Aproveitamos um pouco o silêncio, nossos ombros e cotovelos se encostam levemente enquanto almoçamos juntos. Quando termino, ajudo William com a louça antes de voltarmos para sala.
Me sento no sofá macio, relaxando profundamente nas almofadas.
- Esses sanduiches estavam deliciosos demais, William. Você sempre mandou bem na cozinha?
William ri enquanto se joga no sofá ao meu lado, seus joelhos encostam nos meus.
- Aprendi um ou dois truques ao longo dos anos. Ajudam a aliviar o estresse. E as mulheres também parecem adorar.
- Essa mulher na sua frente adorou, isso eu posso te dizer.
William me olha intensamente.
- Chefes de cozinha fazem seu estilo, bombom?
- De acordo com o meu histórico, meu tipo está mais relacionado a vaciloes, mentirosos e sanguessugas. Não tive muita sorte no amor.
- De que tipo é o Taylor?
reviro os olhos.
- Ainda está em fase de análise.
William sorri e coloca a mão em meu joelho.
- Quantos encontros vocês já tiveram? Três? Quatro?
- Algo assim.
William aperta meu joelho.
- Então você já sabe qual é o tipo dele e não quer me dizer.
- Posso dizer que ele é melhor do que qualquer outro cara com quem saí nos últimos anos.
- Então porquê você não dormiu com ele?
Perco o ar enquanto a mão de William corre levemente da parte externa do meu joelho até a coxa.
- Quem disse que eu não dormi com ele?
- Boa tentativa, bombom. Mas eu confio no meu taco.
- Bem, quando foi a última vez que você transou?
William afasta a mão e se encosta no sofá cruzando os braços. Algo em sua postura é elétrico, quase desafiador.
- Foi antes de te conhecer.
- Período de seca?
- Pode ser.
- Ou talvez eu esteja esperando a mulher com quem eu realmente quero estar.
William sorri e se levanta, estendendo a mão para mim.
- Falando nisso...gostaria de ver o resto da casa, bombom?
- Eu me dediquei muito na decoração desse lugar. Eu adoraria ouvir a sua opinião sobre o meu gosto.
- Além disso, fiquei sabendo que o quarto tem uma vista linda.
- Me mostre o seu quarto.
Pego a mão de William e ele aperta a minha enquanto me acompanha pelo corredor.
Ele abre uma das portas revelando um quarto deslumbrante e bem arrumado, com uma linda varanda.
- Há mais cômodos em minha casa, mas este é de longe o mais importante.
Ele solta a minha mão e se joga no colchão.
- Venha aqui, Jules. Esse é o melhor lugar da casa.
William se aproxima e abre os braços, oferecendo um lugar na curva do ombro dele.
- William, esse é um jogo perigoso.
- Não há jogos aqui. Eu quero você na minha cama, então eu convidei você para a minha cama. Simples assim.
Meus pés parecem se mover por conta própria. Me sento no colchão macio de William, perto o suficiente para que o braço dele cubra os meus ombros. Ele me puxa para perto e logo estou deitada ao lado dele, o braço dele está em volta de mim.
- Melhor lugar da casa e melhor vista também.
Ele vira de lado para poder me ver, seus olhos são calorosos.
- Existe uma claraboia ou algo que estou perdendo?
- Não, bombom. Estou apenas observando você na minha cama.
Ele desliza as mãos pelos meus cabelos de um jeito suave e gentil, enquanto olha profundamente em meus.
- É uma cama muito confortável.
- Agora imagine como ela ficaria melhor depois de fazer amor com você, até você não sentir mais as suas pernas.
William pressiona seu quadril contra mim. Sinto a excitação dele dura como uma rocha.
- Ah, William...Vamos com calma.
- Eu não estaria honrando minha parte no acordo se deixasse isso rolar na sua cama, certo?
William solta um suspiro baixo, deixando cair a cabeça no travesseiro ao meu lado.
- Eu acho que não. Mas saiba que a sua imagem na minha cama vai me fazer companhia por um bom tempo.
