- Jules, o que você está fazendo aqui?
As portas do elevador que levam ao andar da Parker industries se fecham, deixando eu e William juntos, e sozinhos. Estava me sentindo confiante para a entrevista, mas bastou ver esse rosto, esse rosto perfeitamente bonito, para abalar toda a minha estrutura.
- Bem, estou indo para o 32°andar.
- É o meu andar.
- Sim, eu sei.
William encosta na parede do elevador com o corpo todo voltado para você. Ele cruza os braços enquanto me observa.
- Veio encontrar a Lindsay para almoçar novamente?
- Vou ver a Lindsay sim, mas não para almoçar. Vou fazer uma entrevista com ela e com um cara chamado Noah em alguns minutos para uma vaga no departamento de marketing.
A expressão dele fica tensa, como se ele estivesse rangendo os dentes. Ele não diz nada.
"Ah, não. Ele não sabia que eu tinha uma entrevista na empresa dele?"
- William, você está bem?
O olhar dele encontra o meu. Parece que ele esqueceu da minha presença por um momento. Um sorriso surge nos lábios dele, dissipando minha preocupação. Ele desencosta da parede e se aproxima de mim.
- Está tudo bem, bombom.
- Mas eu prefiro que meus funcionários me avisem quando um novo candidato vem fazer uma entrevista.
- Não gosto de ser pego de surpresa em um elevador.
William estende a mão para levemente afastar uma mecha de cabelo do meu rosto.
- Mas se eu tiver que ser pego de surpresa no elevador, que seja sempre com você.
Meu coração bate um pouco mais forte ao ouvir isso. Mas antes que eu possa responder, a porta do elevador se abre revelando a recepção da Parker industries e toda a agitação da empresa.
- Vou acompanhar você até a sala de conferências, onde a Lindsay faz as entrevistas. Vêm comigo.
Contorno a recepção enquanto sigo William. Ele se move rapidamente, acenando e sorrindo para todos os funcionários que o cumprimentam.
"Os funcionários dele realmente o respeitam. Ele é tão diferente dos chefes tediosos que tive no passado."
No final do corredor, William mantém uma porta aberta para mim entrar.
- Jules, fique a vontade. Vou procurar a Lindsay e o Noah, você pode aguardar aqui.
- William, obrigada pela ajuda.
- A qualquer hora, bombom.
Com um sorriso, ele me deixa sozinha na sala de conferências.
Alguns minutos se passam enquanto espero ansiosamente, revendo algumas anotações...até que o som de uma porta batendo atrai minha atenção para o corredor.
Escuto vozes alteradas na sala ao lado, o som é alto o suficiente para que eu possa entender cada palavra.
- Não acho uma boa ideia contratar a Jules.
"Não acredito! Não pode ser...
- E eu posso saber por qual motivo, William? Temos uma vaga disponível e ela está perfeitamente qualificada.
- Não me faça explicar. Você simplesmente não pode contrata-la.
"Eu não posso acreditar!"
Lindsay está certa! Estou qualificada para este trabalho. Porquê ele não quer que eu trabalhe aqui? É uma idéia tão terrível assim?
Há uma longa pausa e eu penso que eles encerraram a discussão. Mas então ouço palavras em tom de gozação.
- Não me diga que está punindo essa mulher só porque ela é linda e você se sente atraído por ela?
Meu estômago embrulha. Lágrimas ardem no canto dos seus olhos.
- Você está enganada.
- Estou? Então me dê um bom motivo para não contrata-la. Estou ouvindo.
Outro silêncio cai sobre eles e eu me sinto presa, sem saber se devo ficar sentada ou se devo sair correndo.
- Faça o que quiser, Lindsay.
- É o que eu pretendo.
Ouço passos se afastando no piso de madeira. Tento me recompor, mas não consigo ignorar a pressão do momento. Rapidamente, tento conter as lágrimas.
"Eu sei que não deveria, mas foi bom ter ouvido.
Agora sei que não posso trabalhar onde não me querem.
Eu trabalho duro, sou esforçada e muito boa no que faço. Eu mereço um trabalho que me valorize."
Pego minha coisas e me retiro da sala.
Mas assim que viro um corredor em direção a recepção eu o vejo. Ele está parado no final do corredor, os olhos cravados em mim. William Parker.
