Chegar ao parque foi como atravessar um portal invisível. Assim que estacionei, antes mesmo de desligar o motor, Ângela já estava com o corpo inclinado para frente, os olhos brilhando como se tivesse voltado no tempo. As luzes coloridas refletiam no vidro do carro, dançando no rosto dela, e por um instante eu me peguei observando em silêncio, como quem contempla algo raro. — Meu Deus… — ela murmurou, quase para si mesma. — Eu amo isso. Desci primeiro, dando a volta no carro para abrir a porta para ela. Quando Ângela colocou os pés no chão, foi como se todo o parque reagisse à presença dela. Não de um jeito chamativo, mas vivo. Ela girou lentamente, absorvendo tudo: o cheiro doce de algodão-doce no ar, a música distante misturada aos gritos animados, as luzes piscando como estrelas artif