Golpeio ele com o travesseiro, mas ele o pega, me puxando na direção dele.
- Então vamos, bombom. Vamos para a cobertura para começarmos o dia de trabalho.
William me conduz até o jardim da cobertura. É um pequeno oásis entre o caos de Manhattan.
Já estamos mergulhados no trabalho quando o resto da equipe chega.
- Bem vindos, pessoal. Temos apenas algumas horas para resolver tudo, então vamos começar.
Noah lidera a equipe através de alguns exercícios e San apresenta as últimas novidades da equipe de design. Quando o dia de trabalho chega ao fim, nós já fizemos um grande progresso.
- Bom trabalho a todos. É assim que tem que ser. Foi ótimo estar com vocês hoje.-Noah diz.
- Desistir do meu sábado não foi fácil, mas acabou valendo a pena.-comenta San.
- Na verdade, não me lembro de ter gostado tanto de trabalhar. -comento.
- Foi ótimo em grande parte graças a você, Jules. Você traz algo de bom em nós...em William especialmente. Não o vejo inspirado assim há anos.-afima Noah.
- Ah...Eu não posso afirmar nada.
- Sou apenas um m****o de uma equipe muito funcional e produtiva.
William ri, recolhendo os copos.
- Não era tão funcional antes de você chegar. Acho que você era o que precisávamos.-william diz.
- Mas faz sentido. Há muito tempo não me sentia tão bem.
Ele está falando para o grupo, mas ele só olha para mim. Ele tosse antes de se dirigir a Noah novamente.
- Como estarei em Londres na próxima semana, espero um relatório do progresso em minha caixa de entrada na quarta-feira.
A equipe toda volta para a sala de estar, pegando suas coisas para irem embora.
- Ei, Jules, quer dividir um táxi?
- Você está indo para o meu lado da cidade, certo?-San pergunta para mim.
Com o canto do olho, vejo o olhar de William cravado em mim.
Ele murmura baixinho uma palavra que só eu consigo entender.
- Fique.
- Na verdade, San eu já tenho carona.
- Você tem certeza?
- Se estivermos a apenas alguns alguns quarteirões de distância, não será um problema.
- Não, é que...
- Eu vou levá-la em casa.-William pronuncia me deixando surpresa.
San lança um olhar questionador para William.
- Tenho um jantar perto da casa dela, então vamos dividir um táxi.
Me despeço dos meus colegas de trabalho, fechando a porta atrás deles. William se inclina contra a porta no instante em que ela fecha.
- Sabe, vou adorar te levar para casa...embora preferisse te levar pra cama.
- Ei! Não provoque a mulher que está prestes a lavar a sua louça.
- Eu jamais sonharia em fazer isso.
Junto os pratos e os copos e os levo para a cozinha. Conforme vou lavando os pratos, começo a cantarolar uma de minhas músicas favoritas e uma das favoritas de Bryan também. Estou na metade do segundo verso quando sinto duas mão fortes deslizando sobre minhas bochechas e uma respiração suave em meu ouvido.
- Não pare. Eu quero adivinhar.
William dá um passo a frente e apoia a cabeça no meu ombro.
- Vamos, bombom. Deixe-me ouvir sua linda voz.
- Vou começar com uma fácil então.
- Ok. Me teste.
William descansa os dedos nas maçãs do meu rosto quando eu começo a cantarolar. Seguindo meu ritmo, ele balança o quadril me movendo junto com ele, nossos corpos se aproximam a cada segundo.
- Eu entendo qual é a graça desse jogo.
- Eu juro que não é assim que meu irmão e eu jogamos.
William solta uma risada que enche a sala, abafando a música porum momento.
- Ok, acho que é uma balada pop.
- Lana Del Rey?
- Passou longe.
- Não? Então, talvez rock? É o coldplay?
Eu rio e balanço a cabeça. William afasta as mãos, embora o resto de seu corpo não se mova.
- Bem, não faço ideia.
- É fleetwood Mac. Dreams. Sempre foi uma das minhas músicas favoritas.
