Kaius O toque do celular corta o silêncio do quarto como uma sirene. Eu não preciso olhar pra tela pra saber quem é. Fico deitado, encarando o teto, ouvindo o aparelho vibrar na mesinha de cabeceira. Deixo tocar até parar. Só quando o silêncio volta é que minha mão tateia a madeira, encontra o celular e puxa pra perto do rosto. Chamada perdida: Pai. Claro. Suspiro, me sento na cama, passo a mão no rosto e, por um segundo, penso em deixar pra lá. Mas ignorar meu pai só adia o inevitável. Eu retorno a ligação. Ele atende no segundo toque. — Que horas você vai chegar na mansão? — ele dispara, sem “bom dia”, sem preâmbulo. — Bom dia pra você também — respondo, automático. — Eu ainda preciso comprar alguns presentes que faltam. Até mais tarde eu chego aí. Não é verdade. Todos os pres

