PIRULITO NARRANDO Quando eu acordei de manhã, ainda meio zonzo, com o corpo doendo em cada p***a de músculo, a primeira coisa que eu senti foi silêncio. Um silêncio pesado, estranho, que não combinava com a casa que eu conhecia. Normalmente, de manhã, eu ouvia barulho de panela, risada das crianças, ou até a Bruna resmungando enquanto acordava. Mas nada. Só silêncio. Eu levantei devagar, com o corpo reclamando a cada passo. Meu olho ainda ardia, cabeça latejava, e o peito pesado. Mas a p***a do instinto de bandido, de chefe de quebrada, já tava ali me dizendo: “Algo tá errado.” E quando eu cheguei na sala, foi o choque. A casa estava vazia. As crianças não estavam lá, e o lugar tinha um cheiro de abandono que cortava como faca. “Bruna?” Eu gritei, mas nem o eco respondeu. A única coisa

