Eu só percebi o peso real do que estava acontecendo quando deixamos a loja. Até então, tudo tinha sido uma sequência de gestos quase automáticos: os pais de Ângela me recebendo com sorrisos largos demais, elogios demais, aquela familiaridade constrangedora de quem já decidiu algo por você sem pedir autorização. A mãe dela segurando meu braço com i********e, o pai analisando cada palavra minha como se estivesse avaliando um investimento promissor. O jeito como eles nos observavam juntos — como um conjunto, como um casal. E Ângela… Ângela não corrigiu nada. Foi só quando entramos no carro que o silêncio se instalou entre nós como uma terceira presença. O motor ligado, o ar-condicionado soprando frio demais, e eu com as mãos firmes no volante, olhando para frente, tentando organizar pensa

