Dois

978 Palavras
Liz está devorando uma carcaça de cervo que abateu. Tinhamos ido correr e ela se transformou, e tudo por um cervo. Alguns de nós guardam a essência do nosso lado mais primitivo. Assisto a enorme loba de pelos marrom destroçar o animal, os dentes rasgando a pele e as entranhas. Ela está gostando, sinto o cheio da satisfação dela daqui. "Você se transformou para comer? Eu podia ter trazido um sanduíche se soubesse que estava faminta." Mandei o pensamento para ela. "Eu adoro caçar." Eu sabia, desde pequena Liz não só mantém seu lado mais primitivo como também rejeita qualquer que seja a modernização. Uma vez tentei levar ela para a minha escola, o resultado foi uma semana de expulsão, pois ela se transformou dentro do refeitório depois que um garoto humano chamou ela de gatinha. "Aqui está a gatinha." Ela falou na época, e o garoto nao se importou em segurar a urina na bexiga. "Will me mandou a mensagem ontem, acho que o pai dele está armando uma armadilha para o Alfa." O corpo enorme do lobo ficou tenso, então Liz levantou a cabeça para mim, com a boca escorrendo sangue e viceras. "Se eles o fizerem...preciso falar com Sam, você precisa falar com Sam" Uma ordem, da princesinha do Sam, nosso chefe. "E arriscar expor Will? Você só pode esta brincando." "Entre Will e nosso Alfa? Sua escolha tem que ser óbvia, Selly, não dá pra ficar em cima do muro." Ela voltou a comer o animal, e por um momento minha boca salivou. Já faz tempo desde a última vez que me alimentei, desde que provei em carne fresca. "Venha comer. Eu sei que quer " Ela se levantou, então saiu andando por entre as árvores. Ela iria até o lago mais próximo para se lavar, e eu posso ou não acompanha-la. Mas o cervo... Quando tenho certeza que Liz está fora do meu campo de visão, alcanço o cervo e cedo aquele lado primitivo em meu corpo que pede por sangue. Morno, metálico... delicioso. Não me importo de comer na forma humana, mesmo que muitos achem isso aterrorizante, mas tenho caninos afiados para isso, então porque não usar? Encontro Liz na beira do lago, deitada na areia, encarando a água com apreciação. "Você poderia pelo menos ter se transformado, depois diz que eu sou a selvagem." Ela me lançou o pensamento. "Me transformar? Correndo o risco de alguém me ver?" "Você tem uma marca no pelo, e daí?" "Uma lua, e eu já sofro bullying demais por ter os pelos sem cor." Me agachei no lago, e enchi a mão em concha para me limpar. A água ficou vermelha com o sangue de minhas bochechas. "Lobos albinos são raros, mas não incomuns." "Lobos albinos com uma macha em formato de lua no traseiro? Isso é ridículo Liz." "Ridículo é você se importar com o que os outros pensam. Seu pelo não significa nada, muito menos o sinal. Então por quê se importa? " Por um lado ela tem razão, mas me apavora ser a única loba albina no condomínio. Se houvessem outros provavelmente eu não teria tanta... vergonha, mas sendo a única... Eu não gosto de chamar atenção, e prefiro manter minhas transformação privadas. "Meu pai quer que eu durma com o Alfa." O pensamento me fez engasgar. Ela não pode estar falando sério. "Ele disse isso?" "Ele disse para mim ser cordial e dar a ele o que pedir." Liz sendo exagerada como sempre. Uma vez ela gritou dizendo ter um crocodilo no armário dela. Quando fomos ver era uma lagartixa gorda. "Isso não é bem pedir para você dormir com ele, é mais seja uma boa anfitriã do que isso." "Mesmo que todos estejam torcendo para mim ser parceira dele? Acho que é isso sim." "Você é filha do chefe, é natural que sua familia queira alguém da realeza para você." Me sentei sob uma pedra, e encarei a lagoa de água azul anil. Os peixes coloridos dançam embaixo da água. Lindo. "Natural...e eu? Não tenho escolha?" "Se ele não for o seu parceiro você pode ignora-lo." "Então eu vou torcer para não ser." ~•~ Will chupou e chupou. Mas a sensação não era a das melhores. Eu o aprecio por ter tanta motivação de me dar nem que seja o mínimo de prazer, mas ele está ali a mais de dez minutos. DEZ minutos me chupando. — Awn, isso — uma mentira, mas só porquê está ficando mais gelado do que morno e muito, muito longe de estar quente. Arquei meu corpo em direção a ele, e fiz uma excelente atuação encenando um orgasmo. Segurei o cabelo loiro dele, o fazendo parar. Fechei os olhos e respirei fundo. Que a deusa me ajude. Tinhamos nos escondido embaixo das arquibancadas na hora do intervalo, e Will quis me dar um presentinho. Eu preferia ter ficado sem esse presente a ter que mentir para ele. Will se levantou, e o sorriso orgulhoso dele me fez me sentir menos culpada pela mentira. — Impressionante Prescott — falei para ele, com a voz simulada ofegante. — Você gemendo é a coisa mais linda — ele me beijou e eu fiquei grata por ter sido convincente. Eu tenho certeza que se nossos corpos fossem compatíveis ele me daria mais que prazer. Fico imaginando o que Ely e Cater me contou, eles são parceiros e vivem embaixo dos lençóis, e Ely sempre diz que Cater a incendeia, que quando começa é impossível parar. Um desejo se acumula entre as minhas pernas, só de pensar em alguém que me incendei, mas ignoro a sensação, pois eu devia estar saciada por causa de Will, mas só estou querendo mais. Que a deusa me perdoe. Will e eu nos juntamos aos nossos amigos, Viola e Shawn, e aproveitamos o tempo que temos até a aula de história.
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