Acelerando

1192 Palavras

O rugido do motor já não era só som — era um grito de sobrevivência. Eu sentia o volante vibrar sob minhas mãos suadas, cada curva arrancando de mim um reflexo quase instintivo, como se meu corpo estivesse dirigindo sozinho enquanto minha mente corria atrás, atrasada, tentando entender em que tipo de lugar eu tinha acabado de entrar. Os carros pretos ainda vinham atrás. Faróis colados. Pressão constante. Sem sirenes. Sem gritos agora. Só a certeza muda e aterradora de que eles não estavam ali para conversar. A rua estreita em que eu tinha entrado parecia um túnel de sombras. Prédios antigos, muros altos, árvores tortas projetando silhuetas ameaçadoras no asfalto. A iluminação falhava em alguns trechos, criando intervalos de escuridão total, como se a cidade piscasse os olhos e se rec

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