Normalidade

1179 Palavras

O dia seguinte nasce como tantos outros, quase c***l na sua normalidade. Acordo antes do despertador, como sempre. O quarto ainda está escuro, o silêncio da casa intacto, só quebrado pelo barulho distante de algum carro passando na rua. Fico alguns segundos deitado, olhando para o teto, tentando organizar os pensamentos. A noite anterior insiste em voltar em fragmentos: o hotel, as luzes baixas, o choro de Ângela, aquela frase sobre a irmã morta… e, principalmente, a sensação pesada que ficou em mim depois de tudo. Levanto devagar, sem fazer barulho. Meus pais ainda dormem. Passo pelo corredor em silêncio, vou até o banheiro, lavo o rosto com água fria. O espelho devolve uma imagem que eu conheço bem, mas que hoje parece ligeiramente diferente. Meus olhos estão mais fundos, o olhar mais

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