Ele pousa a cabeça no meu ombro e move os braços me segurando com força na cintura. Depois de colocar o último prato no escorredor, me permito encostar nele.
- Acho que sou r**m nesse jogo.
- Sim, mas isso é bom.
- Você é tão gostosa, bombom. Sempre tão gostosa.
- Quer uma cerveja?
- Claro.
Ele pega duas cervejas da geladeira enquanto seco as mãos. Retornamos para a cobertura. Nos sentamos no sofá, relaxando e olhando o pôr do sol. Embora ele tenha pegado duas cervejas, ele abre apenas uma, toma um gole e passa para mim.
- Então...estamos oficialmente fora do horário de trabalho?
- Eu acho que sim.
William se move para sentar ao meu lado, seu corpo está a milímetros do meu.
- Então tudo bem se eu te disser que quando estava no chuveiro essa manhã, eu fechei os meus olhos e pensei em você enquanto tomava banho?
Praticamente engasgo com a cerveja. Ele felizmente tira a garrafa das minhas mãos, tomando um gole suave.
- William, você está falando sério?
- Mas sério do que você pode imaginar, bombom.
Ele dá um último gole na cerveja e abre outra garrafa.
- Pensar em você e logo depois ver você na minha frente foi como um sinal.
- Eu sei que temos um acordo, Jules. Mas vamos ser honestos.
- Você não está fazendo sexo. Eu não estou fazendo sexo. Talvez possamos resolver esse problema juntos.
- William, não podemos.
- Você quer. Cada vez que você responde ao meu toque...mesmo que você tenha o Taylor, embora eu seja o seu chefe.
Os olhos dele descem para os meus s***s e consigo sentir os m*****s ficarem excitados por causa do olhar dele.
- Assim como seu corpo está demonstrando agora.
- Estou com frio.
- Tem certeza, Jules? Você não parece estar com frio. Na verdade, você parece um pouco quente.
Ele me entrega a garrafa de cerveja e eu tomo um grande gole logo de uma vez.
- Posso ser honesta com você?
- É tudo que eu quero.
Respiro fundo, olhando nos olhos dele. William sorri enquanto toma um gole de cerveja.
- A questão é que já me ralacionei com uma pessoa do trabalho antes.
Conto a ele sobre como dormir com o filho do meu chefe na festa de natal e sobre como eu descobri semanas depois que ele tinha uma noiva.
- E para piorar as coisas, algumas semanas depois ele foi promovido e se tornou meu chefe.
- Não fez diferença que eu fosse mais qualificada para o cargo. Ou que ele fosse preguiçoso e sem talento. Ele conseguiu o trabalho e eu fui largada as traças.
- E como eles deixaram isso acontecer?
- Ele é filho do chefe.
- Ai.
- Olha, eu entendo. Não posso dizer que não estou desapontado, mas agora entendo porque você precisa se proteger.
- Esse i****a só quis te usar e arruinou um trabalho que você amava. Não vou deixar isso acontecer com você de novo.
- Obrigada por me ouvir.
- Sempre, bombom. Estou aqui para ajudá-la independente do que sejamos ou do que aconteça entre quatro paredes.
- Eu não gostaria que você jogasse fora sua carreira por uma única noite de paixão.
- Obrigada.
- Embora, eu possa garantir que não seria uma única noite. Você não é o tipo de garota que faz um homem desistir.
- Além disso, estou sempre pronto para um desafio.
Ele sorri enquanto bebe a cerveja.
- Que desafio?
- Mostrar a você que eu não sou como ele. Eu não vou te machucar, bombom. Nós dois queremos isso e eu estarei aqui quando você estiver pronta.
Desvio o olhar. Assim que terminamos a cerveja, ele me acompanha até a porta.
Ele me olha com uma ternura que me deixa chocada.
- Tenha uma boa noite, bombom.
- Espero que você tenha se divertido hoje. Eu sei que eu me diverti.
- Eu também me diverti. Obrigada por tudo e boa noite.
William fecha a porta e em seguida eu pego um táxi e vou para casa.