- Jules, onde você está indo?
- Porquê se importa?
William segura meu pulso quando tento passar por ele.
Afasto meu braço e ele me solta no mesmo instante. Os olhos dele se enchem de preocupação.
- Ei, quero saber qual é o problema.
Observo a dor e a confusão no olhar dele.
- Você não vale minhas palavras, William Parker. E pode apagar meu número do seu telefone. Você não precisará mais dele.
- Se você me dissesse qual o problema, talvez eu pudesse fazer alguma coisa.
Começo a me afastar em direção ao elevador, mas William me segue.
- Talvez se eu soubesse o que fiz de errado para você não me querer na sua empresa.
- Droga.
William me puxa para o escritório mais próximo e fecha a porta rapidamente em seguida.
- Você tem que confiar em mim, Jules. Você não pode trabalhar aqui.
- Confiar em você? Ah , porque o seu histórico quando se trata de dizer a verdade é o melhor, né?
William praticamente rosna enquanto abaixa a cabeça para fazer contato visual com você.
- Tudo bem, você quer saber a verdade?
- Me sinto atraído por você. De verdade, insanamente, incontrolalvemente atraído por você. Desde a primeira vez que te vi eu te quis.
- Tentei ser respeitoso, mas já cansei.
A voz dele cai para um sussurro rouco, seus lábios a apenas alguns centímetros do meus.
- Se você trabalhar aqui, vou tentar colocar você na minha cama.
Ele sustenta seu olhar como se confirmasse que o que ele diz não é uma sugestão, mas uma promessa.
- Eu não posso acreditar que você acabou de dizer isso pra mim.
William se afasta lentamente.
- Você queria a verdade, é isso.
Ele encosta na parede oposta, os braços cruzados sobre o peito, enquanto mantém os olhos em mim.
- Bem, isso não será um problema.
- Eu teria que querer dormir com você e isso nunca vai acontecer.
- Estou saindo com uma pessoa e se eu trabalhasse aqui, você seria meu chefe. Eu não faria isso.
William ri, quebrando a tensão da discussão.
- Então parece que estou me preocupando àtoua.
William troca o peso de um pé para o outro para se aproximar de mim. Ele junta as mãos na frente dele.
- Então está resolvido? Você vai arrasar nessa entrevista, conseguir o emprego...
William sorri quando o olhar dele chega a minha boca.
- E eu vou continuar tentando te levar pra cama, enquanto você continua me afastando.
- Combinado?
William estende a mão para mim.
- Vamos bombom. Estou falando sério. Eu prometo que isso não vai interferir no seu trabalho.
- Vamos jogar?
"Esse jogo do William é perigoso...então, porquê eu quero jogar?"
- William, é uma oferta tentadora.
- Então aceite.
- E se você tem tanta certeza de que vai ganhar, qual é o problema?
- Você vai me derrotar, algo que muitas pessoas poderosas adorariam conseguir, e me deixará nas suas mãos.
- Parece um bom negócio para mim.
Ele estende a mão novamente.
- Pronta para aceitar a aposta, Jules?
Me sinto como se estivesse a beira de um precipício, prestes a cair. Fecho os olhos, respiro fundo e em seguida, encontro o olhar dele.
- Muito bem, William. Temos um acordo.
Estendo minha mão para ele apertar, mas em vez disso ele a leva até os lábios e beija cada uma das suas falanges.
- Ah, você faz muitos acordos como esse?
- Com cada funcionária da empresa?
- Deus, não. Eu nunca olhei para uma funcionária. Esse é um negócio específico para o seu caso bombom.
William aperta minha mão, pressionando contra o rosto dele enquanto olha em meus olhos.
- Não estou mentindo quando digo que me sinto incrivelmente atraído por você. Você é única bombom. Eu jamais sonharia em fazer algo tão...
- Não profissional?
William ri e solta minha mão.
- Eu pretendia dizer não convencional. Mesmo assim, levo meu negócio muito a sério. É só você bombom. Você é outro nível.
Pisco para ele, ciente do meu batimento cardíaco acelerado.
- Jules, você tem que parar de olhar para mim com todo esse espanto em seus olhos. Você está me matando.
- Estou pensando em testar sua determinação aqui e agora, e você nem mesmo conseguiu o emprego ainda.