Volto para a mesa e Marcus está presenteando Willian com mais uma história sobre o gato da mãe dele.
- Espero não ter perdido muito da conversa.
- Nada que você já não tenha ouvido.
William pisca para mim, o que me dá um agradável impulso de confiança.
Me sento a mesa e William descansa a mão levemente no meu cotovelo.
- Bombom, você se lembra da primeira vez que nossos pais nos deixaram sair sozinhos?
- Você está falando de quando fomos pegos pela sua irmã?
- Pegos...fazendo o quê?-questiona Marcus.
- Marcus, tenho certeza que você consegue adivinhar.
- Deus, minha irmã não conseguiu me olhar nos olhos por meses.
- A coitada viu muito mais do que gostaria...de nós dois.
O olhar de William se move para o meu decote por uma fração de segundos antes de retornar ao meu rosto.
- Foi culpa dela por aparecer 20 minutos mais cedo.
Nós dois começamos a rir. Os olhos de William estão cheios de orgulho.
Cloe me olha por cima do celular, como se me notasse pela primeira vez.
- Então, vocês dois ficaram juntos por muito tempo?-ela pergunta.
- Não muito. Houve...
Quando ele está prestes a contar uma nova história, toco o braço dele. Nós trocamos um olhar e ele apenas concorda.
- Houve um incidente.
- Deus. Por favor, não me diga que foi pior que a história do nariz.
- Ah, não sei se é uma boa ideia contar. Este é o seu primeiro encontro com o William?
Cloe dá um sorriso irônico. Ela ainda segura o celular, mas seus olhos estão em mim.
- Com certeza é.
"Ela foi rude comigo a noite toda. Se eu contar uma boa história, posso colocar a Cloe no lugar dela.
William se inclina para a frente, claramente curioso para ver aonde quero chegar com isso. Os olhos dele brilham de excitação.
- Acho que me esqueci desse incidente, bombom. Essa lembrança fugiu da minha mente.
"Eu também posso vender nossa história para Marcus...e até mesmo fazer o Willian sorrir.
É hora de mostrar a ele que ele não é o único que sabe jogar.
Abro um sorriso conspiratório para William.
- Bem, William não foi apenas
o meu primeiro beijo...
- Vamos dizer que eu tenho certeza de que os homens melhoram com o tempo. Ganham um pouco mais de resistência, se é que vocês me entendem.
Cloe e Marcus riem. William engasga com o vinho, embora eu pareça ser a única a notar.
Ele limpa uma gota de vinho tinto do canto da boca e abre um sorriso surpreso.
- Fazer o quê? Tive várias primeiras vezes com ela. Ela tinha uma paciência de uma santa comigo naquela época.
- Bem, paciência não era algo muito necessário...
William ri, o joelho dele encosta no meu embaixo da mesa, mas ele não se afasta.
- Vocês dois poderiam ser uma dupla de comediantes. Poderiam até fazer uma turnê por aí.
Sinto o sarcasmo na voz de Cloe, mas William deixa passar.
- Você acha? Infelizmente, não tenho certeza se Julie se sairia tão bem no palco.
- Medo do palco? Eu? Agora eu sei que você está falando de outra pessoa.
- Você não lembra do seu ataque de pânico nos bastidores daquela peça que fizemos na oitava série?
- Você se lembra disso?
- E como eu poderia esquecer? Você estava tão fofa com aquele chapéu.
- Bem, acho que é hora de terminarmos a noite. Mamãe está esperando eu ligar para ela não posso deixá-la esperando mais um minuto.
Ainda olhando para William, reviro os olhos. Ele ri e estende a mão para me ajudar a levantar.
Aceito o gesto dele. Graciosamente, ele leva minha mão aos lábios, deixando um beijo suave em meus dedos. Minha respiração fica presa na garganta. William se volta para Marcus, que o observa com os olhos arregalados.
- Não acredito que levamos 10 anos para nos reencontrarmos, bombom.
- Eu também não acredito William.
- Terei de me certificar de não cometer esse erro novamente.
