Capítulo 8 — Trenamento

1208 Palavras
[Marco Rossi] Meu nome é Marco Rossi, tenho 24 anos e, diferente dos meus irmãos, eu não sou o tipo que resolve tudo na força. Eu resolvo na cabeça. Sou o caçula da família Rossi e cresci no meio do caos, das regras da máfia e das responsabilidades que vieram muito cedo. Mas, mesmo assim, sempre encontrei meu próprio jeito de sobreviver nesse mundo. Enquanto Matteo aprendia a liderar e Lorenzo a lutar, eu aprendia a observar. Computadores sempre fizeram mais sentido pra mim do que armas. Códigos, sistemas e informações são o meu verdadeiro território. Eu sei entrar onde ninguém entra, ver o que ninguém vê e descobrir coisas que deveriam permanecer escondidas. Hackear uma conta é fácil, rastrear alguém é ainda mais simples e controlar informações… isso, pra mim, é praticamente um jogo. Mas não se engane. Só porque eu não estou na linha de frente não significa que eu não seja perigoso. Na verdade, eu posso ser ainda mais. Enquanto muitos estão focados na batalha, eu já pensei em todas as possibilidades antes mesmo dela começar. Eu antecipo movimentos, quebro sistemas e deixo tudo pronto para quando meus irmãos precisarem agir. Claro, eu também sei usar armas. Na nossa família isso não é uma escolha, é uma obrigação. Mas minha verdadeira força nunca esteve na violência física, e sim na minha mente. Eu penso rápido, observo tudo e dificilmente deixo algo passar despercebido. Entre nós três, eu sou o mais leve. Eu rio mais, falo mais e gosto de provocar, principalmente o Lorenzo. Ele sempre entra no jogo, o que torna tudo mais divertido. Já o Matteo… ele é diferente. Sempre foi. Ele carrega um peso que nenhum de nós precisou carregar da mesma forma. Eu já vi meu irmão enfrentar coisas que teriam destruído qualquer outra pessoa. Principalmente quando envolve sentimentos. Ele não fala sobre isso, nunca falou, mas eu sei. E talvez seja por isso que ele seja tão frio, tão controlado, tão distante hoje. Mas mesmo assim, ele nunca deixou de cuidar da gente. Nunca deixou de ser o nosso ponto de equilíbrio. E, por mais que ele não demonstre, eu sei o quanto ele se importa. Eu admiro isso nele. No fim das contas, somos três irmãos tentando manter tudo de pé em um mundo onde confiança é algo raro. E eu sei de uma coisa com certeza: podem tentar derrubar o que for, podem tentar chegar até nós… mas enquanto estivermos juntos, ninguém passa. E se alguém for burro o suficiente pra tentar mexer com a minha família… vai descobrir, do pior jeito possível, que não se pode mexer com, a família Rossi Marco — Treinamento Eu bati duas vezes na mesa para chamar a atenção. Marco = Sentem. Os três novatos se entreolharam antes de obedecer. Ainda tinham aquele olhar de quem acha que máfia é só arma e coragem. Eu puxei a cadeira e sentei de frente para eles, girando levemente. Marco = Se vocês acham que vão sobreviver aqui só sabendo atirar… já começaram errados. Um deles engoliu seco. Soldado = Mas… a gente já treina com armas e a lutar Eu levantei a mão, interrompendo. Marco = Eu sei. E isso é importante. Mas hoje em dia, quem controla a informação… controla tudo. Virei o monitor para eles. As telas acenderam mostrando câmeras da cidade. Marco = Isso aqui… é poder. Eles olharam atentos. Eu comecei a digitar rapidamente. Marco = vou mim apresentar pra vocês Meu nome é Marco Rossi. vou ser o professor de tecnologia de vocês por um tempo até pegarem o jeito… eu sou o cara que vê tudo antes de acontecer. Um