Explorando o Poder de Buda

2891 Palavras
Tundra, o último dos Três Eremitas, tinha consigo a posse de Shiku, cujo poder era centralizado a Buda. Segundo os monges, o hippie iria carregar consigo esse poder. Motivos não foram explicados de como que ele conseguiria tal poder. Qual seria o propósito disso? Era este o questionamento a ser feito. Como não tinha a posse de nenhum dos Animais Misticos, Tundra decidiu por explorar este poder que Shiku carregava dentro de si, além de descobrir o porquê dele ser o escolhido a carregar consigo tamanho potencial. Não queria fazer treinamentos rígidos, até para que não prejudicasse seu aluno e também, não sobrecarregá-lo. Diferente de Hong e Hasumi, Tundra era mais pacífico. Liberava tal potencial dos outros de uma forma mais paulatina, não "no sufoco", como costumam fazer seus irmãos de aprendizado. Estavam caminhando por uma região, que parecia ser o limite de neve e do mato em que estavam cruzando. Este seria a Floresta Mágica, hábitat de seres como fadas, duendes, grifos e inclusive sobs, uma raça semelhante ao ser humano, que vivem em luxúria e se transformam em monstros de dois metros de altura, aparentemente. Estavam diante da Montanha das Mil Bondades, local onde vivem monges que decidem meditar e procurar por conta própria a paz interior, além de se auto conhecerem. A montanha era bem alta, semelhante ao Monte Everest, mas não tinha a equivalência de sua altura. Era grande, mas não a ponto de ser considerada a rival do pico mais alto do mundo. -- Aqui é onde você irá se auto conhecer.-- disse Tundra. -- "No duro"? Eu vou ter que subir "para cima" nessa parada "aí"?-- indaga Shiku, que aparentava estar estupefato com o que o seu mestre estaria lhe oferecendo. -- Err... Sim...-- dizia o monge, que aparentava não ter se acostumado muito bem com as gírias de seu discípulo. -- Você está em um nível aceitado com o seu poder. Por conta disso, estamos aqui para explorá-lo. Não vamos despertá-lo, até porque ele está crescendo aos poucos. Iremos apenas saber a origem dele, além de você se conhecer. Por que tem esse poder? De onde ele veio? Esse é um grande enigma para os monges e também para mim. Shiku olhava sério para, com as sobrancelhas levantadas. Depois de alguns segundos de silêncio, ele dizia: -- "Tô" ligado. Tundra dizia: -- Ótimo. Agora vamos começar a escalar. Para começarmos bem o seu treinamento, seria adequado que usasse o Poder de Buda. Você estaria mais forte, mais rápido e mais ágil. Se escalar a Montanha das Mil Bondades com o seu poder, não irá sofrer tanto. -- "Pode crê".-- Shiku libera o Poder de Buda e isso acabou chamando atenção dos monges que estavam do lado de cima. Não havia mudado muita coisa por lá, aparentemente. Tinha muita neve no topo, além de barracas, que eles levaram da Terra Monge. Os monges usava cores variadas de seus quimonos, além deles passarem sempre a maior parte do tempo meditando ou conversando. -- Esse poder. De onde vem?-- dizia um dos monges, que interrompia sua meditação.-- É familiar para mim, mas também é algo novo que sinto. -- Também pressinto essa aura poderosa.-- disse outro monge, que também havia interrompido sua meditação. A maioria deles parou de meditar e começou a sentir esse poder que era famíliar e desconhecido ao mesmo tempo. Era como se eles já tivessem o pressentido antes, mas não tinha um dono fixo, um proprietário característico a esse poder. -- Vem lá de baixo!-- diz um dos monges. -- Sim! Eu posso sentir! Esse poder! É familiar!-- dizia outro. Todos estavam felizes e contentes. Era como se estivessem esperando por alguém muito importante que não aparecia há muito tempo. Todos estavam na beira do topo da Montanha das Mil Bondades, aguardando ansiosamente para o portador daquele poder, que para eles era magnífico. Uma aura que parecia acolhedora, que expulsava todo o tipo de dor e sofrimento que qualquer um podia sentir. Enfim, uma aura pura e disposta a purificar qualquer impureza que haja no mundo. Os monges estavam ansiosos para ver quem seria o dono desse poder. Mesmo que demoraria para escalar, ainda sim estariam dispostos a aguardar o tempo que fosse necessário. Não se preocupavam com