- Bem; estou pronta para encerrar a noite também.
Cloe se levanta, pegando a bolsa nas costas da cadeira. William olha para ela como se tivesse esquecido que ela estava lá. Ele segura sua mão por um momento antes de se afastar lentamente.
- Julie?-Marcus me chama estendendo o braço para acompanhá -lo.
Aceito o braço que Marcus oferece ao sair do restaurante, seguindo William e Cloe á distância.
A mão de William está nas costas dela. Sinto uma pontada de aborrecimento ao ver a cena.
- Bem, William, Cloe. Foi um grande prazer.
- E Julie, eu me diverti muito essa noite. Espero que possamos repetir a dose.
Marcus me olha ansiosamente, esperando minha resposta.
- Claro! Vamos nos falando.
- Claro.
Marcus acena com a cabeça e estende a mão para mim.
- Talvez eu posso te ligar na semana que vem para saber como está sua agenda?
- Ok, Marcus.
Aperto a mão dele, notando a diferença marcante entre o toque dele e o de William.
- E obrigada pelo jantar, Marcus.
- Tenha uma boa noite, Julie.
William chamou um táxi. Estou prestes a fazer o mesmo, mas em vez disso William abre a porta do táxi para mim.
- Pra você, bombom.
Dou um passo a frente para entrar no táxi, mas William segura meu pulso. A pressão é levemente forte me fazendo sentir um arrepio.
- Você vai embora sem dar um aDeus apropriado para o seu gatinho do ensino médio?
Olho para além dele, Marcus está me observando. Está esperando para ver o que eu vou fazer. Os dedos de William acariciam meu pulso enquanto ele espera minha resposta.
Passo os braços em volta de William e o puxo para um abraço.
- Você foi o melhor namorado do ensino médio que eu poderia ter.
- Agora sim, isso é um elogio.
Sussurro no ouvindo dele, aproveitando a chance.
- Obrigada pela noite. Você tornou tudo mais interessante.
- Ah Julie, foi um prazer.
Ele coloca as mãos nas minhas costas, me puxando contra o seu corpo. Os lábios dele se aproximam do meu ouvido.
- Eu estava errado sobre o que eu disse antes. Você estava tentando tanto, mas o ser em questão não estava ajudando em nada.
- Tive que salvar uma donzela. Era o mínimo que eu poderia feito.
Acabo rindo e os olhos castanhos dele brilham com humor.
É difícil lembrar que Marcus e Cloe estão parados lá quando o cheiro de William está me distraindo.
- Eu também estava errada sobre você.
William se afasta, me olhando de um jeito questionador.
- Você é muito mais doce do que aparenta ser.
William ri, baixando a testa até quase tocar a sua.
- Eu poderia dizer o mesmo de você. Bombom é realmente um apelido adequado. Doce, ousada e um pouco viciante.
William acaricia meu cabelo levemente, abrindo um sorriso caloroso.
- Até a próxima vez então.
Quando estou quase entrando no táxi, William me interrompe.
Ele toca minha nuca e entrelaça os dedos em meus cabelos. Ele puxa gentilmente meu cabelo. Perco o fôlego. Meu pescoço se curva para trás, fazendo com o que eu olhe diretamente nos olhos castanhos dele.
"Deus! Ele vai me beijar?
William encara minha boca. Ele se inclina para frente muito suavemente... e beija minha testa.
- Vejo você na reunião?
Minha garganta fica seca. Ele inclina a cabeça para baixo para sussurrar algo suavemente em meu ouvido.
Então, ele se afasta e ainda me sentindo meio confusa entro no táxi. Nem percebo quando o carro comeca a se afastar.
" O que acabou de acontecer?"
Me viro e olho para a janela traseira. William está ajudando Cloe a entrar no táxi dela, mas os olhos dele estão em mim.
Penso na última coisa que William sussurrou no meu ouvido, antes que eu entasse no táxi.
- Você vai me ver de novo, bombom. Pra falar a verdade...Eu posso apostar isso.