Capítulo 13— sequestro

1268 Palavras
Eles comeram rápido, como se realmente estivessem famintos há dias. Eu e Dona Teresa ficamos organizando as últimas mesas enquanto observávamos de longe. Ruby conversava animada com os meninos, e o senhor Teodoro comia em silêncio, mas sempre atento ao redor, como se estivesse acostumado a vigiar tudo. Quando terminaram, Ruby fez um sinal com a mão, me chamando. Ruby = Kamilly, pode trazer a conta, por favor? kamilly = Claro, já trago. Fui até o caixa, imprimi o valor e levei até a mesa. Ruby pegou a conta, conferiu rapidamente e passou para o senhor Teodoro, que pagou tudo sem reclamar, tirando notas dobradas de uma carteira de couro elegante. Quando devolvi o troco, ele colocou uma quantia generosa sobre a mesa. teodoro = Isso é pra você, ele disse, de forma simples. Eu olhei para o dinheiro e depois para ele, um pouco sem jeito. kamilly = Não precisa, senhor… eu só fiz o meu trabalho. Empurrei as notas de volta, e ele pareceu surpreso por um segundo, mas depois apenas assentiu com respeito. teodoro = Mesmo assim, você atendeu muito bem, obrigado Sorri, agradecida, mas mantive minha decisão. Dona Teresa, que observava tudo de longe, depois me olhou com aquele ar orgulhoso que ela sempre fazia quando eu recusava gorjetas exageradas. Como já estávamos fechando, eu e Dona Teresa decidimos acompanhá-los até a porta. As luzes internas já estavam quase todas apagadas, e a rua lá fora estava escura e silenciosa. Saímos juntos, e eu fiquei parada perto da entrada enquanto eles caminhavam em direção ao carro deles, que estava estacionado logo em frente. Foi então que tudo aconteceu rápido demais. Um carro preto surgiu do nada e parou bruscamente bem ao lado do veículo deles. Meu coração disparou na mesma hora, antes mesmo de eu entender o que estava acontecendo. As portas do carro preto se abriram com violência, e dois homens encapuzados desceram correndo. teodoro = Ei! O que vocês querem?! — gritou o senhor Teodoro, se colocando imediatamente na frente de Ruby e dos meninos. Um dos homens sacou uma arma sem hesitar. Os tiros ecoaram na rua silenciosa. Eu gritei, levando as mãos à boca, enquanto via o senhor Teodoro cair de joelhos depois de levar dois tiros, um em cada perna. Mesmo ferido, ele ainda tentou se levantar, tentando proteger os jovens. Os homens não tiveram piedade. Um deles começou a espancá-lo com brutalidade. Ruby = Parem! Por favor, parem! — Ela chorava, tentando se colocar na frente dele e dos meninos Um dos bandidos a empurrou com força, e ela caiu no chão. Mesmo assim, ela ainda tentou se levantar e proteger os meninos, mas acabou levando um murro no rosto que a deixou atordoada. Eu não pensei. pede pra dona Teresa entra e chama a polícia e gritei kamilly = Deixem eles em paz! — gritei, tentando puxar Ruby para trás. Senti mãos fortes me segurarem por trás. Tentei me soltar, chutei, arranhei, mas um dos homens me deu um golpe forte na cabeça. Minha visão ficou turva na mesma hora. A última coisa que vi antes de desmaiar foi Ruby sendo arrastada, ainda tentando lutar, enquanto os meninos gritavam desesperados. Do lado de dentro do restaurante, Dona Teresa assistia a tudo em choque. Depois, ela correu de volta para dentro, tremendo, e pegou o telefone para chamar a polícia. Quando recobrei a consciência, o carro já estava em movimento. Minhas mãos estavam presas, minha cabeça latejava, e Ruby estava ao meu lado, também machucada e chorando em silêncio. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, o carro finalmente parou. Fomos puxados para fora com brutalidade. O lugar era uma fazenda isolada, cercada por escuridão e silêncio. Eles nos empurraram sem cuidado algum, fazendo-nos tropeçar na terra, e nos arrastaram até dentro de uma casa velha. Abriram a porta de um quarto escuro e nos jogaram lá dentro como se fôssemos sacos de lixo. A porta se fechou com força atrás de nós, e o som do trinco sendo girado ecoou como uma sentença. Fiquei alguns segundos sem conseguir me mexer, ainda atordoada pelo golpe que tinha recebido. Minha cabeça latejava e o gosto de ferro na boca denunciava que eu tinha machucado o lábio. O quarto era completamente escuro. Não dava para ver quase nada, apenas algumas sombras se movendo. Ruby = Kamilly…? — ouvi a voz fraca de Ruby ao meu lado. kamilly = … tô aqui, respondi, tentando manter a voz firme, mesmo com o coração disparado no peito. Tateei o chão até encontrar a mão dela. Estava gelada e tremendo. kamilly = Você tá machucada? — perguntei, sussurrando. Rby= Um pouco… mas eu tô bem… e você? kamilly =" Também… eu acho… Na verdade, eu não tinha certeza de nada. Meu corpo inteiro doía, e minha cabeça girava, mas eu precisava parecer forte. Não só por mim, mas por ela e pelos meninos. kamilly = Carlos? Willian? — chamei no escuro. Carlos:= A gente tá aqui, respondeu Carlos, com a voz embargada. — Eles… eles atiraram no Teodoro… O silêncio que se seguiu foi pesado. Eu também tinha visto. Aquela imagem não saía da minha cabeça: ele caído no chão, tentando proteger todos nós mesmo ferido. Ruby começou a chorar baixinho. Ruby = Foi culpa minha… eu insisti pra gente parar naquele restaurante… se a gente tivesse continuado na estrada… kamilly = Não fala isso, falei rapidamente, apertando a mão dela. — A culpa é deles. Só deles. Eu não sabia se acreditava totalmente nas minhas próprias palavras, mas alguém precisava dizer aquilo. Depois de alguns minutos, nossos olhos começaram a se acostumar com a pouca luz que entrava por uma fresta perto do teto. O quarto era pequeno, com paredes de concreto cru e um cheiro forte de mofo. Não havia móveis, apenas um colchão velho jogado no canto. Eu me arrastei até a porta e tentei girar a maçaneta, mesmo sabendo que estava trancada. Nada. Encostei a testa na madeira fria e respirei fundo, tentando controlar o pânico que começava a subir pelo meu peito como uma onda. A chave girou na fechadura, e a porta se abriu com um rangido lento. A luz do corredor invadiu o quarto, me obrigando a apertar os olhos. Um dos homens encapuzados entrou, segurando uma lanterna. A luz passou por nossos rostos, Ruby, mesmo assustada, conseguiu falar: Ruby = Por que vocês estão fazendo isso? A gente não fez nada… O homem soltou uma risada curta e sem humor. homen = Vocês fizeram sim… só ainda não sabem o quê principalmente seus irmãozinho Ele saiu logo depois, trancando a porta novamente. O barulho da chave ecoou mais uma vez, deixando o quarto mergulhado de novo na escuridão. Willian = oque ele quis dizer com isso? Ruby não respondeu. Ela estava em silêncio, e mesmo no escuro eu conseguia perceber que ela tinha entendido alguma coisa que nós ainda não sabíamos. kamilly = Ruby … você sabe de alguma coisa? — perguntei, desconfiada. Ela demorou alguns segundos antes de responder. Ruby = Meus irmãos … — a voz dela falhou. — Eles é empresário… muito ricos… e já recebeu ameaças antes. Eu achei que fosse só gente tentando assustar…-ela mentio Naquele momento, tudo começou a fazer sentido… e ao mesmo tempo ficou ainda mais assustador. Eu não fazia parte daquela história. Eu só estava no lugar errado, na hora errada. Mesmo assim, agora estava presa ali com eles. Encostei na parede fria e abracei minhas próprias pernas, tentando conter o tremor. Dona Teresa… será que ela chamou a polícia? Será que alguém sabe onde estamos
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