mais nada a não ser conhecer o dono daquela energia cheia de pureza e iluminação. --------------------------------------------- Shiku começava a escalar. Sentia falta de algo, como um equipamento de alpinismo. Mesmo estando com o seu poder à mostra, sentia dificuldades em escalar a Montanha das Mil Bondades. As pedras eram lisas e escorregadias, por causa da neve, que tinha um pouco nas laterais, mas havia muita concentração na parte de cima. De vez em quando, uma fraca tempestade de neve acontecia e isso atrapalhava a visão do hippie, lhe dando dificuldades em continuar a escalar. Quase chegou a cair duas vezes, não aconteceu porque ele era pró -ativo. Estava sempre preparado para evitar a queda, que quanto mais alto ele escalava, mais perigoso ficava dele correr o risco e cair. Tundra já estava tranquilo. Como controlava o fogo e o gelo, ele conseguia projetar degraus deste e subia tranquilamente, como se estivesse subindo às escadas de uma casa ou de algum estabelecimento. -- Mestre.-- disse Shiku. -- Sim?-- respondia Tundra. -- Por que não me "quebra esse galho" e deixa eu subir nessas "parada" de gelo? Tundra demorou um pouco para entender o que o hippie queria dizer, mas assim que pôde compreender, disse: -- Já falei que isso faz parte de seu treinamento. Suba à Montanha das Mil Bondades usando o seu poder. -- "Qual vai ser", mestre? "Quebra esse galho".-- disse Shiku, desesperado. Estava cansado, com frio e desconfortável em ter de subir ainda mais um pouco para chegar no topo. -- Shiku, sei que estou sendo exigente, mas você precisa ficar grato porque eu sou um dos Três Eremitas que pega leve no treinamento. Hong e Hasumi são piores. O método de treino deles aposta a vida de seus alunos. Shiku fica surpreso com o que escuta. Nesse momento, imaginava como seria, se fosse discípulo de um dos dois. -- Se Mega Boy e Lídia derem sorte, você poderá vê-los de novo, mas eu acredito que sim, eles irão se dar bem no treinamento.-- disse Tundra.-- Eles não ganharam poderes qualqueres. São de entidades, superiores até mesmo aos deuses. Entende? -- "Tô" ligado.-- disse Shiku. -- Se eu treinasse com um desses "nóia", eu me daria bem? -- Não sei dizer. Talvez sim.-- responde o monge, que sentia um pouco do vento gélido em suas bochechas. -- Muito bem, hora de escalar. -- "Tá na mão".-- o hippie voltava a focar em escalar a montanha. Depois de ter aquela conversa com o seu mestre, estava mais empolgado. Escalava com mais prazer e sentia mais força de vontade. Acreditava que tendo essa aliviada em seu treino, já que tinha muito mais poder no momento, iria conseguir chegar onde queria. Seu treino era para controlar o Poder de Buda. Tundra irá fazer isso, mas antes, precisa quebrar um mistério não revelado pelos monges, que era o motivo dele ter esse poder. Por que ele? Como surgiu? Seria coisa do destino? -------------------------------------------- Horas se passavam. Os monges continuavam a aguardar pelo dono daquela aura que lhes enchia de espanto e empolgação. Estavam ficando cada vez mais ansiosos e com expectativa de quem poderia ser. E se for os Monges Mestres? Ou um suposto monge que era renegado e agora se redimiu? A aura estava chegando mais perto e os monges estavam mais empolgados. Duas sombras aparecem, por conta do nevoeiro que fazia lá embaixo. No topo, não havia essa serração, por isso era vista uma sombra, em vez de duas pessoas ou o seja lá o que for. Uma mão era posta no lugar onde seria o chão daquele suposto vilarejo. Um corpo aparecia subindo algo semelhante a degraus de escada. -- Tundra? Era você o dono dessa aura?-- indaga um dos monges. -- Não.-- disse o eremita.-- É ele.-- apontava para o homem, que estaria subindo a Montanha das Mil Bondades junto com ele. Era Shiku. Estava com a metade do corpo debruçada naquele "chão". Seu poder some e ele estava exausto. -- Nossa! Incrível!-- diziam os monges. -- É um hippie? -- Ele possui o... Não poder ser... -- Sim, meus caros monges. Ele é o portador do Poder de Buda.-- disse Tundra, com maio e satisfação e com um sorriso no rosto. -- Mas... Esse poder é uma lenda. -- Bem, então está vendo a lenda aqui.