Eu não consegui desviar o olhar. Ficamos ali, parados no meio da sala, como se o tempo tivesse diminuído só pra nós dois. A mão dela ainda estava no meu rosto, quente, firme, real demais. Eu sentia o toque como se ele atravessasse a pele e alcançasse algo muito mais fundo, um lugar que eu sempre mantive em silêncio, bem guardado, quase esquecido. Os olhos de Ângela estavam fixos nos meus. Não havia desafio neles, nem sedução consciente. Havia verdade. Dor. Amor. Um amor que não pediu licença pra nascer. Meu peito subia e descia num ritmo que eu não reconhecia. Eu, que sempre soube controlar a respiração antes da missa, antes de um sermão, antes de entrar no confessionário… ali, simplesmente não consegui. E então aconteceu. Foi rápido. Suave. Quase tímido. Ângela se aproximou um pouco

