Eu permaneci dentro do carro por um tempo que eu não saberia medir. Minutos, talvez. Ou horas. O relógio no painel seguia avançando, mas dentro de mim tudo parecia suspenso, como se o tempo tivesse decidido me abandonar ali, naquele estacionamento iluminado demais, barulhento demais, falso demais. Minha respiração estava estranha. Curta. Rasa. O ar entrava, mas não parecia chegar onde precisava. Afrouxei o colarinho da camisa, passei a mão pelo rosto, senti a barba úmid4 de suor frio. Alguma coisa estava errada. Não só com o lugar. Comigo. O peito apertava de um jeito que não era só ciúme, nem só medo. Era aquela sensação antiga, conhecida, de quando a fé e a realidade brigam dentro da gente. De quando tudo o que você acreditou começa a se desfazer em silêncio, sem estardalhaço, só racha