-- Tundra pega pela roupa de seu discípulo e puxava todo seu corpo com apenas uma mão. Shiku estava exausto. Havia usado todas as suas energias para escalar a Montanha das Mil Bondades. Estava ofegante e apesar de estar um clima muito frio, por conta da neve fina que caía, suava muito. Sentia dores nos braços e nas pernas, uma ânsia de vômito lhe tomava conta e estava com a garganta seca. -- Ele está bem?-- indaga um dos monges. -- Será que alguém das "chefia" me conseguiria água?-- dizia Shiku, com uma voz quase rouca. -- Acho que fui demais "além da conta". Tundra ria e dizia: -- Que figura. Um dos monges, que se responsabilizou em trazer água para o hippie, chegava. -- Beba um pouco.-- Tundra pegava o copo e dava para o seu discípulo beber. -- "Pode crê".-- disse Shiku, ainda tentando recuperar o fôlego. --------------------------------------------- -- Muito bem. Vamos começar o seu treinamento.-- dizia Tundra. Depois de ter se recuperado, o eremita e Shiku tinham conseguido uma barraca para cada um poder se hospedar. Estavam sentados na frente delas, no sentido de um olhar para o outro, na famosa "perna de índio". Eatava com a coluna reta e com as mãos prontas para indicar que iriam meditar. -- Chegou a hora.-- disse Tundra, que fechava os olhos, mesmo estando vendados. Shiku também fechava e começava a se enxergar em um outro mundo ou talvez outra dimensão. Estava tudo branco, não tinha nenhum sinal de vida. Era como se ele estivesse em uma folha de papel ou algo do tipo. -- Que "parada" é essa?-- indaga o hippie, que estava confuso. Como ele fora parar ali? Quem o levou a ficar naquele "vazio"? Seria Tundra? Talvez ele tivesse uma habilidade oculta que ninguém saberia, talvez nem mesmo os Três Eremitas ou os Monges Mestres. -- Olá, Shiku. O hippie se vira para a pessoa que mencionara seu nome. Se impressionava. Era um ser de aparência humanóide, com a pele azul e cheio de tatuagens. Usava roupas indianas e tinha uma expressão agradável e gentil. O hippie ficara assustado. Nunca tinha visto alguém com aquela aparência pensava que fosse Tundra, que poderia ter incorporado aquela forma. Será mesmo? Será que ele tem essa habilidade? Nem sempre poderia ser o seu mestre, mas o que era então? -- Quem é "tu"?-- indaga Shiku. -- Hahaha... Meu jovem, você é uma figura mesmo. Já disseram isso de você?-- dizia o homem, que se situava na posição de Buda, flutuando. -- Respondendo sua pergunta, me chame de Deva. Sou o porta-voz de Buda e dos anjos. -- Sério isso, "bicho"?-- dizia Shiku. Deva voltava a rir. Achava engraçado o jeito que o hippie se comunicava com ele. -- Sim, estou falando sério, "bicho".-- voltava a rir, apresentando o intuito de imitar o modo de fala de Shiku. -- Não tô entendendo a graça, mas "tá de boa". "Que manda", meu "consagrado"? -- Bem, antes de mais nada, vou lhe informar que você está em seu subconsciente. Não precisa ficar assustado. Vim aqui para lhe contar a origem do Poder de Buda. -- Ah, "pode crê". Conta "aí" que "nóis presta" atenção.-- o hippie se sentava e se mostrava atento às palavras de Deva. Este parecia ter gostsdo de Shiku. Seria essa a primeira vez que se comunicava com os humanos ou dentre tantas, o hippie foi quem o mais agradou? -- Muito bem, meu caro Shiku.-- dizia Deva.-- Há 2 mil anos antes de Cristo, depois que Buda faleceu, ele jurou que iria deixar o espírito de seu Nirvana para aquele que iria nascer, com o objetivo de acabar com o sofrimento no mundo. Seu poder foi passado para os seus cinco discípulos, que o colocaram em uma pequena caixa. A lenda dizia que assim que nascesse o escolhido a ter a posse desse poder e acabar com o sofrimento no mundo, iria sumir da caixa. Sinal que encontrara seu hospedeiro. O Poder de Buda, como assim é chamado, ficou justamente mais de 4 mil anos alojado naquela caixa, onde centenas de gerações tiveram o objetivo de protegê-la. Sempre que viam se estava ou não alojando ainda aquele poder, permanecia lá. -- Mas por que eu?