O Escolhido

957 Palavras

O dia amanheceu antes mesmo de eu perceber que havia dormido. Na verdade, dormi pouco. Quase nada. Meu corpo descansou por poucas horas, mas a minha mente… essa passou a noite inteira desperta, revisitando gestos, silêncios, sensações que eu não conseguia nomear sem sentir o peito aquecer e apertar ao mesmo tempo. O abraço de Ângela. O jeito como ela encostou a mão no meu rosto. O quase. Sempre o quase. Aquela fronteira invisível onde eu parava — não por medo, mas por consciência. Levantei antes do despertador tocar. O céu ainda estava num tom azulado indeciso, aquele intervalo bonito entre a noite e o dia, quando tudo parece possível e frágil ao mesmo tempo. Abri a janela do quarto e deixei o ar fresco entrar. Respirei fundo. Longo. Lento. — Senhor… — murmurei, quase num sussurro — ma

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