deles franziu a testa. Soldado = Tipo… hacker? Eu sorri de lado. Marco = “Tipo” não. Eu sou. Cliquei em algumas abas e puxei o histórico de um telefone. Marco = Quer saber onde alguém esteve ontem à noite? Eu descubro. Outra aba. Localização em tempo real. Marco = Quer saber onde ele está agora? Eu também sei. Eles trocaram olhares impressionados. Eu me inclinei na cadeira. Marco = Agora presta atenção, porque isso aqui pode salvar a vida de vocês. Apontei para o teclado. Marco = Senha fraca é convite. Sistema desprotegido é porta aberta. E gente burra… é informação fácil. Um dos soldados riu nervoso. Soldado = Então… a gente precisa aprender isso tudo? Marco = Não precisa. Fiz uma pausa. Marco = Precisa dominar. Silêncio. Gosto quando eles ficam assim. Significa que estão entendendo. Levantei e caminhei atrás deles. Marco = Na rua, vocês podem ser fortes. Podem atirar bem. Inclinei levemente. Marco = Mas se alguém souber mais do que vocês… vocês já perderam. Voltei para a frente e cruzei os braços. Marco = Informação é vantagem. Comecei a andar devagar pela sala. Marco = Eu já derrubei sistemas inteiros sem sair dessa cadeira. Olhei para eles. Marco = Já encontrei gente escondida melhor do que qualquer rastreador. Encostei na mesa. Marco = E já salvei meus irmãos… mais vezes do que eles sabem. Voltei ao tom leve. Marco = Agora vamos ao básico. Apontei para um dos computadores. Marco = Liga isso. O soldado apertou o botão meio sem jeito. Eu me aproximei. Marco = Primeiro… vocês vão aprender a não fazer besteira. Eles riram de leve. Marco = Sem clicar em qualquer coisa. Sem confiar em qualquer link. Sem sair colocando senha em qualquer lugar. Digitei rapidamente e abri um programa. Marco = Isso aqui é um sistema de monitoramento. Mostrei as câmeras. Marco = Cada movimento… cada entrada… cada saída. Um deles arregalou os olhos. Soldado = Vocês veem tudo isso? Marco = Eu vejo. Apontei para ele. Marco = E se você fizer besteira… eu também vejo. Eles ficaram sérios na hora. Perfeito. Eu sorri de lado. Marco = Relaxa… eu só uso isso quando preciso. Me encostei na mesa novamente. Marco = Mas entendam uma coisa. Cruzei os braços. Marco = Aqui dentro, nada passa despercebido. Silêncio. Depois mudei o tom. Marco = Agora… vamos praticar. Sentei em uma cadeira e comecei a digitar. Marco = Quero que vocês tentem entrar nesse sistema. Um deles arregalou os olhos. Soldado = Mas a gente não sabe— Marco = Exatamente. Olhei pra ele. Marco = É assim que começa. Eles começaram a mexer, meio perdidos. Gosto disso. Ver eles tentando aprender algo novo. encinei o básico pra eles o bom é que são bem espertos Depois de alguns minutos, um deles conseguiu abrir uma parte do sistema. Ele sorriu. Soldado = Consegui! Eu balancei a cabeça. Marco = Não. Ele travou. Soldado = Não? Cliquei em uma tecla e derrubei tudo. Marco = Eu deixei você entrar. Silêncio. Marco = Nunca confie quando algo parece fácil demais. Eles ficaram quietos. Agora estavam realmente prestando atenção. Eu sorri. Marco = Agora sim… vocês estão aprendendo. Me levantei. Marco = Aqui não é só força. Coloquei as mãos nos bolsos. Marco = Aqui é estratégia. Olhei para eles. Marco = E quem aprende isso… sobrevive mais. Enquanto eles voltavam a tentar, eu encostei na parede observando. depois de algumas horas terminei com eles os deixei com os outros professores e fui ver como tava indo o meu irmão trenando os novatos
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