-- indaga Shiku. -- Ora, meu caro, Shiku. Segundo os ditos de Buda, "aquele que possui um bom coração, uma inocência e também que tenha um grau elevado de sofrimento, seria o portador de seu poder". De repente, Shiku ficara triste. -- Sim, você teve um passado triste. Mas não se preocupe, posso lhe adiantar uma coisa que irá acontecer no futuro. Não devia, mas vou lhe contar. -- Que seria? -- No futuro, em breve, você irá encontrar alguém que lhe terá como um par romântico. Esse sempre foi o seu sonho, não é mesmo, Shiku? -- Sim.-- de repente, o hippie voltava a ficar triste. Pensava em seu passado, no momento em que era criança.-- Meus pais me abandonaram. Não me queriam como filho porque eu não seguia o padrão deles. Queriam que eu fosse uma pessoa "certa", mas eu sempre gostei de ser quem eu me sinto bem em ser. Por conta dessa "parada", passei a morar nas ruas. Briguei muito, apanhei muito, bebia, fumava, estava jogando minha vida fora. Eu sentia isso. Cada dia que passava, estava me destruindo por dentro. Deva olhava atentamente para Shiku, prestando atenção em cada palavra que era pronunciada por ele. O hippie ficava com os olhos úmidos. Havia se emocionado com a sua própria história. Falava entre lágrimas e com uma voz chorosa: -- Joguei minha infância fora. Nunca tive amigos, nem família. A minha vida só foi resumida em drogas e bebida. Sem contar as brigas, tanto que tenho algumas cicatrizes no corpo. Mas fora isso, joguei minha vida fora. Conheci alguns hippies, que me fizeram conhecer o lado bom da vida. Graças a eles, ainda estou aqui... Vivo. -- Eles se foram, não é mesmo?-- indaga Deva. Shiku assentia que sim. -- Mortos pelos meus inimigos. Tanto que eu não sou de Xangai, eu morava em Pequim. Mas tive que me mudar, senão eu seria o próximo a morrer. Foi quando eu conheci o Mao e viramos amigos. Eu nunca quis contar meu sofrimento a ninguém.-- começava a chorar intensamente. Lembranças lhe vinham à sua cabeça. O abandono de seus pais. A morte dos hippies que cuidaram dele. -- Sempre demonstrava alegria, calma e tudo mais, porque eu prometi para mim mesmo que não iria mais sofrer. -- voltava a chorar. Da forma como Shiku se expressava entre lágrimas, parecia quase que im desabafo. Como se quisesse tirar de suas costas alguma espécie de fardo. Conseguiu. Chorou intensamente. O Deva ficava ali olhando para ele, desabafando, colocando suas mágoas e cicatrizes para fora. Nada fez, nada disse. Apenas o observava. Shiku estava com os olhos inchados, o rosto vermelho e a expressão de tristeza estampada em seu rosto. O cobria com as mãos e continuava a chorar. A dor que sentia na infância e na adolescência. Sendo rejeitado, humilhado e obrigado a ter uma vida que não desejava ter. Mencionou que queria se m***r, pois para ele, a vida não tinha mais valor. Depois de muito ter chorado, Shiku parecia ter melhorado. Olhava para o Deva, que dizia: -- Você fez o certo em dssabafar. Já sabe de onde vem o Poder de Buda, sabe um pouco de seu futuro e posso dizer que é agora que a sua vida vai melhorar, meu jovem. -------------------------------------------- Shiku acordava da meditação. Voltava a sentir aquele frio, que agora não era tão intenso e sim agradável. Olhava para Tundra, que estava de pé, com os braços cruzados, olhando para ele. Não sentia seu rosto vermelho com os olhos inchados, como fora no momento em que estava em seu subconsciente. Estranhava aquele momento. Conversava distraidamente com Deva, quando voltava para a realidade. -- Aconteceu algo?-- indaga Tundra, que estranhava a atitude de seu pupilo. -- É que... Eu vi... Um "azulão" e... -- Foi a Entidade Deva. -- Esse mesmo, "patrão". -- Ele deve ter contado para você a origem do Poder de Buda, certo?-- indaga Tundra, sorrindo. -- Sim, mas como manja desses "paranauê"? Tundra ri e fala: -- Existe uma lenda do Deva. Antes de treinarmos o seu físico, quer que eu lhe conte. -- Só se for agora!-- Shiku voltou a ser quem era antes. Alegre, distraído e calmo. Era assim que queria permanecer. Sendo essa pessoa descontraída, mas se sentia aliviado ao falar para Deva tudo o que estava guardado no peito. Se sentia aliviado e agora, podia voltar a sorrir para o mundo novamente. Tundra contava a Lenda do Deva para o seu hippie, que ouvia atentamente. Seu treino começaria em breve, mas como estaria o desempenho dos outros?
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