você é muito forte, Tobias, e bastante cobiçado pelas mulheres — pisquei. — Você merece alguém que o ame com o mesmo fogo e intensidade que você. Me aproximei dele, encostei minha cabeça em seu peito e o abracei calorosamente. Ele rapidamente me segurou e não me soltou. Ficamos ali por muito tempo, ouvindo os grilos cantarem sua triste canção.
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